Lições Bíblicas CPAD

Jovens e Adultos

 

 

1º Trimestre de 2005

 

Título: O Fruto do Espírito — A plenitude de Cristo na vida do crente

Comentarista: Antonio Gilberto

 

 

Lição 1: O Fruto do Espírito e o caráter cristão

Data: 2 de Janeiro de 2005

 

TEXTO ÁUREO

 

Não pode a árvore boa dar maus frutos, nem a árvore má dar frutos bons. Toda árvore que não dá bom fruto corta-se e lança-se no fogo(Mt 7.18,19).

 

VERDADE PRÁTICA

 

O fruto do Espírito é a expressão do caráter de Cristo, produzido em nós, para que o mundo veja isso e glorifique a Deus.

 

LEITURA DIÁRIA

 

Segunda — Gl 5.22

Fruto do Espírito — a identidade do crente

 

 

Terça — 2Pe 1.4-7

O crente como participante da natureza divina

 

 

Quarta — Ef 5.9

As três faces do fruto

 

 

Quinta — Jo 15.1,5

A necessidade de o crente produzir fruto

 

 

Sexta — Lc 6.43

O fruto do Espírito revela a qualidade da árvore

 

 

Sábado — Rm 6.22

O objetivo do fruto do Espírito é a santificação

 

LEITURA BÍBLICA EM CLASSE

 

Mateus 7.16-20; Lucas 6.43-45.

 

Mateus 7

16 — Por seus frutos os conhecereis. Porventura, colhem-se uvas dos espinheiros ou figos dos abrolhos?

17 — Assim, toda árvore boa produz bons frutos, e toda árvore má produz frutos maus.

18 — Não pode a árvore boa dar maus frutos, nem a árvore má dar frutos bons.

19 — Toda árvore que não dá bom fruto corta-se e lança-se no fogo.

20 — Portanto, pelos seus frutos os conhecereis.

 

Lucas 6

43 — Porque não há boa árvore que dê mau fruto, nem má árvore que dê bom fruto.

44 — Porque cada árvore se conhece pelo seu próprio fruto; pois não se colhem figos dos espinheiros, nem se vindimam uvas dos abrolhos.

45 — O homem bom, do bom tesouro do seu coração, tira o bem, e o homem mau, do mau tesouro do seu coração, tira o mal, porque da abundância do seu coração fala a boca.

 

PONTO DE CONTATO

 

Professor, pela graça de nosso Deus, iniciamos um novo ano e mais um trimestre. No ano de 2004, estudamos dois temas da Teologia Sistemática (Espírito Santo e Escatologia), um de Teologia Prática (Família Cristã) e um de Bíblia (Colossenses).

Neste trimestre, meditaremos no estudo temático do Fruto do Espírito, o qual refere-se à habitação e obra do Espírito no interior do crente visando formar o caráter de Cristo em sua vida. Portanto, é necessário que estejamos na presença de Deus a fim de que Ele nos use como instrumentos para a edificação de nossos alunos.

 

OBJETIVOS

 

Após esta aula, o aluno deverá estar apto a:

  • Definir o princípio da frutificação espiritual.
  • Explicar o sentido de “vida frutífera”.
  • Descrever os propósitos da frutificação espiritual.

 

SÍNTESE TEXTUAL

 

O termo fruto no Novo Testamento é a tradução do original karpos, que tanto pode significar “o fruto”, quanto “dar fruto”, “frutificar” ou ser “frutífero” (Mt 12.33; 13.23; At 14.17). Na Bíblia, também é empregado em sentido figurado para indicar o resultado de algo, por exemplo: o produto do ventre e dos animais (Dt 28.11); o caráter do justo (Sl 1.30; Pv 11.30); a índole do ímpio e as atitudes dos homens (Pv 1.29-32; Jr 32.19); a mentira (Os 10.13); a santificação (Rm 6.22); a justiça (Fp 1.11), o arrependimento (Lc 3.8) etc.

