Lições Bíblicas CPAD

Jovens e Adultos

 

 

1º Trimestre de 2005

 

Título: O Fruto do Espírito — A plenitude de Cristo na vida do crente

Comentarista: Antonio Gilberto

 

 

Lição 7: Benignidade e bondade: O fruto gêmeo

Data: 13 de fevereiro de 2005

 

TEXTO ÁUREO

 

Porque o fruto do Espírito está em toda bondade, e justiça, e verdade, aprovando o que é agradável ao Senhor(Ef 5.9,10).

 

VERDADE PRÁTICA

 

A bondade e a benignidade são como duas colunas gêmeas da estrutura espiritual, moral e social do cristão.

 

LEITURA DIÁRIA

 

Segunda — Pv 21.21

A bondade propicia vida, justiça e honra

 

 

Terça — Ef 4.32

A benignidade entre os irmãos — uma ordenança bíblica

 

 

Quarta — Rm 15.14

A plenitude da bondade no cristão

 

 

Quinta — Cl 3.12

O revestimento espiritual do crente

 

 

Sexta — Rm 13.10

O amor não pratica o mal

 

 

Sábado — 2Sm 22.26

Deus retribui a benignidade de seus servos

 

LEITURA BÍBLICA EM CLASSE

 

Colossenses 3.12-15.

 

12 — Revesti-vos, pois, como eleitos de Deus, santos e amados, de entranhas de misericórdia, de benignidade, humildade, mansidão, longanimidade,

13 — suportando-vos uns aos outros e perdoando-vos uns aos outros, se algum tiver queixa contra outro; assim como Cristo vos perdoou, assim fazei vós também.

14 — E, sobre tudo isto, revesti-vos de caridade, que é o vínculo da perfeição.

15 — E a paz de Deus, para a qual também fostes chamados em um corpo, domine em vossos corações, e sede agradecidos.

 

PONTO DE CONTATO

 

Professor, bondade e benignidade são o amor em exercício. Proponha à classe a possibilidade de praticar estas virtudes neste domingo. Sugira uma visita a um aluno da Escola Dominical ou a um parente necessitado dele. Procure saber qual a necessidade da pessoa ou da família e, se for preciso, recolha uma pequena contribuição dos alunos. Marque o horário da visita, reúna-se com o grupo na hora marcada, ore, leia Tiago 1.27 e faça a obra do Senhor. Lembre-se: as lições deste trimestre são mais práticas do que teóricas; mais interpessoais do que pessoais. Consistem na prática da vida cristã diária e não apenas em suas doutrinas principais.

 

OBJETIVOS

 

Após esta aula, o aluno deverá estar apto a:

  • Descrever a benignidade e a bondade como fruto do Espírito.
  • Relatar os princípios da benignidade e da bondade.
  • Exemplificar a benignidade e a bondade na vida de personagens bíblicos.

 

SÍNTESE TEXTUAL

 

O fruto do Espírito, segundo o texto áureo, é a luz que se opõe às obras infrutuosas das trevas. Os filhos da luz produzem fruto de acordo com a sua natureza santa porque andam na luz, enquanto os filhos das trevas, obras infrutíferas porque trilham nas trevas (Ef 5.8-13). As obras das trevas são identificadas nos versículos três a seis do capítulo cinco: prostituição, impureza, avareza, torpezas, parvoíces e chocarrices. Estas ações são chamadas de “obras mortas”, “torpes” e “condenadas pela luz” (vv.11-13). No entanto, o fruto do Espírito está em toda bondade, e justiça e verdade. A palavra “aprovando” (v.10) quer dizer, no original, “colocar a prova” ou “testar” e está relacionada ao termo “condenar” do versículo treze. O que isto quer dizer? A chave está no versículo dezessete: “entendei qual seja a vontade do Senhor”. Para que saibamos se um ato agrada ao Senhor, devemos testá-lo pelo critério da “bondade”, da “justiça” e da “verdade”. Além de sabermos que a vontade do Senhor é boa, perfeita e agradável (Rm 12.2), precisamos perguntar se nossas atitudes são boas, justas e verdadeiras. Se elas forem reprovadas por esses três critérios, não poderemos ser considerados dignos da Luz do Mundo. Portanto, o texto de ouro atesta que o fruto do Espírito “está”, isto é, “acha-se, encontra-se” em toda bondade, justiça e verdade — os princípios pelos quais devemos julgar, não as pessoas, mas suas atitudes.

