Lições Bíblicas CPAD

Jovens e Adultos

 

 

3º Trimestre de 1998

 

Título: Escatologia — O estudo das últimas coisas

Comentarista: Elienai Cabral

 

 

Lição 12: Os gentios na Grande Tribulação

Data: 20 de Setembro de 1998

 

TEXTO ÁUREO

 

E Jerusalém será pisada pelos gentios, até que os tempos dos gentios se completem(Lc 21.24).

 

VERDADE PRÁTICA

 

Os tempos dos gentios se completarão na Grande Tribulação, porém, a Igreja não estará na Terra nesse período.

 

LEITURA DIÁRIA

 

Segunda - Dn 2.33,34,44; 7.7,8,24,25; Ap 13.3,7; 17.12,13

A formação de uma confederação de nações gentílicas

 

 

Terça - Ap 13.1-8; 17.8,13; 2Ts 2.3-9; 1 Jo 2.18; Dn 7.24,25

O surgimento do Anticristo, a Besta

 

 

Quarta - Ap 13.11-18

O surgimento do Falso Profeta

 

 

Quinta - Sl 2.1-10; Is 63.1-6; Jl 3.2-16; Sf 3.8; Zc 14.1-3

O juízo das nações gentílicas

 

 

Sexta - Mt 25.41

As nações gentílicas opostas não escaparão ao Lago de Fogo

 

 

Sábado - Dn 2.34,35,44; Ap 19.11,21

A destruição do poder mundial dos gentios pela pedra cortada do monte

 

LEITURA BÍBLICA EM CLASSE

 

Mateus 24.15,21; Daniel 2.40-44; 7.24,25.

 

Mateus 24

15 — Quando, pois, virdes que a abominação da desolação, de que falou o profeta Daniel, está no lugar santo (quem lê, que entenda).

21 — porque haverá, então, grande aflição, como nunca houve desde o princípio do mundo até agora, nem tampouco haverá jamais.

 

Daniel 2

40 — E o quarto reino será forte como ferro; pois, como o ferro esmiúça e quebra tudo, como o ferro quebra todas as coisas, ele esmiuçará e quebrantará.

41 — E, quanto ao que viste dos pés e dos artelhos, em parte de barro de oleiro e em parte de ferro, isso será um reino dividido; contudo, haverá nele alguma coisa da firmeza do ferro, pois que viste o ferro misturado com barro de lodo.

42 — E, como os artelhos eram em parte de ferro e em parte de barro, assim por uma parte o reino será forte e por outra será frágil.

43 — Quanto ao que viste do ferro misturado com o barro de lodo, misturar-se-ão com semente humana, mas não se ligarão um ao outro, assim como o ferro se não mistura com o barro.

44 — Mas, nos dias desses reis, o Deus do céu levantará um reino que não será jamais destruído; e esse reino não passará a outro povo; esmiuçará e consumirá todos esses reinos e será estabelecido para sempre.

 

Daniel 7

24 — E, quanto às dez pontas, daquele mesmo reino se levantarão dez reis; e depois deles se levantará outro, o qual será diferente dos primeiros e abaterá a três reis.

25 — E proferirá palavras contra o Altíssimo, e destruirá os santos do Altíssimo, e cuidará em mudar os tempos e a lei; e eles serão entregues nas suas mãos por um tempo, e tempos, e metade de um tempo.

 

PONTO DE CONTATO

 

Se Deus comunicou a existência dos principais impérios muito antes de sua chegada, é porque desejava que o Seu povo tomasse conhecimento disso, apontava para o Seu reino eterno. Vemos nestes capítulos estudados o poder e a fidelidade de Deus no cumprimento das profecias. Algumas, não se realizaram ainda na sua plenitude. Porém, somos desafiados a estudá-las, tanto as passadas quanto as que estão para se cumprir, sabendo que a chegada dos governos futuros é certa, pois foram vaticinados por Deus.

 

OBJETIVOS

 

Após esta aula, o aluno deverá estar apto a:

  • Explicar através das profecias de Daniel 2 e 7 os impérios que já existiram.
  • Identificar em Daniel 7 qual o império que ainda não teve seu cumprimento.
  • Entender a fidelidade de Deus ao estudar o cumprimento das profecias.
  • Reconhecer o poder de Deus sobre todos os reinos da Terra.

 

SÍNTESE TEXTUAL

 

Deus mostra através de Seu servo Daniel, os principais governos futuros. Alguns já tiveram o seu cumprimento, porém, outros estão ainda para se cumprir. Estes governos são comunicados por Deus através de figuras da esfera inanimada, ou seja, materiais como ouro, prata, bronze, ferro e barro, e por seres animados descritos no capítulo 7, que são representados por animais estranhos.