No texto de João 15, Jesus se apresenta como a Videira Verdadeira e utiliza-se de uma simbologia já existente no Antigo Testamento, onde a árvore representa o homem (Jz 9.7-15; Sl 1.3), e a vinha, Israel (Is 5.1-7; Jr 2.21; Os 10.1). A árvore produz fruto segundo a sua espécie (Gn 1.11). Espécie, no original, mim, designa “especificação” ou “ordem”, portanto, a qualidade do fruto aponta para o caráter de sua árvore (Gn 1.12; Mt 7.17,18). Logo, o crente regenerado pelo Espírito Santo deve originar fruto que dignifique e reflita o caráter moral de Cristo.

 

ORIENTAÇÃO DIDÁTICA

 

Professor, para esta atividade, você precisará de uma cartolina ou papel camurça verde, vermelho e marrom. O verde será usado para fazer a copa da árvore; o marrom, o tronco (opcional); e o vermelho, o fruto. Com este material, construa uma árvore proporcional à sala e ao mural de que sua classe dispõe. Com a folha vermelha, confeccione nove frutos que corresponderão às virtudes de Gálatas 5.22. Todos os domingos, cada aluno deverá escrever num fruto seu nome e a virtude referente à lição que for ensinada, e fixá-lo na árvore. Mediante esta atitude, os alunos estarão demonstrando o fruto em sua vida ou o desejo de produzi-lo. A tendência natural é o papel descolorir durante o trimestre, no entanto, o aluno deverá trocar, cuidar ou fazer a manutenção deste para que isto não ocorra. Assim, o fruto deve ser cultivado em nossas vidas.

 

COMENTÁRIO

 

INTRODUÇÃO

 

Num de seus últimos ensinamentos aos discípulos, Jesus discorreu sobre a importância da frutificação espiritual (Jo 15.1-5). O Mestre fez uma analogia da videira e seus ramos com Ele e o crente, para ensinar que este precisa daquEle, a fim de tornar-se semelhante a Cristo. É o Espírito Santo que produz o fruto em nós à proporção que lhe entregamos a vida.

Para que o fruto seja gerado, é necessário que haja uma relação de interdependência entre o tronco e seus ramos. Jesus declarou aos discípulos que viera ao mundo com a missão de revelar-lhes o Pai. E que, ao partir, enviaria o Espírito Santo para estar com eles, ajudando-os em todas as coisas. Assim como Jesus fez-se homem para revelar o Pai à humanidade, o Espírito habita no crente a fim de que Cristo seja conhecido (1Co 6.19).

Nesta lição, estudaremos o fruto do Espírito, o caráter de Cristo no crente, e como é produzido em nossa vida através do Espírito Santo, objetivando a glorificação do nome de Deus.

 

I. O PRINCÍPIO DO FRUTO DO ESPÍRITO

 

O princípio da frutificação encontra-se em Gênesis 1.11. Note que cada planta e árvore devia produzir fruto segundo a sua espécie.

A frutificação espiritual segue a mesma regra. João Batista exigiu de seus discípulos: “Produzi, pois, frutos dignos de arrependimento” (Mt 3.8). Em João 15.1-16, Jesus enfatizou este princípio esclarecendo aos seus seguidores que, a fim de se desenvolverem espiritualmente, precisavam apresentar abundante fruto para Deus.

De que tipo de fruto Jesus estava falando? A resposta encontra-se em Gálatas 5.22. Por conseguinte, o fruto do Espírito desenvolve no crente um caráter semelhante ao de Cristo, que reflete a imagem de sua pessoa e a natureza santa de Deus.

 

II. A VIDA CONTROLADA PELO ESPÍRITO

 

1. Vida frutífera. Quando o crente não se submete ao Espírito, cede aos desejos da natureza pecaminosa. Mas, ao permitir que Ele controle sua vida, torna-se um solo fértil, onde o fruto é produzido. Mediante o Espírito, conseguimos vencer os desejos da carne e viver uma vida frutífera.

a) Segredo da batalha espiritual. Para ser vencedor nesta batalha, o segredo é andar no Espírito (Gl 5.24,25). Como fazemos isto? Ouvindo a sua voz, seguindo a sua liderança, obedecendo às suas ordens, confiando nEle e dependendo dEle.

b) Fruto e obras. Para mostrar o quanto é acentuado o contraste entre as obras da carne e o fruto do Espírito, o escritor aos Gálatas alistou-os no mesmo capítulo (Gl 5). Desde que o Espírito Santo dirija e influencie o crente, o fruto se manifestará naturalmente nele (Rm 8.5-10). Da mesma maneira acontece ao ímpio, cuja natureza pecaminosa é quem o governa.

