LIÇÕES BÍBLICAS CPAD

ADULTOS

 

 

2º Trimestre de 2018

 

Título: Valores cristãos — Enfrentando as questões morais de nosso tempo

Comentarista: Douglas Baptista

 

 

Lição 6: Ética Cristã e suicídio

Data: 06 de Maio de 2018

 

 

TEXTO ÁUREO

 

O ladrão não vem senão a roubar, a matar e o destruir; eu vim para que tenham vida e a tenham com abundância(Jo 10.10).

 

VERDADE PRÁTICA

 

O início e o término de nossa vida são prerrogativas exclusivas de Deus.

 

LEITURA DIÁRIA

 

Segunda — Jz 16.28-30

Sansão não se suicidou, mas morreu em combate

 

 

Terça — Mt 27.4,5; At 1.8

Judas Iscariotes, tomado de remorsos, dá fim a própria vida

 

 

Quarta — Sl 100.3

Foi Deus quem deu a vida e, portanto, a vida pertence a Ele

 

 

Quinta — Ec 3.2

Deus é quem determina o nosso nascer e morrer

 

 

Sexta — Jo 15.13

O maior amor é o que entrega a vida em favor do outro

 

 

Sábado — Jo 10.15

Cristo entregou a sua vida pela suas “ovelhas”

 

LEITURA BÍBLICA EM CLASSE

 

1 Samuel 31.1-6.

 

1 — Os filisteus, pois, pelejaram contra Israel; e os homens de Israel fugiram de diante dos filisteus e caíram atravessados na montanha de Gilboa.

2 — E os filisteus apertaram com Saul e seus filhos e os filisteus mataram a Jônatas, e a Abinadabe, e a Malquisua, filhos de Saul.

3 — E a peleja se agravou contra Saul, e os flecheiros o alcançaram; e muito temeu por causa dos flecheiros.

4 — Então, disse Saul ao seu pajem de armas: Arranca a tua espada e atravessa-me com ela, para que, porventura, não venham estes incircuncisos, e me atravessem, e escarneçam de mim. Porém o seu pajem de armas não quis, porque temia muito; então, Saul tomou a espada e se lançou sobre ela.

5 — Vendo, pois, o seu pajem de armas que Saul já era morto, também ele se lançou sobre a sua espada e morreu com ele.

6 — Assim, faleceu Saul, e seus três filhos, e o seu pajem de armas, e também todos os seus homens morreram juntamente naquele dia.

 

HINOS SUGERIDOS

 

73, 75 e 495 da Harpa Cristã.

 

OBJETIVO GERAL

 

Apresentar que o suicídio está na contramão da vontade de Deus para o crente.

 

OBJETIVOS ESPECÍFICOS

 

 

Abaixo, os objetivos específicos referem-se ao que o professor deve atingir em cada tópico. Por exemplo, o objetivo I refere-se ao tópico I com os seus respectivos subtópicos.

 

  • I. Descrever o suicídio nas Escrituras e no mundo;
  • II. Elencar os tipos de suicídios;
  • III. Apontar os posicionamentos teológico e ético a respeito do suicídio.

 

INTERAGINDO COM O PROFESSOR

 

Há dados alarmantes a respeito do suicídio. Está mais do que na hora de considerarmos este assunto de acordo com a seriedade que ele requer.

Não é de hoje que o suicídio tem sido um fato que perpassa a realidade de muitas igrejas locais. São membros, que infelizmente, dão cabo da própria vida. Outros, são pastores experimentados no ministério, que não suportando o sofrimento, põem fim a própria existência.

Esse problema é um drama que tem ligação direta com os transtornos de humor, manifestados na depressão, no transtorno de ansiedade, nas esquizofrenias, dentre outros, como revelou uma pesquisa médica recente.

O mais dramático é que esses transtornos têm tratamento adequado por intermédio de medicamentos e de terapias profissionais. Ore ao Senhor e peça sabedoria do alto para que, se for o caso, oriente as pessoas que porventura vivem o “calabouço” da depressão a procurarem ajuda profissional, paralelo à terapia espiritual. Tal orientação pode salvar vidas. Boa aula!

