Lições Bíblicas CPAD

Jovens e Adultos

 

 

2º Trimestre de 2000

 

Título: Os ensinos de Jesus para o homem atual

Comentarista: Elinaldo Renovato de Lima

 

 

Lição 12: Jesus e a Igreja

Data: 18 de Junho de 2000

 

TEXTO ÁUREO

 

Pois também eu te digo que tu és Pedro e sobre esta pedra edificarei a minha igreja, e as portas do inferno não prevalecerão contra ela(Mt 16.18).

 

VERDADE PRÁTICA

 

A Igreja de nosso Senhor Jesus Cristo é a única instituição, na terra, que está predestinada por Deus ao sucesso total.

 

LEITURA DIÁRIA

 

Segunda - At 2.47

A Igreja reúne os salvos

 

 

Terça - At 8.1

A Igreja sofre perseguição

 

 

Quarta - At 11.22

A igreja local

 

 

Quinta - At 12.5

A igreja em oração

 

 

Sexta - At 14.23

A liderança da igreja local

 

 

Sábado - Rm 16.5

A Igreja no lar

 

LEITURA BÍBLICA EM CLASSE

 

Mateus 16.18-19; 18.15-20.

 

Mateus 16

18 - Pois também eu te digo que tu és Pedro e sobre esta pedra edificarei a minha igreja, e as portas do inferno não prevalecerão contra ela.

19 - E eu te darei as chaves do Reino dos céus, e tudo o que ligares na terra será ligado nos céus, e tudo o que desligares na terra será desligado nos céus.

 

Mateus 18

15 - Ora, se teu irmão pecar contra ti, vai e repreende-o entre ti e ele só; se te ouvir, ganhaste a teu irmão.

16 - Mas, se não te ouvir, leva ainda contigo um ou dois, para que, pela boca de duas ou três testemunhas, toda palavra seja confirmada.

17 - E, se não as escutar, dize-o à igreja; e, se também não escutar a igreja, considera-o como um gentio e publicano.

18 - Em verdade vos digo que tudo o que ligardes na terra será ligado no céu, e tudo o que desligardes na terra será desligado no céu.

19 - Também vos digo que, se dois de vós concordarem na terra acerca de qualquer coisa que pedirem, isso lhes será feito por meu Pai, que está nos céus.

20 - Porque onde estiverem dois ou três reunidos em meu nome, aí estou eu no meio deles.

 

PONTO DE CONTATO

 

Qual é a identidade da verdadeira Igreja apresentada por Jesus? Quais suas principais características? Quem é seu fundador? A verdadeira Igreja do Senhor não conhece outro legislador além de Cristo e descobre que seu gozo mais elevado na terra consiste em saber sua vontade e fazê-la. Sua maior glória no futuro será tornar-se semelhante a seu Senhor (1 Jo 3.1-3). Vestida da justiça de Cristo, cheia de seu amor, revestida de seu Espírito e cumprindo sua vontade, a Igreja eleva os seus olhos ao céu, esperando a volta daquEle a quem ama (1 Ts 1.9,10).

Foi com referência a esta solene assembleia que Jesus disse: “Edificarei a minha Igreja, e as portas do inferno não prevalecerão contra ela”.

 

OBJETIVOS

 

Após esta aula, o aluno deverá estar apto a:

  • Definir a palavra “igreja”.
  • Refutar a teoria romanista que afirma ser Pedro o fundamento da Igreja.
  • Demonstrar que a Igreja está edificada unicamente sobre Cristo, a Rocha inabalável.
  • Reconhecer que a “multiforme sabedoria” de Deus é revelada ao mundo através da Igreja.

 

SÍNTESE TEXTUAL

 

A Igreja de Cristo tem três significados nas Escrituras: instituição, organização e comunhão espiritual.

A Igreja de Cristo como instituição explica a sua natureza. A Igreja como organização é a convocação visível num local, de crentes regenerados, salvos, pela graça de Deus, mediante a fé em Cristo crucificado e ressurreto, na comunhão do Espírito Santo e batizados num só corpo. A Igreja como uma comunhão espiritual, chamada Igreja em glória ou Igreja dos primogênitos, não é uma organização, mas um corpo místico, uma comunhão no Espírito. É a Igreja gloriosa, sem mácula e sem ruga; é a Igreja que existe através dos séculos, na terra e no céu, onde não existe barreira de raças e nações, e que se congregará ao redor do Trono de Deus.

 

ORIENTAÇÃO DIDÁTICA

 

Várias interpretações se têm dado ao vocábulo “pedra” registrado no versículo 18 do cap. 16 de Mateus.