 

ORIENTAÇÃO DIDÁTICA

 

Para, principalmente, levar os alunos a compreender os desígnios de Deus com relação aos reinos deste mundo, apresente uma reflexão em Romanos 13.1. Dê cinco minutos para que discutam com o colega ao lado. Após a reflexão peça que relatem suas conclusões. Você poderá encontrar orientações complementares na Bíblia de Estudo Pentecostal, no texto de rodapé referente a este versículo. Conclua o assunto mostrando que Deus sabia quem reinaria e como seriam os reinados, mesmo antes de existirem. Mostre que ainda falta o cumprimento de um governo que se estabelecerá durante a Grande Tribulação. Neste período a Igreja terá sido arrebatada por Jesus. Por isso, estará livre deste governo iníquo. Inicie agora o comentário sobre cada tópico da lição.

 

COMENTÁRIO

 

introdução

 

Na lição anterior estudamos sobre o povo de Israel em relação à Grande Tribulação. Nesta, estudaremos sobre os gentios (povos não-judeus) em relação ao mesmo evento. Os povos gentios têm um papel preponderante na Grande Tribulação, por permissão de Deus, porque fazem parte de um programa divino que há de cumprir-se naquele período.

 

I. OS TEMPOS DOS GENTIOS (Lc 21.24)

 

1. Que são os tempos dos gentios. O texto de Lucas refere-se a um período especial no qual Jerusalém será pisada pelos gentios.

2. A duração dos tempos dos gentios. Esse período (não o da Grande Tribulação) teve seu início quando uma parte de Israel foi levada de sua terra para o cativeiro na Babilônia em 586 a.C. (2 Cr 36.1-21; Dn 1.1,2) e só terminará quando Cristo voltar para governar sobre todo o mundo, e assumir o trono de Davi (Lc 1.31,32).

 

II. O CURSO DOS TEMPOS DOS GENTIOS

 

Duas revelações paralelas no livro de Daniel nos dão a descrição completa desse período.

1. O paralelo entre os capítulos 2 e 7 de Daniel. No capítulo 2 a visão foi dada a um rei pagão, Nabucodonozor e, no capítulo 7, a visão foi dada a um servo de Deus, o profeta Daniel.

A Nabucodonozor Deus revelou o lado político dos reinos gentios representados na grande estátua. A Daniel, Deus revelou o lado moral e espiritual desses reinos representados pelos “quatro animais”. A história política havia sido mostrada a Nabucodonozor, mas a história espiritual foi mostrada a Daniel.

Notemos ainda o seguinte: No capítulo 2, as figuras representadas são tomadas da esfera inanimada, materiais como ouro, prata, bronze, ferro e barro. No capítulo 7, as figuras são representadas por seres animados, aqueles animais estranhos.

2. Os quatro ventos e o Mar Grande (Dn 7.2).

a) os quatro ventos. Simbolizam os poderes celestiais que movimentam o mundo nos seus quatro pontos cardeais. São ventos que agitam as nações do mundo nos seus quatro cantos e, podem representar as grandes comoções políticas, conflitos sociais e mudanças climáticas. São poderes usados por Deus para agitar a humanidade. São específicos. Obedecem e cumprem fielmente sua missão, agitando geologicamente mares, rios e a terra com seus vulcões. Açoitam a Terra varrendo os continentes, e também sopram brandamente sobre a Terra, avisando-a de possíveis catástrofes.

b) O Mar Grande. Duas correntes de interpretação têm sido apresentadas por vários estudiosos. Uns interpretam o Mar Grande como representando toda a humanidade, e não se refere a nenhum mar em particular. No entanto, esse não é outro, senão o mar Mediterrâneo, uma vez que, os quatro reinos mundiais (Babilônia, Medo-Persa, Grécia e Roma) surgem junto dele.

A palavra “mar” na linguagem escatológica sempre representa as nações gentílicas (Is 17.12,13). O ressurgimento do antigo Império Romano é identificado geograficamente na Bíblia como sendo junto ao Mar Grande, que é o Mediterrâneo. O animal terrível e espantoso de Daniel 7.3, que representa o Império Romano, saía do Mar Grande.

 

III. O PODER DOS GENTIOS (Dn 7.3-8)

 

1. O leão com asas de águia (v.4). Assim como a cabeça de ouro da estátua do capítulo 2 representa o reino da Babilônia, também o leão na visão de Daniel (Dn 2.37,38). No mundo animal o leão é o rei dos animais, por isso, Nabucodonozor destacou-se como o leão, pela sua riqueza e imponência. Era um leão com asas de águia. A águia é uma ave solitária e rainha dos ares, e indica conquista em extensão territorial. Dn 7.4 diz que, depois, “foram-lhe arrancadas as asas” para indicar a queda do poderio desse rei diante do poder de Deus (Dn 4.24,25,32-37).