 

ORIENTAÇÃO DIDÁTICA

 

Leve para a sala de aula dois casacos. Inicie a lição falando sobre o estado de indiferença em relação às necessidades do próximo pelo qual a igreja e a humanidade em geral atravessam. Vista o primeiro casaco e diga aos alunos que assim como este nos protege do tempo frio, precisamos nos proteger da insensibilidade que tem “soprado” contra a igreja do Senhor. Depois, vista o outro casaco e diga que não basta apenas se vestir para proteger-se, mas também é necessário revestir-se de amor, misericórdia, bondade, humildade etc. Fale para seus alunos que estas virtudes aquecerão seu coração de tal forma que será impossível “passarem de largo” por alguém necessitado. Faça o seguinte clamor à turma: “O mundo está mergulhado em profunda miséria espiritual e social. Precisamos urgentemente demonstrar amor, carinho, compaixão, generosidade, solidariedade, enfim, servir àqueles que carecem da graça divina”.

 

COMENTÁRIO

 

INTRODUÇÃO

 

A benignidade e a bondade são aspectos tão íntimos do fruto do Espírito que é difícil distingui-los. Quem é bom, também é benigno; e vice-versa. Ambas originam-se do amor. Alguém afirmou que a benignidade é amor compassivo; e a bondade, amor atuante, em ação.

Estas virtudes, produzidas em nós pelo Espírito Santo, aludem ao nosso relacionamento com o próximo.

Normalmente, consideramos a benignidade como a expressão do amor de uma pessoa para com outra, e, bondade como a prática do bem, mediante atitudes e atos.

Nesta lição, constataremos que o uso bíblico destas duas palavras é diferente do uso secular e popular, e que, nelas, estão inseridos muitos aspectos do amor.

 

I. A DESCRIÇÃO DA BENIGNIDADE E DA BONDADE

 

1. A benignidade fundamenta-se no amor. Em Gálatas 5.22, a palavra benignidade, no original do NT, não significa apenas a qualidade de ser puro e bom, mas também, ser devotado a atos e a atitudes bondosas. O termo também expressa ternura, compaixão e brandura.

Em Mateus 11.30, a mesma palavra é usada para descrever o jugo de Jesus. Ele disse: “Porque o meu jugo é suave, e o meu fardo é leve”. O jugo de Cristo refere-se ao desenvolvimento de uma vida disciplinada através da obediência, submissão, companhia, serviço e cooperação. É uma relação cortês, gentil e agradável, porquanto se baseia no compromisso e no amor, e não na força e na servidão. Servimos ao nosso Mestre porque o amamos, e servimos uns aos outros em consequência de nosso amor por Ele. Servir sem amor é insuportável — servir por amor é o mais sublime privilégio.

2. A bondade é o resultado da benignidade. A bondade é traduzida do original, agathousune, e é encontrada apenas quatro vezes na Bíblia (Rm 15.14; Gl 5.22; Ef 5.9; 2Ts 1.11). Se compararmos com o original do termo benignidade, constataremos que aquela é a prática ou a expressão desta, ou seja, é fazer na prática o que é bom.

Em Romanos 15.14-16, Paulo reconhece que aqueles cristãos estavam aptos para servir uns aos outros, e exorta-os a fazê-lo, lembrando-os de sua chamada para ser ministro (literalmente servo) de Jesus Cristo. No versículo 16, Paulo se compara a um sacerdote oferecendo os gentios salvos a Deus como oferta santificada pelo Espírito Santo. Em todos esses versículos, observa-se a expressão da bondade.

Bondade, então, denota serviço ou ministério em favor do próximo, um espírito de generosidade colocado em prática, concernente a servir e a doar. É o resultado natural da benignidade — a manifestação da ternura, compaixão e brandura.

 

II. OS FUNDAMENTOS DA BENIGNIDADE E DA BONDADE

 

1. A Benignidade e a Bondade de Deus. Há pessoas que possuem um conceito errôneo de Deus: um juiz impiedoso e severo sempre disposto a condenar o pecador e a enviá-lo para as trevas exteriores. A Bíblia apresenta Deus como um Pai divinamente compassivo e amoroso, sempre pronto a abençoar seus filhos em todos os sentidos (Sl 103.13).

