Lições Bíblicas CPAD

Jovens e Adultos

 

 

3º Trimestre de 2002

 

Título: Ética Cristã — Confrontando as questões morais

Comentarista: Elinaldo Renovato de Lima

 

 

Lição 10: O cristão e a doação de órgãos

Data: 8 de Setembro de 2002

 

TEXTO ÁUREO

 

Tenho-vos mostrado em tudo que, trabalhando assim, é necessário auxiliar os enfermos e recordar as palavras do Senhor Jesus, que disse: Mais bem-aventurada coisa é dar do que receber(At 20.35).

 

VERDADE PRÁTICA

 

A doação de órgãos humanos é um ato de amor e de solidariedade. O verdadeiro cristão precisa atentar aqui para a sua consciência, que deve estar sempre alinhada aos parâmetros bíblicos para que possa atuar segundo a reta justiça.

 

LEITURA DIÁRIA

 

Segunda - Mt 20.28

A vida dada em resgate de muitos

 

 

Terça - Lc 4.19

Jesus veio dar vista aos cegos

 

 

Quarta - Lc 11.13

Dar boas dádivas

 

 

Quinta - Jo 15.13

Dar a vida pelos amigos

 

 

Sexta - 1 Jo 3.16

Devemos dar a vida pelos irmãos

 

 

Sábado - Gl 4.15

Doação de olhos

 

LEITURA BÍBLICA EM CLASSE

 

Mateus 7.12; Lucas 6.38; Atos 20.35; 1 Coríntios 15.35,36,42,43,45.

 

Mateus 7

12 - Portanto, tudo o que vós quereis que os homens vos façam, fazei-lho também vós, porque esta é a lei e os profetas.

 

Lucas 6

38 - Dai, e ser-vos-á dado; boa medida, recalcada, sacudida e transbordando vos darão; porque com a mesma medida com que medirdes também vos medirão de novo.

 

Atos 20

35 - Tenho-vos mostrado em tudo que, trabalhando assim, é necessário auxiliar os enfermos e recordar as palavras do Senhor Jesus, que disse: Mais bem-aventurada coisa é dar do que receber.

 

1 Coríntios

35 - Mas alguém dirá: Como ressuscitarão os mortos? E com que corpo virão?

36 - Insensato! O que tu semeias não é vivificado, se primeiro não morrer.

42 - Assim também a ressurreição dos mortos. Semeia-se o corpo em corrupção, ressuscitará em incorrupção.

43 - Semeia-se em ignomínia, ressuscitará em glória. Semeia-se em fraqueza, ressuscitará com vigor.

45 - Assim está também escrito: O primeiro homem, Adão, foi feito em alma vivente; o último Adão, em espírito vivificante.

 

PONTO DE CONTATO

 

Caro professor, não se satisfaça com as informações apresentadas na lição acerca deste complexo e cativante assunto. Pesquise a matéria em livros, enciclopédias e revistas especializadas. Mesmo que não perceba, sua disposição em aprender sempre mais é captada de várias maneiras pelo alunos, que passam a seguir o seu exemplo. Mostre aos seus alunos a importância de se discutir sobre a doação de órgãos. A condição número um para provocar o interesse dos estudantes por um tema é, no mínimo, saber por que ele é relevante. O melhor mesmo é que o professor faça o possível para dominar a matéria.

 

OBJETIVOS

 

Após esta aula, o aluno deverá estar apto a:

  • Relacionar os argumentos pró e contra a doação de órgãos apresentados na lição.
  • Posicionar-se quanto a questão da doação de órgãos com base na Palavra de Deus e nos princípios da ética cristã.
  • Demonstrar que a doação de órgãos, antes de tudo, deve ser uma ato de amor.

 

SÍNTESE TEXTUAL

 

A lei brasileira diz que, se a pessoa não declarar em documento sua decisão de não ser doador, seus órgãos podem ser retirados para salvar vidas de pessoas doentes. Como o cristão deve avaliar isso? Há quem diga que não deve aceitar. Para outros não há nenhum problema? Mas... a questão é que o cristão crê em milagre. Se um parente sofre um acidente, por exemplo, e entra em morte cerebral, e o médico retirar seus órgãos, não estará ele impedindo a possibilidade do milagre? E na ressurreição? Como ficariam estes órgãos? Esta lição tem por objetivo discutir e esclarecer estas e outras questões pertinentes.