 

COMENTÁRIO

 

INTRODUÇÃO

 

A expressão “suicídio” vem do Latim sui (a si mesmo) e caedere (matar, cortar) que significa “matar a si mesmo”, também conhecida como “morte autoinfligida”. Essa prática tem sido um mal silencioso e o índice de pessoas que se suicidam vem crescendo assustadoramente. Nesta lição, estudaremos o suicídio nas Escrituras e no mundo, seus tipos e o posicionamento cristão quanto ao tema.

 

 

PONTO CENTRAL

 

Deus é quem deve ter a última palavra a respeito da vida.

 

 

I. O SUICÍDIO NAS ESCRITURAS E NO MUNDO

 

As Escrituras registram seis casos de suicídio: cinco no Antigo Testamento e um no Novo. Em situação de conflito, homens se desesperam e tiram a própria vida no mundo todo.

1. No Antigo Testamento. A história de Sansão mostra que a tarefa dele era a de derrotar os filisteus (Jz 13.5). Mas ele revelou o segredo de sua força e foi preso. Decidido a cumprir sua missão, na festa a Dagon, derrubou o templo sobre si e seus inimigos (Jz 16.30). Entretanto, esta ação é vista como sacrifício de guerra e não suicídio. Por isso, Sansão aparece na lista dos heróis da fé (Hb 11.32-34). Outro registro é o caso de Saul e de seu escudeiro. O primeiro rei em Israel rejeitou o Senhor e buscou o ocultismo (1Sm 28.7). Acuado na peleja contra os filisteus, Saul lançou-se sobre a própria espada e seu auxiliar fez o mesmo (1Sm 31.4,5). O quarto caso foi o de Aitofel, conselheiro de Absalão, que não suportou ter o seu conselho rejeitado e se enforcou (2Sm 17.23). O quinto registro é o do rei Zinri, que derrotado e apavorado, tirou a própria vida (1Rs 16.18,19). Exceto Sansão, tais homens, motivados pelo orgulho, escolheram a morte em lugar de confiarem em Deus. Aliás, podemos dizer que Sansão morreu em combate.

2. No Novo Testamento. O mais emblemático caso é o suicídio de Judas Iscariotes. Ele fizera parte do colegiado apostólico (Lc 6.16). Sua função de tesoureiro requeria integridade (Jo 13.29). No entanto, ele furtava as ofertas que eram lançadas na bolsa (Jo 12.6). Sua ambição por dinheiro foi uma das motivações para entregar Jesus (Mc 14.11). Culpado por trair um inocente, enforcou-se (Mt 27.4,5) e como resultado: “precipitando-se, rebentou pelo meio, e todas as suas entranhas se derramaram” (At 1.18). Cristo já o tinha alertado, “ai daquele homem por quem o Filho do Homem é traído!” (Mc 14.21), porém, Judas não resistiu ao Diabo nem teve a humildade para buscar o perdão do Senhor. Ele preferiu o suicídio a corrigir o erro. Em nossos dias, a banalização da vida e da fé tem contribuído para comportamentos similares e consequente queda espiritual de pessoas.

3. O suicídio no mundo. Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS) as mortes por suicídio aumentaram 60% nas últimas cinco décadas. Quase um milhão de pessoas tiram a própria vida todos os anos e cerca de outros vinte milhões tentam ou pensam em suicídio. Para cada suicídio, cerca de seis a dez outras pessoas são diretamente afetadas. Na maioria dos países desenvolvidos, o suicídio é a primeira causa de morte não natural. Desde 2015, as autoridades iniciaram o movimento “setembro amarelo”, que é estimulado pela Associação Internacional pela Prevenção do Suicídio (IASP). O movimento consiste em sinalizar locais públicos com faixas ou símbolos amarelos.

 

 

SÍNTESE DO TÓPICO (I)

 

O suicídio aparece nas Escrituras Sagradas e reflete-se no mundo de hoje.

 

 

SUBSÍDIO DIDÁTICO

 

Pesquise notícias em revistas ou jornais sobre pessoas famosas que suicidaram-se. Leve esses recortes para a sala de aula. Após introduzir o primeiro tópico, apresente as reportagens. Mas antes, elabore algumas perguntas — tais como: O que faz uma pessoa famosa tirar a própria vida? Por que pessoas que aparentemente não têm falta de nada tiram a própria vida? — para serem feitas após a apresentação da reportagem. Dirija essas perguntas à classe e aguarde as respostas. Conclua a atividade mostrando que as circunstâncias do cotidiano da vida muitas vezes mascara o que realmente as pessoas estão vivendo. Encerre lendo o trecho bíblico que diz: “Pois que aproveitaria ao homem ganhar todo o mundo e perder a sua alma? Ou que daria o homem pelo resgate da sua alma?” (Mc 8.36,37).

