Lições Bíblicas CPAD

Jovens e Adultos

 

 

3º Trimestre de 2002

 

Título: Ética Cristã — Confrontando as questões morais

Comentarista: Elinaldo Renovato de Lima

 

 

Lição 9: O cristão, a eutanásia e o suicídio

Data: 1 de Setembro de 2002

 

TEXTO ÁUREO

 

O Senhor é o que tira a vida e a dá; faz descer à sepultura e faz tornar a subir dela(1 Sm 2.6).

 

VERDADE PRÁTICA

 

O término da vida provocado pelo homem, sua abordagem pelo crente não deve basear-se em raciocínio, filosofias e justificativas puramente humanas, mas nas Escrituras respeitante ao vasto assunto da vida.

 

LEITURA DIÁRIA

 

Segunda - Gn 2.7

Deus, o Autor da vida

 

 

Terça - Gn 7.22

A vida exterminada

 

 

Quarta - Gn 9.5

Deus requer a vida

 

 

Quinta - Ex 1.17

Temeram tirar a vida

 

 

Sexta - Jó 33.4

A inspiração do Todo Poderoso

 

 

Sábado - Jn 4.3

Pedindo a morte

 

LEITURA BÍBLICA EM CLASSE

 

1 Samuel 2.6; Jó 2.7,9,10; Provérbios 31.6.

 

1 Samuel 2

6 - O Senhor é o que tira a vida e a dá; faz descer à sepultura e faz tornar a subir dela.

 

Jó 2

7 - Então, saiu Satanás da presença do SENHOR e feriu a Jó de uma chaga maligna, desde a planta do pé até ao alto da cabeça.

9 - Então, sua mulher lhe disse: Ainda reténs a tua sinceridade? Amaldiçoa a Deus e morre.

10 - Mas ele lhe disse: Como fala qualquer doida, assim falas tu; receberemos o bem de Deus e não receberíamos o mal? Em tudo isto não pecou Jó com os seus lábios.

 

Provérbios 31

6 - Dai bebida forte aos que perecem, e o vinho, aos amargosos de espírito.

 

PONTO DE CONTATO

 

Inicie a aula refletindo com seus alunos sobre a importância da vida. Leve-os a ver que cada dia que nasce é uma oportunidade de Deus para que vivamos melhor. Se transgredimos é uma chance para corrigirmos o erro, se não, é uma ocasião favorável para reafirmarmos a confiança na providência divina. Peça-lhes para descrever o que considerariam uma situação limite. Conscientize-os de que também nos momentos extremos da vida temos oportunidade de reafirmar a fé e a crença nas promessas registradas na Palavra de Deus. Não transforme sua aula em momentos de morbidez. Celebre a vida (Salmo 118.24).

 

OBJETIVOS

 

Após esta aula, o aluno deverá estar apto a:

  • Reconhecer que a eutanásia é um crime contra a vontade de Deus explícita no Decálogo.
  • Destacar que somente Deus tem o direito de dar a vida e de tornar a tirá-la.
  • Respeitar seu corpo como propriedade de Deus.

 

SÍNTESE TEXTUAL

 

A vida é dom de Deus concedido ao homem. Toda concessão continua sendo de domínio do seu proprietário. Assim, não é da competência deste homem decidir o momento em que sua vida, ou de quem quer que seja deva ser extinta. O conceito de misericórdia aplicado à eutanásia é equivocado, pois o exercício daquela implica em prestar socorro até às últimas consequências, e isto não inclui tirar a vida com a pretensa justificativa de estar aliviando o sofrimento de alguém. Quanto ao suicídio, é um ato de extrema covardia. O ser humano sentindo-se incapaz de lidar com suas próprias limitações busca refúgio na morte. Não seria mais fácil permanecer vivo e admitir que fracassou? Qualquer forma de morte induzida é a legitimação de desistência da vida e, por extensão, da fé e da crença nos valores eternos.

 

ORIENTAÇÃO DIDÁTICA

 

Divida sua classe em pequenos grupos de três ou quatro alunos. Estes grupos deverão discutir por 5 minutos sobre o tema “eutanásia”. Que relação tem a eutanásia com o suicídio? Há fundamento bíblico para a prática da eutanásia? Cada grupo, após a discussão deverá apresentar ao professor as conclusões a que chegaram.