 

ORIENTAÇÃO DIDÁTICA

 

Narre um caso que você conheça ou tenha ouvido falar a respeito de alguém que tenha doado ou recebido algum tipo de órgão do corpo. Conte a experiência com bastante detalhe evidenciando, inclusive, o drama e os cruéis momentos de dúvidas vividos por todas as pessoas implicadas no episódio. No final da narrativa, pergunte aos alunos o que eles fariam se estivessem envolvidos em situação semelhante. Por exemplo: Você teria coragem de doar um de seus rins para salvar uma pessoa? Esta técnica é conhecida como Estudo de Casos.

As etapas do estudo de um caso podem ser as seguintes:

a) O professor anuncia que será estudado o caso X.

b) Apresenta o caso, ou melhor, distribui o material xerocado ou realiza uma dramatização.

c) Pede aos alunos que se inteirem do caso durante um breve período de tempo. Explica que o que se pretende é analisar a dinâmica da situação e não apresentar soluções definidas.

d) pede que durante a leitura anotem os fatos que mais lhes chamem a atenção e algumas perguntas ou dúvidas suscitadas pelo caso.

e) Inicia a discussão perguntando por exemplo: O que lhes chamou mais a atenção neste caso?

 

COMENTÁRIO

 

introdução

 

A lei brasileira que definiu a doação de órgãos parece que causou mais prejuízo do que vantagem em termos de motivação para a doação. Cerca de 70% das pessoas aprova a doação de órgãos, mas parece que por sentimentalismo, pois o número de não doadores tem aumentado. Por outro lado, um cristão evangélico não deve tomar decisões desta natureza só porque há uma maioria favorável. Nesta lição, meditaremos neste assunto da atualidade de caráter ético e social.

 

I. O QUE É DOAÇÃO DE ÓRGÃOS

 

A doação de órgãos é a concordância expressa, ou presumida, por parte de uma pessoa, consentindo que seus órgãos sejam retirados após sua morte para serem aproveitados por pessoas portadoras de doenças crônicas, visando aumentar-lhes sua sobrevida.

1. Transplantes de órgãos.

a) Transplantes comuns. As pessoas, evangélicas ou não, já se acostumaram a ouvir falar em transplante de rins. Não há grande questionamento a respeito dessa prática médica quando um doente renal crônico tem sua vida normalizada, ao receber o transplante de um rim, de uma pessoa viva, às vezes um parente, ou de pessoa amiga. O rim é um órgão par que permite ao doador viver bem mesmo tendo cedido um deles. Outra doação que também não causa controvérsia é a de sangue, elemento de importância vital para o funcionamento do corpo.

b) Argumentação contrária à doação de sangue. Há quem pense que a transfusão de sangue é uma forma de “comer” sangue, o que é proibido pela Palavra de Deus. Este tipo de argumentação contrária à doação não tem consistência, visto que o processo de absorção do sangue, diretamente nas veias do receptor, não é o mesmo que ocorre quando da ingestão de algo através do aparelho digestivo. É ignorância de quem pensa diferente.

O transplante de parte do fígado, de igual modo, tem sido realizado com relativo sucesso, pois é um órgão que se regenera completamente. Quanto ao transplante de órgãos, por doação, entre pessoas vivas, não vemos qualquer implicação ética, à luz da Bíblia, caso a consciência de ambos, doador e recebedor, esteja em paz e sem dúvidas. Ler Rm 14.1-23; 1 Co 8.7-13; 10.23-33. A nossa consciência para atuar corretamente precisa estar alinhada e sintonizada com a Palavra de Deus. A consciência em si mesma não é juiz. Muitos servos de Deus têm sido salvos de morte certa, beneficiados por um transplante bem sucedido.

2. Doação após a morte. Há uma lei brasileira que torna disponíveis órgãos para transplantes extraídos de pessoas mortas.

Em 04 de fevereiro de 1997, após muitas discussões, com argumentos pró e contra, foi publicada a Lei 9.434, referente à “doação presumida” de órgãos humanos. De acordo com essa norma, todo brasileiro que não registre em sua carteira de identidade ou de motorista, a observação não doador, é considerado doador presumido. Com ou sem a autorização da família, o médico pode declarar a “morte cerebral” do paciente, e, nesse caso, os órgãos deste são retirados para serem implantados no corpo de algum doente crônico, visando restituir-lhe a saúde.

 

II. ARGUMENTOS CONTRÁRIOS

 

Existem argumentos comuns e populares contrários à doação de órgãos, mesmo entre evangélicos:

1. Receio de que haja comercialização de órgãos humanos. É o medo de se tornar uma cobaia. Infelizmente, a imprensa já chegou a noticiar casos em que sangue e outros órgãos foram objeto de venda, causando desconfiança entre muitas pessoas.

