Lições Bíblicas CPAD

Jovens e Adultos

 

 

1º Trimestre de 2006

 

Título: Salvação e Justificação — Os pilares da vida cristã

Comentarista: Eliezer Lira

 

 

Lição 3: A Justiça de Deus

Data: 15 de Janeiro de 2006

 

TEXTO ÁUREO

 

E bem sabemos que o juízo de Deus é segundo a verdade sobre os que tais coisas fazem(Rm 2.2).

 

VERDADE PRÁTICA

 

Ninguém pode obter a salvação sem reconhecer, de modo humilde, a sua urgente necessidade da justiça de Deus.

 

LEITURA DIÁRIA

 

Segunda — Jr 17.10

O homem será julgado pelo Justo Juiz

 

 

Terça — Sl 139.1-3

Só Deus conhece todos os nossos pensamentos

 

 

Quarta — At 10.34

Deus não faz acepção de pessoas

 

 

Quinta — 1Co 3.13-15

Salvos pela fé e julgados pelas obras

 

 

Sexta — Mt 6.4

Somente Deus vê em secreto

 

 

Sábado — Sl 5.11,12

Há proteção em Deus para o justo

 

LEITURA BÍBLICA EM CLASSE

 

Romanos 2.3-8,11-13.

 

3 — E tu, ó homem, que julgas os que fazem tais coisas, cuidas que, fazendo-as tu, escaparás ao juízo de Deus?

4 — Ou desprezas tu as riquezas da sua benignidade, e paciência, e Ionganimidade, ignorando que a benignidade de Deus te leva ao arrependimento?

5 — Mas, segundo a tua dureza e teu coração impenitente, entesouras ira para ti no dia da ira e da manifestação do juízo de Deus,

6 — o qual recompensará cada um segundo as suas obras,

7 — a saber: a vida eterna aos que, com perseverança em fazer bem, procuram glória, e honra, e incorrupção;

8 — mas indignação e ira aos que são contenciosos e desobedientes à verdade e obedientes à iniqüidade;

11 — porque, para com Deus, não há acepção de pessoas.

12 — Porque todos os que sem lei pecaram sem lei também perecerão; e todos os que sob a lei pecaram pela lei serão julgados.

13 — Porque os que ouvem a lei não são justos diante de Deus, mas os que praticam a lei hão de ser justificados.

 

PONTO DE CONTATO

 

Professor, a carta aos Romanos foi um dos principais escritos do Novo Testamento que contribuiu para a conversão de Aurélio Agostinho. Em suas Confissões, o autor narra que após dois anos como professor de retórica em Milão, sentiu-se profundamente triste, pois desejava iniciar uma nova vida, mas não estava disposto a romper com a vida libertina que levava. No jardim da casa de seu amigo Alípio, chorou amargamente até que ouviu uma criança cantar: “Pega e lê! Pega e lê!”. Impulsionado, pegou o manuscrito que estava ao lado de seu amigo. Seus olhos percorreram o seguinte texto da epistola aos Romanos: “Andemos honestamente, como de dia, não em glutonarias, nem em bebedeiras, nem em desonestidades nem em dissoluções, nem em contendas e invejas. Mas revesti-vos do Senhor Jesus Cristo e não tenhais cuidado da carne em suas concupiscências.” (Rm 13.13,14). Agostinho afirma que após ler estas palavras “uma clara luz inundou meu coração e todas as trevas da dúvida se desvaneceram”.

 

OBJETIVOS

 

Após esta aula, o aluno deverá estar apto a:

  • Descrever os princípios do juízo de Deus.
  • Distinguir os dois tipos de moralistas no tempo do Novo Testamento.
  • Definir a expressão “juízo divino”.