O profeta Isaías compara Deus a um pastor carinhoso e benigno com seus cordeiros (Is 40.11), que se deleita em demonstrar sua bondade para com seus filhos (Lc 11.13). O salmista alude a estas virtudes inúmeras vezes (Sl 73.1; 86.5; 105.5; 106.1; 107.1; 136.1).

2. Princípios da Benignidade e Bondade.

a) Servir ao próximo. A piedade e a bondade não podem ser dissociadas. Há dois preceitos divinos incluídos aqui: relacionamento com Deus e com o próximo. Podemos ilustrá-los através das seguintes perguntas bíblicas: “Onde estás?” (Gn 3.9) e “Que farei para herdar a vida eterna?” (Lc 10.25), referindo-se ao primeiro preceito, e “Onde está [...] teu irmão?” (Gn 4.9) e “E quem é o meu próximo?” (Lc 10.29), aludindo ao segundo.

Em Gênesis, Deus pergunta a Adão, imediatamente após este desobedecê-lo, a respeito da condição espiritual do casal. Já Caim, logo depois de assassinar Abel, é questionado pelo mal cometido contra seu irmão.

Nas passagens de Lucas, as duas interrogações foram feitas a Jesus por um doutor da lei. A primeira reporta-se à sua condição espiritual, e a segunda, à sua situação social. Quando os frutos da bondade e da benignidade são desenvolvidos em nós, contemplamos as pessoas com o olhar divino e alcançamo-las através do amor de Deus manifestado em nós. Nosso serviço é conduzir as pessoas a conhecer Jesus como seu Salvador pessoal e atender às necessidades que porventura possam ter. Isso implica ser companheiro, oferecer hospitalidade, ajudar com os problemas, encorajar e, acima de tudo, demonstrar amor.

b) Generosidade. O homem bom, que serve aos outros, é rico, embora lhe falte bens materiais. Certamente esta era a situação dos cristãos na igreja de Esmirna (Ap 2.9) e nas igrejas da Macedônia (2Co 8.2,3).

Conforme está descrito no texto bíblico precedente, uma característica distintiva da bondade cristã é a generosidade. Segundo a Bíblia, Deus abençoa os que ajudam os pobres e necessitados (Dt 15.10,11). Os dízimos e as ofertas do crente são um modo de reconhecermos a soberania de Deus sobre nossa vida e bens, inclusive o dinheiro. Davi louvou ao Senhor pelas ofertas do povo em proveito da construção do templo (1Cr 29.9,14).

A entrega dos dízimos e ofertas demonstra o que está em nosso coração, ou seja, desprendimento das coisas temporais (Mt 6.19-21).

c) Bondade, justiça e verdade. A relação entre bondade, justiça e verdade revela-nos alguns princípios importantes. Em Efésios 5.9, lemos: “O fruto do Espírito está em toda bondade, e justiça, e verdade”. A bondade diz respeito à misericórdia, à justiça, à retidão; e a verdade, ao conhecimento.

A excelência da bondade é resumida na denominada Regra de Ouro: “Portanto, tudo o que vós quereis que os homens vos façam, fazei-o otambém vós, porque esta é a lei e os profetas” (Mt 7.12). Em outras palavras, devemos tratar os outros da mesma maneira que Deus nos trata — com misericórdia e graça.

 

III. EXEMPLOS DE BENIGNIDADE E BONDADE

 

A Bíblia está cheia de exemplos de homens e mulheres que procederam com benignidade e bondade para com seu semelhante. A seguir, examinaremos alguns destes modelos a fim de aprendermos como este fruto espiritual pode ser manifestado em nossa vida.

1. Jó. Este servo de Deus não foi apenas paciente, mas também um exemplo significativo de benignidade e bondade: “Eu era o olho do cego e os pés do coxo; dos necessitados era pai e as causas de que não tinha conhecimento inquiria com diligência; e quebrava os queixais do perverso e dos seus dentes tirava a presa... O estrangeiro não passava a noite na rua; as minhas portas abria ao viandante” (Jó 29.15,17; 31.32).