Os romanistas, por exemplo, costumam afirmar que a pedra é o próprio Pedro, sobre o qual é edificada a Igreja de Cristo. O Novo Testamento se opõe a esse gravíssimo erro. Pedro é apenas uma das pedras do fundamento. Jesus é a Rocha e Pedra de esquina do Cristianismo.

Para enriquecer e tornar ainda mais claro o comentário do tópico II da lição sobre esse assunto, escreva no quadro de giz os pontos abaixo e comente-os com a classe.

1) Pedro é a pedra representativa, porque outros apóstolos também o são.

2) Os apóstolos e profetas são fundamentos (1 Co 3.10; Ef 2.19; Ap 21.14).

3) Todos os cristãos são “pedras vivas” (1 Pe 2.4-8)

4) Pedro apenas é um líder proeminente entre os apóstolos (Mt 18.1; Lc 22.24).

5) Pedro foi mandado, enviado por outros apóstolos, e obedeceu (At 8.14; 11.1-8).

6) Pedro não é vigário de Cristo na terra (1 Pe 5.1-4).

7) O Espírito Santo é o Vigário de Cristo na terra (Jo 14.16,17,26).

 

COMENTÁRIO

 

introdução

 

Nesta lição, estudaremos alguns aspectos importantes em relação à Igreja. Esta instituição, fundada por nosso Senhor Jesus Cristo, é única em todo o mundo, em sua missão, atribuições e ação, em prol da salvação da humanidade. Como “coluna e firmeza da verdade” (1 Tm 3.15), a Igreja congrega a reserva moral e espiritual, inabalável, sobre a terra, a servir de padrão para todos os que nela se firmarem. Que Deus nos ensine a compreender e valorizar mais a Igreja do Senhor.

 

I. CONCEITUAÇÃO DE IGREJA

 

1. Origem da palavra. A palavra igreja vem do grego, ekklesia, significando, literalmente, “os chamados para fora”. Na Grécia antiga, identificava uma “assembleia”, em que um arauto convocava as pessoas para uma reunião, que podia ser realizada ao ar-livre, numa praça, com finalidade religiosa, política ou de outra ordem. Na realidade, tomos tirados “para fora” do mundo e Ele “nos fez assentar nos lugares celestiais, em Cristo Jesus” (Ef 2.6).

2. Conceituação bíblica. No Novo Testamento, encontramos expressões que denotam o significado e missão espiritual da Igreja.

a) “Multiforme sabedoria de Deus” (Ef 3.10). Neste aspecto, a igreja revela ao mundo a sabedoria de Deus, em suas muitas e variadas formas de manifestação. A criação do mundo, do homem, e do universo, bem como suas relações com as coisas criadas são expressões da sabedoria divina (ver Sl 19.1-4; Rm 1.19,20).

b) “Coluna e firmeza da verdade” (1 Tm 3.15). É a única e exclusiva instituição, em todo o mundo, em todos os tempos, que tem credenciais para ser sustentáculo da verdade. As “verdades” dos homens mudam a cada dia. A verdade apresentada pela Igreja é imutável, pois é encarnada no próprio Cristo (vide Jo 14.6).

 

II. O FUNDAMENTO DA IGREJA

 

1. Não é Pedro (Mt 16.15-18). O texto bíblico revela o diálogo entre Jesus e os discípulos, quando estes disseram que certas pessoas o consideravam como João Batista ressurreto, ou Elias, ou Jeremias ou outro dos antigos profetas (ver Mt 14.1,2; Lc 9.7,8; Mc 6.14,15). Jesus lhes perguntou: “E vós, quem dizeis que eu sou?” (v.15). “E Simão Pedro, respondendo, disse: Tu és o Cristo, o Filho do Deus vivo” (v.16). Diante dessa resposta, Jesus disse: “Bem-aventurado és tu, Simão Barjonas, porque não foi carne e sangue quem to revelou, mas meu Pai, que está nos céus. Pois também eu te digo que tu és Pedro e sobre esta pedra edificarei a minha igreja, e as portas do inferno não prevalecerão contra ela” (vv.17,18).

2. A pedra é Cristo. Na resposta de Jesus (v.18), podemos ver que Ele próprio é a pedra sobre a qual a Igreja está assentada. Quando Ele disse: “Tu és Pedro”, usou a palavra petros que quer dizer “pedrinha” ou “fragmento de pedra”, que pode ser removida. De fato, Pedro demonstrou certa fragilidade, em sua personalidade. Numa ocasião, deixou-se usar pelo inimigo (Mc 8.33); num momento crucial, negou Jesus três vezes (Mt 26.69-75). Por isso, quando Jesus disse: “sobre esta pedra edificarei a minha igreja”, Ele utilizou a palavra petra, que tem o significado de rocha inamovível, e não petros que é “fragmento”.