Este método denomina-se Pequenos Grupos de Estudos e normalmente é usado quando:

      A classe for muito grande;

      Houver necessidade de examinar várias facetas de um assunto;

      Alguns membros da classe não estiverem motivados com o tema de estudo;

      Tempo for limitado.

 

Eis algumas vantagens na utilização deste método:

   1. Encoraja as pessoas tímidas;

   2. Cria um ambiente cordial;

   3. Desenvolve habilidades de liderança;

   4. Economiza tempo;

   5. Dá oportunidade de todos participarem com suas idéias;

   6. Pode ser usado facilmente com outros métodos.

 

COMENTÁRIO

 

introdução

 

Um crente em Jesus está na UTI, e os médicos concluem que não há mais solução para sua doença. Todos os esforços serão inúteis. O que fazer? Continuar com o tratamento custoso? Desligar os aparelhos? Muitos têm recorrido ao suicídio, como se fosse uma porta de emergência para escapar da dor. O que podemos dizer como cristãos acerca disso?

 

I. O CRISTÃO E A EUTANÁSIA

 

1. O que significa? A palavra “eutanásia” vem de dois termos gregos: eu, com significado de “boa” e thánatos, que significa “morte”. Do que resulta o termo eutanásia, sugerindo a ideia de “boa morte”. Tal conceito é aplicado aos casos em que o médico, usando meios a seu dispor, leva o paciente à “morte misericordiosa”, pondo fim ao seu sofrimento.

2. A eutanásia ativa. É aquela em que o médico, a pedido do paciente, ou de familiares, através da aplicação de algum tipo de agente (substância, medicamento, etc.) leva o doente à morte, evitando o seu sofrimento. Há quem defenda essa prática, sob o argumento de que “não se deve manter artificialmente a vida subumana ou pós-humana vegetativa”, e que se deve evitar o sofrimento dos pacientes desenganados, com moléstias prolongadas tais como câncer, AIDS e outras.

3. O posicionamento bíblico.

a) “Não matarás”. A Bíblia diz: “Não matarás...” (Êx 20.13). Daí, a ação do médico, tirando a vida do paciente, equiparar-se a um assassinato, a um homicídio. “Tradicionalmente, se reconhece que a eutanásia é um crime contra a vontade de Deus, expressa no decálogo, e contra o direito de vida de todos os seres humanos”. Lemos em 1 Sm 2.6: “O Senhor é o que tira a vida e a dá; faz descer à sepultura e faz tornar a subir dela”. A vida do homem não lhe pertence. Recebeu-a para administrar e deve fazê-lo como bom administrador ou mordomo, a fim de, no futuro, prestar contas ao seu legítimo dono, Deus.

b) Há a possibilidade do milagre. E se Deus quiser realizar um milagre? A fé passa por cima de todas as impossibilidades. “Ora, a fé é o firme fundamento das coisas que se esperam e a prova das coisas que não se veem. Porque, por ela, os antigos alcançaram testemunho” (Hebreus 11.1,2). Certamente, o Juramento de Hipócrates, proclamado pelos médicos, deve ser considerado, prescrevendo que os mesmos não devem “dar remédio letal a quem quer que o peça, tampouco... fazer alguma alusão a respeito”.

O argumento em favor da eutanásia, alegando que deixar alguém sofrendo sem a mínima perspectiva de sobrevivência é menos moral do que acelerar a morte para tal pessoa, é humano e não tem base bíblica. “Matar por misericórdia”, mesmo com consentimento de quem está sofrendo, não é moralmente correto, e tal pedido equivale ao suicídio. Assim, quem pratica esse tipo de eutanásia é cúmplice de suicídio. A vida é santa em si e em sua finalidade. Somente Deus pode e tem o direito de dar a vida e de tornar a tirá-la. O nosso dever é aliviar o sofrimento das pessoas por outros métodos e não tirando-lhes a vida.

Ao contrário, devemos envidar todo esforço na tentativa de sua cura, seja por medicamentos, seja pela oração da fé “...e a oração da fé salvará o doente, e o Senhor o levantará; e, se houver cometido pecados, ser-lhe-ão perdoados. Confessai as vossas culpas uns aos outros e orai uns pelos outros, para que sareis; a oração feita por um justo pode muito em seus efeitos” (Tiago 5.15,16).