 

SÍNTESE TEXTUAL

 

O sentido de “justiça” no Antigo Testamento procede de dois termos hebraicos: tsedeq, cujo sentido primário é “ser retilíneo”, “ser reto”, “retidão” e, mishpat, traduzido por “justiça” e “juízo” (cf. 2 Cr 12.6; Ec 12.14; Sl 1.5; Sl 11.7). Estes descrevem tanto o caráter e a justiça divina quanto a fidelidade de Deus em sua Aliança para com os homens (Dt 32.4; Sl 31.1; 45.7; 119.137,144; Pv 16.33; Is 30.18). O Novo Testamento emprega a palavra dikaiosynē para designar os termos “justiça”, “retidão”, “justo”, “reto” e “justificação”. O tema da justiça de Deus inclui uma série de conceitos que abrangem: aprovar o que é bom em detrimento do que é mal (Êx 34.7; Ec 12.4; Hb 1.9); condenar o ímpio e justificar o justo (2 Cr 6.23); a fidelidade do Senhor em seus atos (Ne 9.3; Is 49.7; 2 Ts 3.3); a ira de Deus (Sl 7.11; Na 1.2,3; Mq 7.8-10); a imparcialidade do juízo divino (2 Cr 19.7; Na 1.3); os seus mandamentos (Mq 6.8) e, a relação entre justiça e salvação (Sl 98.2; Is 45.21; 51.5-8; 56.1). A Bíblia afirma que a justiça e o juízo são a base do governo sempiterno de Deus (Sl 89.14; Hb 1.8). São esses, portanto, os fundamentos pelos quais os politeístas e monoteístas serão julgados (Rm 1.18-32: 2.17-29). O primeiro grupo são os sem lei, enquanto o segundo, aqueles a quem a lei foi dada, isto é, pagãos e judeus (Rm 2.12-29).

 

ORIENTAÇÃO DIDÁTICA

 

Professor, as epístolas paulinas foram importantes recursos para o fortalecimento da igreja e instrução dos crentes. Algumas cartas foram endereçadas a cidades, enquanto outras, a pessoas. A fim de ampliar o conhecimento do aluno a respeito da formação das epístolas, divide-as em: Epístolas endereçadas a cidades (Roma, Corinto, Galácia, Éfeso, Filipos, Colossos, Tessalônica) e, a pessoas (Timóteo, Tito e Filemom). Ao apresentar a classe às cidades as quais Paulo endereçou as epístolas, procure fazê-lo em ordem cronológica: Gálatas (49 d.C.), Coríntios (55-56 d.C), Romanos (57 d.C.), Efésios e Colossenses (62 d.C.), Filipenses (62/63 d.C.). Observe que os mapas que tratam das viagens missionárias de Paulo, não incluem a cidade de Colossos, cerca de 160 km a leste de Éfeso. Embora todos os que habitavam na Ásia tenham ouvido o evangelho (At 19.10), no entanto, e provável que Paulo não tenha visitado Colossos (Cl 2.1), sendo Epafras, o possível fundador da igreja em Colossos (Cl 1.7; 4.12,13). Use o mapa para ilustrar e fortalecer a argumentação acima. Este recurso pode ser usado como introdução à lição.

 

 

COMENTÁRIO

 

INTRODUÇÃO

 

Estamos diante de um dos maiores textos sobre os princípios e os trâmites de Deus acerca de seu perfeito e justo juízo em relação às suas criaturas. Deus, o Supremo Legislador e Juiz de todos, por intermédio das Sagradas Escrituras, manifesta a todos os homens a verdade a respeito da salvação, para que ninguém seja condenado por falta de seu conhecimento.

Nesta lição, estaremos examinando o que a Bíblia ensina sobre a justiça de Deus. Também estaremos respondendo a pergunta: “Pode o homem ser justificado diante do Supremo Juiz através das boas obras? E os crentes? Somos ou não obrigados à prática das boas obras já que fomos justificados pela fé?”. Vejamos, pois, as respostas a estas perguntas.

 

I. OS MORALISTAS

 

1. Nos dias de Jesus. Devido à sua cegueira espiritual, os moralistas, do tempo de Jesus, afirmavam que os criminosos e depravados estavam sob o juízo divino. Eles, porém, os moralistas, achavam-se completamente seguros, porquanto julgavam-se perfeitos (Mt 23.25-28).