 

CONHEÇA MAIS

 

 

Lançando a ansiedade sobre Cristo

“A Bíblia manda lançar todas as ansiedades sobre o Senhor e não na morte (1Jo 1.7; 1Pe 5.7). A Palavra de Deus nos incentiva a exercitar a fé, colocando sobre Deus os nossos cuidados, ansiedades e sofrimentos. Diz a Palavra: ‘Verdadeiramente, ele tomou sobre si as nossas enfermidades e as nossas dores levou sobre si...’ (Is 53.4a — ênfase minha). Cristo levou nossas dores sobre si. Isso nos dá o conforto e a segurança de que, pela fé, nossas dores foram Lançadas sobre Ele”. Para conhecer mais leia Ética Cristã: Confrontando as Questões Morais do Nosso Tempo, CPAD, p.145.

 

 

II. TIPOS DE SUICÍDIOS

 

Os tipos de suicídio podem ser classificados em convencional, pessoal e sacrificial. Neste tópico veremos suas principais implicações.

1. Suicídio convencional. Dá-se o nome de “convencional” ao suicídio provocado pela tradição cultural ou coerção do grupo social. Entre os esquimós, por exemplo, é tolerado e esperado o suicídio de incapacitados e idosos. No Japão a prática do hara-kiri expressava o orgulho do suicida em escapar de alguma situação intolerável e era visto como um ato de nobreza. Em maio de 2007, ao ser investigado por corrupção, o Ministro da Agricultura do Japão sentiu-se extremamente envergonhado e cometeu o suicídio por enforcamento. Em 2014, a taxa média de suicídios no Japão era de 70 pessoas por dia. Especialistas costumam citar a antiga tradição de “suicídio em nome da honra” para explicar que razões culturais tornaram os japoneses mais propensos à morte autoinfligida.

2. Suicídio pessoal. Praticado por iniciativa individual, sem a influência de tradição cultural. As motivações para este tipo de suicídio são variadas e muitas vezes não é possível apontar causas aparentes. Contudo, o suicídio é considerado uma fuga radical e permanente dos problemas da vida, tais como dificuldades financeiras, desilusões amorosas, sentimentos de culpa, depressão, neuroses, desequilíbrios mentais e espirituais, e outros. Tais pessoas, desprovidas de fé e de esperança, em um ato de desespero atentam contra a própria vida. Dados oficiais indicam que 32 brasileiros cometem suicídio a cada dia. Esse índice é superior as mortes causadas pela AIDS e pela maior parte dos tipos de câncer.

3. “Suicídio” sacrificial. Também conhecido como “morte em prol dos outros”. Trata-se da tentativa altruísta de alguém salvar a vida alheia em detrimento da sua própria. Neste caso enquadra-se o bombeiro, que ao entrar no fogo, acaba morrendo como resultado de sua ação ou o salva-vidas que se afoga ao entrar na água para salvar o outro. Também o profissional ou voluntário que perde a vida combatendo o crime ou socorrendo as vítimas de acidentes e de emergências. Nessas circunstâncias, a morte de quem arrisca a vida em favor do próximo não é suicídio, mas um ato de amor. Cristo disse que ninguém tem maior amor do que este: “de dar alguém a sua vida pelos seus amigos” (Jo 15.13). O próprio Senhor entregou a vida dEle por nós por meio de um sacrifício amoroso (Jo 10.15).

 

 

SÍNTESE DO TÓPICO (II)

 

Os tipos de suicídios podem ser denominados “convencional”, “pessoal” e “sacrificial”.

 

 

SUBSÍDIO TEOLÓGICO

 

“O suicídio de Abimeleque. A história de Abimeleque, que viveu nos inícios do século XIII a.C, ilustra muito bem a natureza ilusória, egoísta e perversa do suicídio. Filho bastardo de Gideão, insurge-se logo após a morte do pai. Já em Ofra, com a ajuda de uns homens levianos e maus, mata traiçoeiramente seus irmãos (Jz 9.5). O único a escapar foi Jotão que, para denunciar o cruel assassino, profere um lindíssimo apólogo. Em seguida, Abimeleque sai a arrebanhar os israelitas, a fim de fazer-se rei daquelas terras. Não demorou muito e, agora, erguia-se como um dos maiores vilões das crónicas hebreias.