 

II. O CRISTÃO E O SUICÍDIO

 

1. O suicídio na Bíblia. Nas Escrituras, encontramos o registro de alguns casos de suicídio. Em todos eles, vemos que seus protagonistas foram pessoas que deixaram de lado a voz do Senhor, e desobedeceram à sua Palavra:

a) O exemplo de Saul. Foi um rei fracassado, que deixou o Senhor, e foi em busca de uma médium espírita (cf. 1 Sm 28.1-19; 31.1-4; 1 Cr 10.13,14).

b) O exemplo de Aitofel. Foi um conselheiro de Absalão, orgulhoso, que se matou por ver que sua palavra fora suplantada por outro. (2 Sm 17.23).

c) O exemplo de Zinri. Um rei sem qualquer temor de Deus, que usurpou o trono por traição e matança, e que por fim se matou, quando se viu derrotado pelo exército inimigo (1 Rs 16.18,19).

d) O exemplo de Judas Iscariotes. Após trair Jesus, foi dominado por um profundo remorso, e, ao invés de pedir perdão ao Senhor, foi-se enforcar.

2. O caso de Sansão. Ele caiu nos braços de uma prostituta, chamada Dalila (Jz 14.3; 16.11). Traído por ela, foi levado ao cárcere. Numa festa ao deus Dagon, foi apresentado como troféu, e fez o templo desmoronar sobre ele e seus inimigos.

Há quem cite o caso de Sansão (Jz 16.30) como exemplo de suicídio aprovado por Deus. Quem pensa assim desconhece toda a história de Sansão e sua era teocrática. Há casos em que uma pessoa morre, sacrificando-se por outra ou por outras. Um bombeiro entra no fogo e salva várias pessoas, mas ele morre; um soldado lança-se sobre uma granada, impedindo que muitos companheiros pereçam. Isso não é suicídio. É sacrifício. Ver o caso da rainha Ester (Ef 4.11-15).

3. Sugestão de uma esposa sem fé. A mulher de Jó sugeriu, diante de seu sofrimento, que ele amaldiçoasse a Deus e morresse (se suicidasse). Ele, porém, não aceitou tal ideia, e de modo resignado, confiou integralmente no Senhor.

4. O posicionamento cristão. A vida é sagrada e somente Deus pode dar e tirar a vida. Moisés pediu a Deus que tirasse a sua vida (Nm 11.15). O profeta Elias também fez o mesmo pedido (1 Rs 19.4) e da mesma forma o profeta Jonas (Jn 4.3). Deus não atendeu a nenhum desses pedidos. Isso mostra que a vida pertence a Deus e não a nós mesmos. Deus sabe a hora em que a vida humana deve cessar, e Ele é o soberano de toda a existência.

As Sagradas Escrituras condenam o suicídio pelos seguintes motivos:

a) É assassinato de um ser feito à imagem de Deus (Gn 1.17; Êx 20.13; Jo 10.10);

b) Devemos amar a nós mesmos (Mt 22.39; Ef 5.29);

c) É falta de confiança no Deus, visto que Ele pode nos ajudar (Rm 8.38,39);

d) Devemos lançar as nossas ansiedades sobre o Senhor, e não na morte (1 Jo 1.7; 1 Pe 5.7).

O ser humano deve respeitar seu corpo como propriedade de Deus. Por isso, não compete ao homem tirar a sua vida. Ao contrário, tudo ele deverá fazer para protegê-la.

 

CONCLUSÃO

 

Esperamos que estes subsídios contribuam para uma reflexão mais aprofundada dos assuntos estudados, na busca de respostas mais consistentes em relação aos problemas éticos que são verdadeiros desafios à igreja do Senhor, principalmente no início de um novo milênio, quando os mais diversos e inusitados questionamentos inquietam os servos de Deus.