2. Davi. É comovente a benignidade imparcial de Davi em favor da casa de seu inimigo, Saul. O salmista demonstrou o mais sublime grau desta virtude, considerando-a como “beneficência de Deus” (2Sm 9.1-3). Também aprendemos a agir desta forma através da instrução de Paulo a Timóteo: “E ao servo do Senhor não convém contender, mas, sim, ser manso [benigno] para com todos” (2Tm 2.24).

3. Jesus. O Mestre demonstrou benignidade até ao final, na cruz. Enquanto estava pendurado na cruz, providenciou alguém para cuidar de sua mãe (Jo 19.26,27), suplicou perdão em favor de seus inimigos (Lc 23.34), e demonstrou, em sua forma mais sublime, o sentido real de ser benigno e misericordioso com os outros ao entregar-se por nós.

4. Paulo. Antes de sua conversão, era conhecido por sua inclemência para com os cristãos, segundo ele mesmo testemunhou. Contudo, ao tornar-se uma nova criatura em Cristo, declarou: “Fomos brandos [benignos] entre vós, como a ama que cria seus filhos” (1Ts 2.7).

5. Estevão. Ele foi um exemplo de benignidade. Ao invés de desejar a morte de seus opressores, orou por eles enquanto estava sendo apedrejado até morrer (At 7.59,60).

 

CONCLUSÃO

 

A salvação é adquirida mediante a fé no sacrifício vicário do Filho de Deus, e não por causa de nossa bondade e santidade. Contudo, como cristãos, devemos refletir o caráter de Cristo através da manifestação do fruto do Espírito produzido em nós. Não somos salvos por meio das boas obras, mas, para praticá-las.

 

VOCABULÁRIO

 

Aludir: Fazer alusão; referir-se; mencionar.
Errôneo: Que contém erro; falso.
Porventura: Acaso; por acaso; talvez.
Vice-versa: Em sentido inverso ou oposto; ao contrário; mutuamente.

 

BIBLIOGRAFIA SUGERIDA

 

HORTON, Stanley M. (ed.). Teologia sistemática: Uma perspectiva Pentecostal. CPAD, 1996.
GEE, Donald. Como receber o batismo no Espírito Santo. CPAD, 2001.

 

EXERCÍCIOS

 

1. Qual a relação entre bondade e benignidade?

R. A bondade é a expressão ou resultado da benignidade.

 

2. Qual o sentido de benignidade em Gálatas 5.22?

R. Ser devotado a atos e atitudes bondosas. Também expressa ternura, compaixão e brandura.

 

3. Como a Bíblia apresenta Deus?

R. Como um pai divinamente compassivo e amoroso, sempre pronto a abençoar seus Filhos.

 

4. Quais os princípios da benignidade e da bondade?

R. Servir ao próximo, generosidade, bondade, justiça e verdade.

 

5. Mencione cinco personagens bíblicos que foram bons e benignos.

R. Jó, Davi, Jesus, Paulo e Estevão.

 

AUXÍLIOS SUPLEMENTARES

 

Subsídio Teológico

 

“Benignidade

A palavra grega chrestotes nos faz lembrar Cristo, o exemplo supremo da benignidade. Paciência e benignidade estão juntas na primeira linha da descrição do amor de Deus (1Co 13.4). Paulo nos conclama a seguir o exemplo de Cristo, a sermos benignos e compassivos, perdoando uns aos outros (Ef 4.32). A severidade não é o modo de agir do corpo de Cristo. A mútua estima e respeito, sim. A benignidade é o bálsamo que nos une, à medida que aprendemos a dar valor uns aos outros. Até mesmo os dons são resultados da benignidade de Deus para conosco.

Bondade

O significado essencial de agathosune, traduzido por ‘bondade’, é a generosidade que flui de uma santa retidão dada por Deus. Paulo recomenda: ‘comunicai [reparti] com os santos nas suas necessidades, segui a hospitalidade’ (Rm 12.13), para ‘repartir com o que tiver necessidade’ (Ef 4.28).

A razão básica dos dons é ser uma bênção ao próximo. A bondade, ou generosidade, nos leva à preocupação com as pessoas de modo prático e dinâmico, onde quer que estas se encontrem. A Igreja Primitiva sabia praticar a mútua generosidade, sem medo de exagerar nos cuidados” (LIM, David. Os dons espirituais. In HORTON, Stanley M. (ed.). Teologia sistemática: Uma perspectiva pentecostal. RJ: CPAD, 1996, p.490).