Apesar de alguns sucessos iniciais, seus empreendimentos começam a malograr. Pouco a pouco, vai perdendo o apoio do povo que, alertado pela fábula de Jotão, revolta-se e expõe-lhe a tirania. Assim, vê-se obrigado a travar algumas batalhas desgastantes e renhidas que, dia a dia, vão desprotegendo-o. Ao sitiar a cidade de Tebes, que ficava na região de Manassés, ‘certa mulher lançou uma pedra superior de moinho sobre a cabeça de Abimeleque e lhe quebrou o crânio’ (Jz 9.53). Gravemente ferido, mas ainda orgulhoso e soberbo, ordena ao escudeiro: ‘Desembainha a tua espada e mata-me, para que não se diga de mim: Mulher o matou’. O seu companheiro de guerra não lhe questiona a ordem nem levanta questão ética alguma. Antes, ‘o moço o atravessou, e ele morreu’ (Jz 9.54). Com sua morte, a nação de Israel é novamente pacificada.

Na conclusão da história, somos obrigados a perguntar: Por que Abimeleque requereu a eutanásia [ou suicídio]? O motivo ele mesmo o declara: ‘Para que não se diga: Mulher o matou’. Ele não procurou fugir à dor, mas escapar à vergonha. Não matara ele tantos homens? Por que morrer, agora, às mãos de uma mulher? Portanto, a morte ser-lhe-ia boa e até suave não por que o livraria da dor, mas por que o libertaria da ignomínia. Parte dos que defendem a eutanásia não temem propriamente os desconfortos e as aflições de uma morte lenta e excruciante; o que mais os assusta é depender dos que, até então, deles dependiam” (ANDRADE, Claudionor de. As Novas Fronteiras da Ética Cristã. 1ª Edição. RJ: CPAD, 2017, pp.114,15).

 

 

III. O POSICIONAMENTO CRISTÃO PARA O SUICÍDIO

 

A posição teológica e a ética do cristão são desfavoráveis à prática do suicídio por afrontar a soberania divina.

1. O posicionamento teológico. O cristão se posiciona contra o suicídio fundamentado no sexto mandamento do Decálogo: “Não matarás” (Êx 20.13). O princípio que proíbe o homem de assassinar o outro, também o proíbe de “assassinar” a si mesmo. A vida humana é uma dádiva divina e, portanto, pertence a Deus (Sl 100.3). O Criador é quem determina o início e o término da vida, não a criatura (Ec 3.2). É Deus quem estabelece quando e como a vida deve cessar, seja por doença, velhice ou acidente. Por conseguinte, o fim da vida está sob a presciência e soberania divina.

2. O posicionamento ético. A posição da Ética Cristã é contrária ao suicídio pelos seguintes e principais motivos: a) o suicídio implica banalizar a vida e afrontar a soberania divina; b) o suicida viola o mandamento de amar “o próximo como a si mesmo”; c) o suicídio é um ato egoísta de quem pensa em aliviar seu sofrimento sem se importar com os outros; d) suicidar-se denota inversão dos valores da vida e falta de confiança em Deus; e) o suicídio é um gesto de ingratidão que interrompe o ciclo e a missão da vida outorgada por Deus. Mercê dessa posição a igreja precisa ajudar as pessoas a não sucumbirem diante desse mal.

 

 

SÍNTESE DO TÓPICO (III)

 

O posicionamento do cristão diante do suicídio tem um aspecto teológico e outro ético.

 

 

SUBSÍDIO DIDÁTICO

 

Professor (a), exponha o aspecto teológico e ético das implicações do suicídio deixando claro que não é a vontade do Pai que tal mal suceda à pessoa e sua família. Como igreja de Deus, somos convocados a militar pela vida. Levar esperança às pessoas angustiadas é a missão do seguidor de Jesus. Deixe claro que vivemos num mundo onde as pessoas estão cada vez mais vazias: só Cristo pode preencher esse vazio. Proclamemos a salvação de Jesus Cristo.