 

VOCABULÁRIO

 

Acatar: Aceitar, seguir; obedecer, cumprir; olhar atentamente.
Compactuar: Pactuar juntamente com outrem; transigir.
Compassivo: Que tem ou revela compaixão; condolente.
Compatível: Que pode coexistir; conciliável, harmonizável.
Custoso: Que custa muito dinheiro; árduo, difícil, trabalhoso.
Deliberada: Decida, assentada; examinada.
Irreversível: Não reversível, que não pode voltar ao estado anterior.
Letal: Que produz a morte; mortal, mortífero, fatal; lúgubre.
Médium: Segundo o Espiritismo, suposto intermediário entre os vivos e a alma dos mortos.
Patológico: Relativo à patologia, ramo da medicina que se ocupa da natureza e das modificações estruturais e/ou funcionais produzidas pela doença no organismo.
Protagonista: Figurativamente, pessoa que desempenha ou ocupa o primeiro lugar num acontecimento.
Resignado: Que sofre com resignação; que não lamenta a sua sorte.

 

BIBLIOGRAFIA SUGERIDA

 

E Agora, Como Viveremos? Colson & Pearcey, CPAD.

 

EXERCÍCIOS

 

1. Que significa eutanásia?

R. “Boa morte”.

 

2. Qual a posição da Bíblia em relação a Eutanásia?

R. A eutanásia é um crime contra a vontade de Deus. A Palavra de Deus diz: “Não matarás”.

 

3. Que significa o suicídio?

R. Matar a si mesmo.

 

4. O que há de comum nas pessoas que cometeram suicídio, de acordo com a Bíblia?

R. Todas elas foram pessoas que deixaram de lado a voz do Senhor, e desobedeceram à sua Palavra.

 

5. Por quais motivos a Bíblia condena o suicídio?

R. E um assassinato de um ser feito à imagem de Deus; devemos amar a nós mesmos; é falta de confiança em Deus; devemos lançar nossas ansiedades sobre o Senhor.

 

AUXÍLIOS SUPLEMENTARES

 

Subsídio Teológico

 

“O compromisso cristão com a vida não pode ser tratado como um ‘caso amoroso com o feto’, segundo a acusação de alguns críticos, ou como um desejo de impor a moralidade repressiva vitoriana. Ao invés disso, o crente é dirigido por uma convicção, baseada na revelação bíblica, sobre a natureza das origens do homem e o valor da vida humana. Por isso, diante de um soldado mutilado brigando pela vida, o Dr. Kenneth Swan não consultou nenhum livro de ética ou discussão de princípios abstratos. Tendo sido criado numa cultura saturada pela tradição judaico-cristã de que a vida humana tem valor intrínseco, porque foi criada à imagem e semelhança de Deus, ele simplesmente fez o que naturalmente lhe ocorreu. O médico salvou a vida do soldado.

Porém, o que antes fora a cultura de vida, está sendo hoje tomado pelo que um grande líder cristão chamou de ‘cultura de morte’ construída sobre a ética naturalista que está afetando grandemente toda a sociedade, desde o não nascido ao velho e enfermo, desde o deformado e incapacitado ao fraco e indefeso. De forma insensata buscando sua própria lógica, essa cultura de morte nega que a espécie humana é superior a todas as outras espécies biológicas, e termina com a ameaça à vida em cada estágio. Tal conceito tanto progrediu que a eutanásia é hoje um direito protegido pela constituição de um estado americano, financiada pelo programa de assistência médica, e o infanticídio está sendo defendido por respeitados acadêmicos e cientistas, tudo sem quase nenhum murmúrio de indignação pública ou discordância” (E Agora, Como Viveremos? CPAD, p.152).

“Os direitos pertencem somente às pessoas; assim, se alguém pode ser reduzido a uma não pessoa, então não tem direito nenhum. Peter Singer, recentemente indicado como professor de Bioética, em Princenton, defende de forma aberta a permissão dos pais matarem bebês deficientes, com base de que estes não são ‘pessoas’ até que sejam racionais e autoconscientes. Como não pessoas, diz ele, são ‘substituíveis’, à semelhança de galinhas ou de outra criação. Singer não para por aí. Ele continua a defender a morte de pessoas incapazes, de qualquer idade, se seus familiares decidirem que suas vidas ‘não valem a pena ser vividas’ — Este é o tipo indizivelmente desumano de ética que alunos em algumas das mais privilegiadas escolas dos EUA estão aprendendo hoje. E o que acontecerá quando essa elite de estudantes chegar a posição de poder?” (E Agora, Como Viveremos? CPAD, p.157).