2. O urso destruidor (v.5). Representa o império medo-persa, seqüente, que derrotou a Babilônia, e na visão do capítulo 2 é representado pelo peito e os braços de prata (Dn 2.39). Diz o texto que o urso surgiu com três costelas entre os dentes. Isto indica que dominou sem reservas as nações à sua frente. O texto de Dn 2 esclarece melhor esse fato pois os braços da estátua indicam mais especificamente a aliança da Média e da Pérsia. Daí o reino medo-persa, conhecido pelos reis que o governaram, Ciro, o persa (Dn 10.1) e Dario, o medo (Dn 11.1).

3. O leopardo altivo (v.6). Animal de indescritível rapidez que representa o império grego, em paralelo com o ventre e as coxas de cobre (ou bronze) da estátua de Dn 2.32. Esse leopardo, dada a sua rapidez conquistou o mundo velozmente, a saber: Alexandre, o Grande. O animal tinha quatro asas (Dn 7.6) denotando o seu rápido progresso em apenas 12 anos. Tinha, também, quatro cabeças que tipificam as quatro divisões do império grego logo depois da morte de Alexandre, o seu conquistador.

4. O animal terrível e espantoso (v.7). A característica principal desse animal é o fato de não haver nele nada comparável no mundo animal. Era, de fato, incomparável em força e presença e representa o Império Romano. No capítulo 2, esse império é representado pelas pernas de ferro e os pés com mistura de ferro e barro (Dn 2.33,41). O animal se destaca pela força bruta e dureza típica do ferro, metal que o representa. Na história mundial, esses quatro impérios foram fortes e tiveram seu final com o quarto que foi o romano. Entretanto, a profecia sobre esse último império indica seu ressurgimento no futuro, especialmente no período da Grande Tribulação.

 

IV. O FIM DO PODER MUNDIAL DOS GENTIOS

 

1. A forma política e material do poder gentio. É destacada especialmente nos dez dedos com barro e ferro (Dn 2.41,42). O fim do poder gentio está marcado pela divisão. Por isso, a ênfase nos dez dedos dos pés da estátua, o que caracteriza a fragilidade e força, autocracia e democracia do quarto reino, o romano, uma confederação simbolizada pelo ferro e o barro. Essa mistura não é natural porque se constitui de elementos soltos, ainda que juntos. Não há muita consistência. Ferro e barro se juntam, mas não se misturam.

Outra verdade acerca da forma final do poder gentio é a indicação de uma ação futura, profética, algo que ainda não aconteceu (a pedra cortada do monte) marcará o fim desse império, nos dias da Grande Tribulação (Dn 2.45).

2. Visão espiritual do poder dos gentios. No capítulo 2, a forma final do poder dos gentios é demonstrada pela união de dez reis e seus reinos. Em Daniel 7.7, o destaque é o animal que aparece com dez chifres sobre a cabeça. Esses chifres indicam, também, a confederação de dez reis (nações gentílicas) para a formação do quarto grande reino mundial (Dn 7.24).

3. O líder que surgirá do poder gentio (Dn 7.8). Dentre os dez reinos (dez chifres) surgirá o líder (o chifre pequeno) que se levantará e se manifestará como “o homem da perdição”, ou “Anticristo”, o qual blasfemará contra o Altíssimo até que lhe venha o juízo (Dn 7.25). Na verdade, na segunda metade da “semana” predita (Dn 9.27), esse “chifre pequeno”, o Anticristo, assumirá a direção política dos reinos dos “dez chifres”, (dez dedos da estátua), e infligirá sobre Israel grande perseguição (Ap 17.12,13).

Sua influência será mundial, pois conquistará o apoio das nações do mundo inteiro contra Israel. Mas ao final, esse chifre pequeno será destruído. O poder mundial dos gentios representado na estátua do capítulo 2, será detonado pela “pedra cortada do monte sem mãos” (Dn 2.34,35; 7.26,27). Tudo isso acontecerá exatamente em três anos e meio, ou seja, no período de “um tempo (1 ano), dois tempos (2 anos) e metade de um tempo (meio ano)”. Podem ser, também, o período de 42 meses iguais a 1.260 dias, conforme o calendário judaico (Dn 9.27; 12.7; Ap 12.14). Todas essas cifras correspondem a um mesmo período, a Grande Tribulação, que só se findará com a vinda do Filho do Homem, Jesus Cristo (Dn 7.13,14).