c) Fruto conforme a espécie. Cada um produz fruto segundo a sua espécie. Em João 14.16, lemos as palavras de Jesus aos discípulos: “E eu rogarei ao Pai, e ele vos dará outro Consolador, para que fique convosco para sempre”. A palavra outro, no original, denota “outro da mesma espécie”. O Espírito Santo é da mesma espécie que Jesus. Logo, é de sua natureza produzir um caráter semelhante ao de Cristo no crente. É da natureza da carne pecaminosa produzir maldade.

A Palavra de Deus é absoluta ao declarar que “os que cometem tais coisas não herdarão o Reino de Deus” (Gl 5.21b). Estas obras da carne são características dos que vivem em pecado (Rm 7.20).

2. Maturidade e equilíbrio cristãos. A Palavra de Deus afirma que o crente é recompensado ao dar toda a liberdade ao Espírito Santo para produzir, em seu interior, as qualidades de Cristo. O capítulo 1 de 2 Pedro trata da necessidade de o crente desenvolver as dimensões espirituais da vida cristã. Com este crescimento, vem a maturidade e a estabilidade fundamentais para uma vida vitoriosa sobre a natureza velha e pecaminosa do homem (2Pe 1.10b.11).

 

III. A SINGULARIDADE DO CARÁTER CRISTÃO

 

1. A pessoa é identificada pelo seu fruto. Em Mateus 7.15-23, deparamo-nos com declarações notáveis, proferidas pelo Mestre, acerca da importância do caráter. Assim como nós, os falsos profetas são reconhecidos pelo tipo de fruto que produzem (Mt 7.16-19).

2. Os sinais contestados pelo fruto. Jesus acrescentou que algumas pessoas fariam muitas maravilhas, expulsariam demônios em seu nome, porém, Ele jamais as conheceria (Mt 7.22,23). Como é possível? A resposta é encontrada em 2 Tessalonicenses 2.9. Este trecho bíblico comprova ser possível Satanás imitar milagres e dons do Espírito. Contudo, o fruto do Espírito é a marca daqueles que possuem comunhão com o Senhor (Mt 7.17,18; 1Jo 4.8), e jamais poderá ser imitado.

 

IV. OS PROPÓSITOS DA FRUTIFICAÇÃO ESPIRITUAL

 

Ao considerarmos os propósitos da frutificação espiritual, constataremos quatro palavras relacionadas ao fruto do Espírito: expressão, discipulado, bênção e glória.

1. Expressar o caráter de Cristo. Todo fruto revela sua árvore de origem. Da mesma maneira, como membros do corpo de Cristo, devemos refletir naturalmente o seu caráter para que o mundo o veja em nós. Quando as pessoas tomam conhecimento de nossa confissão cristã, podemos vir a ser a única bíblia que muitas delas “lerão”.

2. Evidenciar o discipulado. Jesus ensinou que devemos dar “muito fruto” a fim de confirmarmos que somos seus discípulos (Jo 15.8). Ele ressaltou que todo discípulo bem instruído será como o seu mestre (Lc 6.40). Isto significa que não é o bastante aceitar Jesus para afirmar: “Veja, sou crente!” Ele deseja que produzamos muito fruto. Se assim fizermos, estaremos demonstrando que verdadeiramente somos seus discípulos.

3. Abençoar outras pessoas. A manifestação do fruto abençoa os ímpios que nos cercam e também os crentes que veem a evidência do fruto espiritual em nós.

4. Glorificar a Deus (Jo 15.8). O fruto do Espírito é o resultado de uma vida abundante em Cristo. Quando permitimos que a imagem dEle seja refletida em nós, as pessoas glorificam a Deus (Mt 5.16).

 

CONCLUSÃO

 

Se entregarmos todo o controle de nossa vida ao Espírito Santo, Ele, infalivelmente, vai produzir o seu fruto em nós através de uma ação contínua e abundante. Como cristão, tudo que concerne ao caráter santificado, ou seja, a nossa semelhança com Cristo, é obra do Santo Espírito “até que Cristo seja formado em vós” (Gl 4.19).