2. Receio que haja discriminação. É a preocupação com o uso de órgãos de modo diferenciado para pobres ou para ricos.

3. A integridade do corpo. Na cultura judaico-cristã, o corpo é considerado sagrado, e a retirada de órgãos é uma forma de profanação do corpo.

4. A esperança de um milagre. Há irmãos que são contrários à retirada de órgãos por crerem que Deus pode realizar um milagre de ressurreição do morto.

5. Preocupação com a ressurreição. Há, até, crentes que se preocupam com o fato da ressurreição, alegando que naquele momento faltaria uma parte do corpo em caso de doação de um órgão. Os tais precisam ser esclarecidos mediante a sã interpretação das Escrituras.

 

III. POSICIONAMENTO CRISTÃO

 

1. Fazer aos outros o que se quer para si mesmo. Se um pai tem um filho que sofre de problema cardíaco crônico, irreversível, a quem os médicos dão poucas chances de sobrevida, certamente deseja ansiosamente que os médicos encontrem um coração de alguém, que dê esperanças de sobrevida ao doente. Isto se enquadra no que a Bíblia diz: “Portanto, tudo o que vós quereis que os homens vos façam, fazei-lho também vós, porque esta é a lei e os profetas” (Mt 7.12).

2. A doação de órgãos como expressão de amor. Salvar a vida de alguém é, sem dúvida, uma demonstração de elevado sentido espiritual e moral. Nosso Senhor Jesus Cristo não apenas doou algum órgão por nós, mas deu toda sua vida em nosso lugar, na cruz do Calvário. Ele se doou, de corpo e alma, para que não morrêssemos. O apóstolo João nos exorta: “Conhecemos a caridade nisto: que ele deu a sua vida por nós, e nós devemos dar a vida pelos irmãos. Quem, pois, tiver bens do mundo e, vendo seu irmão necessitado, lhe cerrar o seu coração, como estará nele a caridade de Deus?” (1 Jo 3.16,17). Nesse texto, vemos o apóstolo do amor ensinar que devemos “dar a vida pelos irmãos” e que os proprietários de “bens” no mundo que fecham o coração para o irmão necessitado não têm a caridade de Deus. Podemos entender que um órgão a ser doado é um “bem” do mais alto valor para a salvação da vida orgânica de um doente.

3. A falta de órgãos aqui, não tem implicação na ressurreição do corpo. Na ressurreição, não haverá qualquer problema quanto a ter ou não um determinado órgão. Há pessoas mutiladas, sem pernas e sem braços, sem olhos, mas que, ao ressuscitarem, terão corpo espiritual perfeito. “Mas a nossa cidade está nos céus, donde também esperamos o Salvador, o senhor Jesus Cristo, que transformará o nosso corpo abatido para ser conforme o seu corpo glorioso, segundo o seu eficaz poder de sujeitar também a si todas as coisas”, (Fp 3.20, 21). O corpo será “corpo glorioso” e “corpo espiritual” (1 Co 15.42,43), que não precisará de órgãos físicos. O corpo que vai ressuscitar será o corpo que foi sepultado, porém transformado em corpo espiritual. Se assim não fosse, não teria sentido falar-se em ressurreição. Ressuscitar é trazer à vida aquilo que morreu. Diz o apóstolo Paulo: “Assim também, a ressurreição dos mortos. Semeia-se o corpo em corrupção, ressuscitará em incorrupção. Semeia-se em ignomínia, ressuscitará em glória. Semeia-se em fraqueza, ressuscitará com vigor. Semeia-se corpo animal, ressuscitará corpo espiritual. Se há corpo animal, há também corpo espiritual” (1 Co 15.42-44). “Animal”, neste texto, significa literalmente “animado pela alma”.

 

CONCLUSÃO

 

A doação de órgãos em vida, como no caso da transfusão de sangue, ou do transplante de rins, não deve ser objeto de reprovação entre os cristãos, ressalvados os casos de consciência, como já foi explanado. Quanto à doação de órgãos, a serem extraídos de cadáveres, é preciso que se respeite a consciência e vontade expressa (e não apenas presumida) do possível doador, bem como de sua família. Por outro lado, devemos, como cristãos, demonstrar que a doação de órgãos é um ato de amor, do mais alto sentido, e não apenas de mero sentimentalismo sujeito a mudanças de ponto de vista. Sentimento apenas, não é fé, nem amor, como reflexo da imagem de Deus no ser humano, principalmente quem teme a Deus.