 

CONCLUSÃO

 

Só com a intervenção divina que ocorrerá com a vinda pessoal de Cristo sobre a terra da Palestina (Zc 14.1-4), o poder mundial dos gentios e o seu domínio sobre Israel serão derrotados.

 

VOCABULÁRIO

 

Apostasia: Abandono premeditado da fé cristã.
Autocracia: Governo de um príncipe, com poderes ilimitados e absolutos.
Confederação: Reunião de diferentes Estados que, embora conservando a respectiva autonomia, formam um só, reconhecendo um governo comum.
Democracia: Governo do povo; soberania popular.
Desígnios: Intento, intenção, plano, projeto, propósito.
Subumana: Que está abaixo do nível humano.

 

EXERCÍCIOS

 

1. Como podemos explicar a expressão “tempos dos gentios”?

R. O texto de Lucas refere-se a um período especial no qual Jerusalém será pisada pelos gentios.

 

2. Qual a duração dos tempos dos gentios?

R. Esse período teve seu início quando uma parte de Israel foi exilada da sua terra para cativeiro na Babilônia em 586 a.C. e só terminará quando Cristo voltar para governar sobre todo o mundo e assumir o trono de Davi.

 

3. O que indicam os quatro animais da visão de Daniel?

R. A degradação espiritual do homem guiado por impulsos cegos, por causa da incredulidade e distanciamento de Deus.

 

4. E os quatro ventos?

R. Simbolizam os poderes celestiais que movimentam o mundo nos seus quatro pontos cardeais.

 

5. De acordo com a profecia de Daniel, qual dos reinos ressurgirá no futuro, no período da Grande Tribulação?

R. O império Romano.

 

AUXÍLIOS SUPLEMENTARES

 

Subsídio Doutrinário

 

Em 1968 foi fundado em Roma o chamado Clube de Roma, sendo seus membros desde então, personalidades de gabarito reconhecidamente mundial, na política, na economia, nas ciências e na educação. O objetivo fundamental do clube é estudar o futuro da raça humana, considerando o seu passado e o seu presente, para planejar o seu futuro. Uma das conclusões a que chegou o clube, há poucos anos, é a de que a humanidade necessita urgentemente de um governo único e centralizado para resolver seus problemas e suprir suas necessidades.

Aqui está mais uma indicação da iminência do surgimento do super-homem de Satanás — a Besta, que presidirá a confederação de nações que espelhamos na parte anterior. Talvez este homem já esteja aí, camuflado, aguardando apenas o momento de manifestar-se, o que ele está impedido de fazer enquanto a Igreja do Senhor permanecer aqui. (Ler 2 Tessalonicenses 2.7,8.) O ‘ministério da iniqüidade’ aí mencionado é o diabólico princípio oculto da rebelião contra Deus e contra a autoridade constituída, a qual vem dele. Esta diabólica ação secreta, subterrânea, vem operando desde o princípio do mundo, porém neste tempo do fim não haverá restrição para sua total manifestação e operação. O rapto da Igreja ocorrerá antes dessa manifestação pública do Anticristo. Depois disso o pecado não conhecerá limites.

O Anticristo será um homem personificando o Diabo, porém, apresentando-se como se fosse Deus. ‘Este rei fará segundo a sua vontade, e se levantará e se engrandecerá sobre todo o deus; e contra o Deus dos deuses; falará coisas incríveis, e será próspero, até que se cumpra a indignação; porque aquilo que está determinado será feito’ (Dn 11.26). ‘Ninguém de nenhum modo vos engane, porque isto não acontecerá sem que primeiro venha a apostasia, e seja revelado o homem da iniqüidade, o filho da perdição, o qual se opõe e se levanta contra tudo que se chama Deus, ou objeto de culto, a ponto de assentar-se no santuário de Deus, ostentando-se como se fosse o próprio Deus’ (2Ts 2.3,4). (O Calendário da Profecia, CPAD)

 

 

Subsídio Teológico

 

O comentário sobre os versículos 10 e 11 do capítulo 17 no livro Daniel e Apocalipse (CPAD), diz o seguinte:

“Daniel 7.24 diz: ‘dez reis que se levantarão daquele mesmo reino’. É pois uma forma daquele antigo império. É claro que não poderá ser o mesmo, porque aquele era regido por um único soberano, e o futuro sê-lo-á por dez reis com suas dez capitais. Eles formarão uma confederação de nações durante a Grande Tribulação. Dizemos confederação porque num pé os dedos são ligados (Dn 2.42). Com a formação desses dez estados estará pronto o palco para a formação do reino do Anticristo—o oitavo rei (v.11). A área geográfica desses dez reinos é a mesma do antigo Império Romano, isto é, parte da Europa, parte da Ásia e parte da África (Ver um mapa do antigo Império Romano)”.