3. A edificação da Igreja. Em Mt 16.18, vemos a promessa da edificação da Igreja sobre o próprio Cristo. Ele é a Rocha. Somente Ele satisfaz essa condição, conforme lemos em 1 Co 3.11; 10.14; Rm 9.33; Mt 21.42; Mc 12.20; Lc 20.17. Sem dúvida, Pedro foi um dos líderes da Igreja primitiva, ao lado de Tiago e de João (At 12.17; 15.13; Gl 2.9). Contudo, não há base bíblica para afirmar que a Igreja teria Pedro como a rocha sobre a qual ela seria edificada. Jesus é o fundamento da Igreja (1 Co 3.11). Se alguém tem dúvida, basta ouvir o que o próprio Pedro disse em 1 Pe 2.4,5; At 4.8,11.

4. As chaves dadas a Pedro. Em sua resposta a Pedro, Jesus disse: “E eu te darei as chaves do Reino dos céus...” (Mt 16.19a.). As “chaves dos céus” são melhor entendidas como o poder e a autoridade para transmitir a mensagem do evangelho. No Dia de Pentecostes, Pedro foi usado por Deus para abrir as portas do Cristianismo aos judeus (At 2.38-42) e aos gentios, na casa de Cornélio (At 10.34-36). Portanto, Pedro não é o porteiro do céu, como pensam os romanistas.

 

III. PRERROGATIVAS DA IGREJA

 

1. O poder de ligar e desligar. “...e tudo o que ligares na terra será ligado nos céus, e tudo o que desligares na terra será desligado nos céus” (Mt 16.19). Trata-se de autoridade dada por Cristo à Igreja, representada ali por Pedro, usado por Deus, e estendida a todos os apóstolos (Mt 18.18; Jo 20.23), no sentido de receber a aceitação de pecadores ao Reino dos céus, ou de desligá-los, mediante a autoridade concedida por Jesus. Esse poder não é absoluto. Só pode ser utilizado de modo legítimo, nos limites estabelecidos pela Palavra de Deus.

2. A autoridade para reconciliar. Jesus mostrou que há quatro passos importantes, para a reconciliação entre irmãos: a) o ofendido deve procurar o irmão: “vai e repreende-o entre ti e ele só” (Mt 18.15a); neste passo, há uma bifurcação; “se te ouvir, ganhaste a teu irmão” (Mt 18.15b); “mas, se não te ouvir”, vem o segundo passo; b) “leva ainda contigo um ou dois, para que pela boca de duas testemunhas toda a palavra seja confirmada” (Mt 16.16); c) “e se não as escutar, dize-o à igreja” (v.17a); d) “e, se também não escutar à igreja, considera-o como um gentio e publicano” (v.17b). Aqui, temos algumas observações. Primeiro, Jesus não mandou o irmão ofendido pedir perdão ao ofensor, como ensina alguém, de modo ingênuo. Segundo, vemos, nesse texto, a autoridade da Igreja para respaldar a reconciliação e para excluir aquele que não quer reconciliar-se.

3. Autoridade da concordância (Mt 18.19,20).

a) “Se dois de vós concordarem na terra”. Esta expressão mostra-nos o valor da união entre os crentes, bem como o valor da oração coletiva, a começar por um grupo de duas pessoas, que resolvem orar a Deus, em nome de Jesus (Jo 14.13), num só pensamento, num só propósito santo. Esse ensino previne contra o egoísmo na adoração. Deus é “Pai nosso”, de todos, e não apenas de cada indivíduo. A oração individual é valiosa (Mt 6.6), mas não exclui a oração coletiva.

b) “Acerca de qualquer coisa que pedirem”. A expressão “qualquer coisa” tem levado muitos a uma interpretação forçada do texto, crendo que o crente pode pedir o que deseja a Deus, tendo este obrigação de atendê-lo. Ocorre que Jesus ensinou algumas condições para o crente ser ouvido. Não é só dois crentes se unirem e pedirem, por exemplo, a morte de um desafeto; ou para ganharem rios de dinheiro; ou para fazerem o casamento de alguém com outrem. É necessário que as pessoas estejam em Cristo, e que sua Palavra esteja nas pessoas (Jo 15.7). É importante lembrar que Deus nos atende se pedirmos algo de acordo com sua vontade (1 Jo 5.14).

c) “Isto será feito por meu Pai que está nos céus”. Conforme dissemos no item anterior, Deus atende o crente que lhe pede algo em nome de Jesus (Jo 14.13), e se tal pedido for da sua vontade (1 Jo 5.14).

d) “Dois ou três” (v.20). Jesus nos garante que podemos ter sua presença, não só nas grandes reuniões, mas em qualquer lugar em que dois ou três crentes estejam em comunhão com Deus e com eles mesmos. Dessa forma, a dimensão da igreja local (At 20.28; 1 Co 1.2) ou universal (Hb 12.23) não depende de grandes números, mas de união e reunião em nome de Jesus.