 

VOCABULÁRIO

 

Absorção: Ação ou efeito de absorver; recolher em si, sorver.
Canibalismo: Ferocidade de canibal; ato de um animal devorar outro da mesma espécie.
Ignonímia: Que provoca ignomínia; que merece repulsão; oprobrioso, infame.
Ingestão: Ato de ingerir; deglutição.
Receptor: Que recebe, recebedor.
Regenerar: Tornar a gerar; dar nova vida, revivificar; reconstituir, restaurar.
Sobrevida: Prolongamento da vida além de determinado prazo; tempo de vida que ultrapassa determinado limite.
Transplante: Ato ou efeito de transplantar órgão ou porção deste de uma para outra parte do mesmo indivíduo, ou de um doador, vivo ou morto, para outra pessoa da mesma família.

 

EXERCÍCIOS

 

1. Que é doação de órgãos?

R. É a concordância expressa (ou presumida) por parte de uma pessoa, para que seus órgãos sejam retirados após sua morte, para serem aproveitados por pessoas portadoras de doenças crônicas, visando aumentar-lhes sua sobrevida.

 

2. A Bíblia proíbe transfusão de sangue?

R. Não.

 

3. De acordo com a lição, porque doar órgãos é um ato de amor?

R. Porque salvar a vida de alguém é sem dúvida uma demonstração de elevado sentido espiritual e moral.

 

4. Na ressurreição, haverá problema com relação a órgãos doados?

R. Não, pois o corpo será “corpo glorioso” (Fp 3.21) e “corpo espiritual” (1 Co 15.42,43), que não precisará de órgãos físicos.

 

5. Qual a lei que regula a doação de órgãos no Brasil?

R. Lei 9.434, de 04 de fevereiro de 1997.

 

AUXÍLIOS SUPLEMENTARES

 

Subsídio Teológico

 

Na ressurreição, não há problema em relação à doação de órgãos, pois ressuscitaremos em “corpo glorioso” (Fp 3.21), “corpo espiritual” (1 Co 15.42,43), que não precisará de órgãos físicos, ainda que será o corpo sepultado que vai ressuscitar, transformado em corpo glorioso.

O Mesmo Corpo Ressurgirá (Rm 8.11). Não será uma revolução, ou uma nova criação, mas um despertar para a vida outra vez no mesmo corpo, em sua forma, substância e identidade.

A mesma carne que se corrompeu será restaurada, qualquer alteração não será na natureza do corpo, mas sim, na sua condição. Não em sua substância, mas em suas qualidades.

O Mesmo Corpo Será Conservado (Rm 8.23; 1 Co 15.35-57). Isto quer dizer, será guardado, vigiado, cuidado. Deus guardará o corpo assim como guarda o espírito até a volta da Cristo.

O Corpo Ressuscitará Completo. No início da igreja primitiva, falava-se de um gérmen indestrutível que cada ser humano tinha e que na ocasião da ressurreição, estes germens estariam prontos a desenvolverem-se, retornando ao corpo anterior. Isto para tornar mais racional à concepção humana a ideia da ressurreição.

Porém a dificuldade era a seguinte: Como se poderia evitar que as partes dispersas de um corpo não se misturassem com outros? (homens que se alimentam de animais, que se alimentam de plantas, que se alimentam da terra, para onde o homem vai). Para estes, é mais fácil compreender que cada corpo tem um germe que não se mistura, que crer que Deus assim como criou cada pessoa distintamente uma da outra, pode restaurar seus corpos distintamente como era antes.

Se há este gérmen, não existe ressurreição do corpo, pois um gérmen não pode ser chamado de corpo.

Se um dedo ou um braço não podem ser chamados de corpo, muito menos tal partícula tão minúscula.

Se há este gérmen, não há ressurreição, porque se há parte conservada (um gérmen), não temos uma ressurreição dos mortos, e sim uma germinação.

A Grande Pergunta sobre a Ressurreição (1 Co 15.35). É possível que estes mesmos corpos se levantem e se juntem ás diferentes almas, das quais se separaram há milhares de anos tendo sido eles enterrados, tragados pelo mar ou devorados pelo fogo?

Os corpos têm-se tornados no mais fino pó, e este pó espalhado-se pela face da terra, tendo sofrido “dez mil mudanças”, assimilando-se à terra, servindo de alimento de outras criaturas e homens.

Como é possível que estas partículas formem aquele mesmo corpo que foi abandonado pela alma na ocasião da morte? (Ez 37.7,8,10; Fp 3.21)

Deus pode distinguir, e manter separados dos outros corpos as partículas em que se transformaram nossos corpos e reuni-las de novo por mais dispersas que estejam. Deus tem sabedoria e poder infinitos. Ele conhece o número das estrelas e as chama pelo nome. Ele pode enumerar os grãos de areia da praia, assim pode discernir cada partícula de pó de cada pessoa, seus olhos nos viram ainda em substância informe quando no oculto fomos formados.