 

VOCABULÁRIO

 

Analogia: Comparação; semelhança entre duas coisas.
Andar no Espírito: No original, é andar em linha reta e adequadamente.
Carne: Termo que descreve a natureza pecaminosa da alma.
Interdependência: Dependência entre dois elementos.
Maturidade: Perfeição; idade madura; sensatez.
Por conseguinte: Consequentemente; logo.

 

BIBLIOGRAFIA SUGERIDA

 

ARRINGTON, F. L.; STRONSTAD, R. (eds.). Comentário Bíblico Pentecostal: Novo Testamento. CPAD, 2003.

 

EXERCÍCIOS

 

1. Qual é o princípio da frutificação?

R. Cada planta e árvore deve produzir fruto segundo a sua espécie.

 

2. Qual é o segredo para vencer a batalha contra a carne?

R. Andar no Espírito.

 

3. Como os falsos profetas são reconhecidos?

R. Pelo tipo de fruto que produzem.

 

4. Faça uma lista do fruto do Espírito conforme Gálatas 5.22.

R. Caridade, gozo, paz, longanimidade, benignidade, bondade, fé, mansidão e temperança.

 

5. Quais os propósitos da frutificação espiritual?

R. Expressar o caráter de Cristo, evidenciar o discipulado, abençoar outras pessoas e glorificar a Deus.

 

AUXÍLIOS SUPLEMENTARES

 

Subsídio Teológico

 

“A vida na carne e a vida sob a lei são ambas sujeitas à stoicheia, ou “princípios básicos” da vida (Gl 4.3,9). Estar debaixo da lei é estar sujeito a um pedagogo severo (3.24). Deste modo, aqueles que são guiados pela carne e são sujeitos à lei continuarão a experimentar o fracasso moral e um medo terrível do juízo.

Nada disso se aplica àqueles que são guiados pelo Espírito Santo, porque a natureza e a função do Espírito são opostas à lei e à natureza pecaminosa [...]. O Espírito não ministra opressão e escravidão, mas liberdade e poder. O Espírito unge para libertar os cativos e para adotar os fiéis na liberdade gloriosa dos filhos de Deus (Lc 4.18; Rm 8.15,16,21). Em contraste com a impotência da lei, o Espírito nos capacita a realizar o reino na terra (At 2.4; 1Co 2.4; 12.1-31; 14). Embora a lei tenha sido enfraquecida devido à natureza pecaminosa, o Espírito mortifica as ações daquela natureza (Rm 8.3,13). A lei acentua nossas fraquezas (7.8-10), mas o Espírito administra força em lugar destas (8.26). Portanto, o crente cheio do Espírito não está debaixo da lei, e consequentemente não é guiado pela natureza pecaminosa (Gl 5.18).

Os judaizantes não só minaram a sã doutrina na Galácia, mas também destruíram a atmosfera espiritual das igrejas (5.15). Toda a sua pauta era baseada na natureza pecaminosa, não no Espírito (4.8-10,17). Por estas razões, Paulo começa a contrastar as obras da natureza pecaminosa com o fruto do Espírito em 5.19-23. Tais listas de virtudes e vícios são encontradas ao longo de todo o Novo Testamento (Rm 1.24-31; 1Co 5.9-13; 6.9-11; 2Co 12.20,21; 1Ts 4.3-6). Estas também eram comuns no mundo antigo, especialmente entre os filósofos estóicos. Paulo reconhece que até mesmo os gentios podem discernir entre o certo e o errado. Neste sentido, tornam-se parte da lei (Rm 2.26,27).

[...] Paulo continua a contrastar ‘o fruto do Espírito’ com as obras da natureza pecaminosa. Assim como a natureza pecaminosa se manifesta de diferentes modos, o fruto do Espírito tem uma variedade de expressões. O termo ‘fruto’ (karpos) está no singular e mostra a unidade essencial do fruto do Espírito. Em outras palavras, o crente cheio do Espírito deve demonstrar todas as características do Espírito, não apenas esta ou naquela virtude” (ARRINGTON, F. L.; STRONSTAD, R. (eds.). Comentário Bíblico Pentecostal: Novo Testamento. RJ: CPAD, 2003, pp.1180-2.)