 

 

CONCLUSÃO

 

O aumento do suicídio é resultado da ideologia que enaltece a criatura em lugar do Criador. Quando o homem evoca autonomia sobre o próprio corpo e a vida, desprezando e afrontando a soberania divina, graves e funestas consequências ocorrem. Ávida só tem sentido quando está sob o controle irrestrito de seu Criador (Is 41.13).

 

PARA REFLETIR

 

A respeito do tema “Ética Cristã e Suicídio”, responda:

 

Cite ao menos, dois casos de suicídio no Antigo Testamento e explique o porquêdo caso de Sansão não ser considerado suicídio.

O caso de Saul e o caso de Aitofel. Decidido a cumprir sua missão, na festa a Dagon, derrubou o templo sobre si e seus inimigos (Jz 16.30). Entretanto, esta ação é vista como sacrifício de guerra e não suicídio. Por isso, Sansão aparece na lista dos heróis da fé (Hb 11.32-34).

 

Quais foram as motivações de Judas em entregar Jesus?

Sua ambição por dinheiro foi uma das motivações para entregar Jesus (Mc 14.11).

 

Mencione os três tipos de suicídios classificados oficialmente.

Suicídio convencional, pessoal e sacrificial.

 

Qual deve ser o posicionamento teológico do cristão em relação ao suicídio?

O cristão se posiciona contra o suicídio fundamentado no sexto mandamento do Decálogo: “Não matarás” (Êx 20.13).

 

Qual deve ser o posicionamento ético do cristão em relação ao suicídio?

A posição da Ética Cristã é contrária ao suicídio pelos seguintes e principais motivos: a) banalização da vida; b) violação do mandamento do amor; c) um ato egoísta; d) falta de confiança em Deus; e) um gesto de ingratidão.

 

SUBSÍDIOS ENSINADOR CRISTÃO

 

Ética Cristã e suicídio

 

O suicídio é um drama no mundo. Muitos casos são potencializados por causa das crises de depressão profunda. Há um relato de suicídio muito triste de uma famosa escritora inglesa, Virginia Woolf (1882-1941). Seu estilo literário é considerado influente sobre a também conhecida escritora brasileira Clarice Lispector. Obras marcantes de Virgínia são “Orlando”, “As Ondas”, “Mrs. Dalloway” e uma que este articulista aprecia muito, “Cenas Londrinas”, dentre outras. Virgínia sofreu muito com períodos de crises depressivas. Na época, não se tinha fármacos tão eficientes em relação à doença. No momento de crise, a escritora sentia dores de cabeça alucinantes indo à exaustão física. Até que um dia, não mais suportando o sofrimento, Virginia Woolf tirou a própria vida colocando pedras em seu casaco, caminhando e afogando-se no Rio Ouse, perto de sua residência.

O exemplo mencionado acima pode ser classificado como “suicídio pessoal”, quando a pessoa individualmente desiste de viver. São muitos os casos de indivíduos que se encontram nessa situação. De acordo com o jornalista André Trigueiro, na obra “Viver é a melhor opção — A prevenção do suicídio no Brasil e no mundo”, foi realizado um mapeamento de milhares de pessoas de várias partes do mundo, que tinham em comum em seus óbitos o suicídio. Em 90% dos casos foi constatado que as pessoas que praticaram o suicídio tinham histórico de alguma patologia mental, especialmente o transtorno de humor, conhecido como depressão, esquizofrenia, bipolaridade e outras, que poderiam ser perfeitamente tratadas. É uma amostragem chocante. Significa que 90% dos casos do suicídio poderiam ser revertidos. Além do livro, há vários vídeos do jornalista André Trigueiro sobre o assunto no Youtube. Outra obra que pode ajudar muito a conhecer a implicação das doenças psíquicas na vida é a clássica “O demônio do meio-dia: uma anatomia da depressão”, do jornalista Andrew Solomon. É uma descrição realista a cerca do domínio da depressão sobre a psiquê humana.

Diante desse quadro grave, o suicídio deve ser tratado com muita seriedade. Por isso, estude bem o assunto. Mencione a questão médica da depressão e a sua relação com o suicídio. Então, mostre a posição teológica e ética da Igreja de Cristo. E aproveite a oportunidade para propor ações de prevenção a favor da vida, junto à classe. Boa aula!