 

CONCLUSÃO

 

A Igreja de Jesus Cristo, seja no sentido local ou universal, representa os interesses do Reino de Deus, na face da Terra. Sem ela, certamente a humanidade não teria como encontrar o caminho, a verdade e a vida, indispensáveis à salvação dos homens. No sentido espiritual, a Igreja é a noiva do Cordeiro, “igreja gloriosa, sem mácula, nem ruga, nem coisa semelhante, mas santa e irrepreensível” (Ef 5.27). Que nos sintamos felizes e honrados de pertencer à Igreja do Senhor Jesus.

 

VOCABULÁRIO

 

Arauto: Emissário, mensageiro; pregoeiro; núncio.
Bifurcação: Ponto em que alguma coisa se divide em dois ramos, ao modo de uma forquilha.
Crucial: Difícil, árduo, duro; terminante, categórico, decisivo.
Denotar: Significar, exprimir, simbolizar.
Imutável: Não sujeito a mudança.
Inamovível: Que não pode ser removido.
Prerrogativa: Concessão ou vantagem com que se distingue uma pessoa ou uma corporação; privilégio, regalia.
Prevalecer: Ter mais valor; levar vantagem; preponderar, predominar.
Respaldar: Dar respaldo ou cobertura a; apoiar, amparar.
Sustentáculo: Aquilo que sustenta ou sustém; base, suporte, amparo, apoio, sustentação.

 

EXERCÍCIOS

 

1. Qual a origem da palavra “igreja”?

R. Vem do grego, ekklesia, significando “os chamados para fora”.

 

2. Nesta lição, quais os dois conceitos bíblicos de Igreja?

R. A “multiforme sabedoria de Deus” (Ef 3.10) e “coluna e firmeza da verdade” (1 Tm 3.15).

 

3. Em Mt 16.18, quais as palavras gregas usadas por Jesus, em relação a Pedro e a Ele próprio?

R. Com relação a Pedro, Jesus usou a palavra petros, que quer dizer “pedrinha” ou “fragmento de pedra” e, com relação a Ele, usou a palavra petra, que significa rocha inamovível.

 

4. Como se entende que Jesus entregou a Pedro as “chaves dos céus”?

R. As “chaves dos céus” são melhor entendidas como o poder e a autoridade para transmitir a mensagem do evangelho.

 

5. De acordo com a lição, o que nos mostra a expressão “se dois de vós concordarem na terra”?

R. O valor da união entre os crentes, bem como o valor da oração coletiva.

 

AUXÍLIOS SUPLEMENTARES

 

Subsídio Teológico

 

“Pedro, a Pedra e a Igreja. O significado desta passagem é que Cristo edificará a sua Igreja sobre a verdade da confissão feita por Pedro e os demais discípulos, i.e., que Jesus é o Cristo, o Filho do Deus vivo (v.16 At 3.13-26). Jesus emprega um trocadilho. Ele chama seu discípulo de ‘Pedro’ (gr. Petros, que significa uma pedra pequena). A seguir, Ele diz: ‘Sobre esta pedra (gr. Petra, que significa uma grande rocha maciça ou rochedo) edificarei a minha igreja’, i.e., sobre a confissão feita por Pedro.

(1) É Jesus Cristo que é a pedra, i.e., o único e grande alicerce da Igreja (1 Co 3.11). Pedro declara que Jesus é a ‘pedra viva... eleita e preciosa... a pedra que os edificadores reprovaram’ (1 Pe 2.4,6,7; At 4.11). Pedro e os demais discípulos são ‘pedras vivas’, como parte da estrutura da casa espiritual (a Igreja) que Deus está edificando (1 Pe 2.5).

(2) Em lugar nenhum as Escrituras declaram que Pedro seria a autoridade suprema e infalível sobre todos os demais discípulos (cf. At 15; Gl 2.11). Nem está dito, também, na Bíblia que Pedro teria sucessores infalíveis, representantes de Cristo e cabeças da Igreja. Tais ideias são injunções do homem e não a verdade das Escrituras” (Bíblia de Estudo Pentecostal, CPAD, p.1421).