2. Nos dias de Paulo. A maioria dos judeus, nos dias de Paulo, achava que podia ser justificada diante de Deus através de suas obras morais e religiosas. Se alguém fracassasse na realização destas, perderia parte de sua recompensa, mas, como descendente de Abraão, haveria de escapar do juízo divino.

3. Nos dias atuais. Os moralistas de hoje professam a fé cristã sem vivê-la. São religiosos? Sim. Todavia, sem salvação, pois não seguem o Salvador. Muitos vêem no batismo a garantia da vida eterna; esquecem-se, contudo, do compromisso de fidelidade a Deus.

Apesar das boas obras realizadas, ninguém pode obter a salvação sem primeiro reconhecer que é um pecador incapaz de, por si próprio, alcançar a justiça divina (Jo 14.6; 10.9; Tt 3.5). Paulo afirma que os tais estão sob condenação (Rm 3.9,23).

 

II. PRINCÍPIOS DA JUSTIÇA DE DEUS

 

1. Deus julgará o segredo dos homens. Nos vv.1-16 de Romanos 2, a Palavra de Deus é dirigida aos que se julgam isentos do justo juízo de Deus, considerando-se justificados por não terem uma vida explicitamente pecaminosa. Os que assim pensam subestimam a justiça de Deus, tornando-se irreconciliáveis.

Os religiosos da época de Jesus ostentavam sua autojustiça, mas foram severamente reprovados pelo Mestre (Lc 18.18-22; Mt 5.20; 15.1-9).

No Juízo Final, não haverá injustiça, porque o Juiz é infinitamente justo (Gn 18.25; Jr 11.20; 2 Tm 4.8); seu juízo é segundo a verdade (Rm 2.2). Quanto mais conhecimento acerca da verdade tivermos, mais responsabilizados seremos diante de Deus. Um exemplo disso é o caso das cidades da Galiléia que, apesar de testemunharem um poderoso ministério de ensino e de milagres de Jesus, rejeitaram-no como o Messias e Salvador (Mt 11.20-24).

2. A verdade divina pela qual o homem será julgado. A bondade e a misericórdia de Deus têm abençoado a humanidade inteira desde a criação dos céus e da Terra. Todos podemos usufruir do ar, água, luz, fogo, vida, família, saúde, sustento, pátria, vestuário, descanso, proteção, paz etc. Ver Sl 136.25; 145.16.

a) O homem natural. Em sua irracionalidade, não percebe que a mão de Deus é que provê todas as coisas por sua longanimidade e graça. Vivendo em trevas, ele não enxerga os seus próprios pecados a menos que seja convencido pelo Espírito Santo (Jo 16.8). Os tais não sentem tristeza por pecarem contra Deus, nem se compungem em seu coração. Em nada lembram os que se converteram no dia de Pentecostes.

b) O pecador legalista. Julga e condena os outros, considerando-se inculpável diante de Deus, conforme se vê em Lc 18.9-14. Ele será réu de maior juízo (Mt 23.14). Quanto ao hipócrita, pode enganar os homens ao freqüentar a igreja, mas não a Deus (Mc 12.15; Mt 6.2). No julgamento, o destino do hipócrita será o mesmo do servo mau: o lago de fogo onde haverá “pranto e ranger de dentes” (Mt 24.51).

3. A culpa do transgressor consciente. Os que desprezam as riquezas da benignidade e da longanimidade divina pecam intencionalmente e atraem para si a ira de Deus (Rm 2.4,5,18-24). Nota-se, no versículo 5, o caráter de culpa cumulativa de uma vida de contínuo desprezo à bondade de Deus.

“As riquezas da benignidade” de Deus (v.4) são a sua multiforme graça, longanimidade e providência, abarcando todas as esferas de nossa vida.

O objetivo de Deus, conforme sua infinita graça e benignidade, é convencer o homem do pecado e conduzi-lo ao arrependimento. Quem despreza os cuidados de Deus está “entesourando ira” para si (vv.4,5).

4. As obras e seu julgamento. O julgamento de Deus é segundo a sua verdade, justiça e santidade (Rm 2.2; 3.4; 9.14; Sl 96.13; Dt 32.4; Ap 16.7). Entretanto, Deus não deseja a ruína do pecador, mas a sua salvação (Ez 18.23,32; Is 55.7; Tg 2.13; Hb 3.7,8; Ap 22.17). E a única maneira de escaparmos do juízo de Deus é termos a Cristo como Salvador e Senhor (Hb 2.2-4; Lc 13.3,5).

As boas obras do crente são decorrentes da salvação já operada, pela graça de Deus (Ef 2.8,9). Ou seja: nós fomos salvos pela fé para a prática das boas obras (Tg 2.14-20,26; Ef 2.10).

 

CONCLUSÃO

 

Esta lição esclarece que o homem redimido por Jesus desfrutará a vida eterna ao seu lado. Contudo, quem viver de forma ímpia e pecaminosa não poderá usufruí-la, tornando-se réu do juízo divino. Andemos, pois, em novidade de vida, para que o nome de Deus seja eternamente glorificado.

 

VOCABULÁRIO

 

Legalista: Pessoa que reduz a fé cristã aos aspectos formais das leis eclesiásticas.
Transgressor: Aquele que desobedece um preceito.

 

BIBLIOGRAFIA SUGERIDA

 

CABRAL, E. Romanos: O Evangelho da Justiça de Deus. CPAD, 2003.
PEARLMAN, M. Epístolas paulinas: semeando as doutrinas cristãs. CPAD, 1998.

 

EXERCÍCIOS

 

1. O que você entende por justiça de Deus?

R. Resposta pessoal.

 

2. Como agiam os moralistas no tempo de Jesus?

R. Agiam como cegos espirituais, pois achavam-se seguros e julgavam-se perfeitos.

 

3. Como pensavam os moralistas no tempo de Paulo?

R. Pensavam que podiam ser justificados diante de Deus através de suas obras morais e religiosas.

 

4. Como pensam hoje os moralistas?

R. Pensam e agem como religiosos. Muitos vêem no batismo a garantia de vida eterna.

 

5. Qual a única forma do homem ser justificado diante de Deus?

R. Pela fé em Jesus como Salvador.

 

AUXÍLIOS SUPLEMENTARES

 

Subsídio Teológico

 

“Três meios pelos quais Deus julga os homens

Essa tríplice forma do juízo divino baseia-se no princípio da justiça universal, que alcança todos os homens: judeus e gentios. Os judeus condenavam a pecaminosidade e a idolatria dos gentios, e por isso consideravam ter ‘prerrogativa moral’ para julgá-los, mas Paulo os coloca na mesma balança divina. Sabem fazer avaliações e distinções morais, mas não sabem aplicá-las à sua própria experiência.

1. Deus julga através da verdade (2.2-5). ‘Bem sabemos que o juízo de Deus é segundo a verdade’ (2.2). Que podemos entender nessa declaração? O julgamento de Deus é instituído aqui em razão dos pecados do paganismo gentio e do falho moralismo dos judeus em condenar os gentios. A questão do pecado é uma só para todos. Uma vez que tenha pecado, qualquer um incorre na condenação de Deus. Paulo declara que os gentios pecaram (1.18-32) e os judeus também. (2.17—3.8)[...]

2. Deus julga conforme as obras de cada um (2.6-11). ‘Deus retribuirá a cada um segundo o seu procedimento’. Esse princípio não é novo, pois tanto o Antigo quanto o Novo Testamento estão repletos de referências a esse princípio (Sl 62.12; Pv 24.12; Jr 10.10; Mt 16.27; 1 Co 3.8; Ap 2.23). Os judeus buscavam imunidade numa forma de ‘defesa especial’, baseada no privilégio racial. Porém, essa pretensão é rejeitada pela perfeita justiça divina que declara a sua culpabilidade. Deus é imparcial em seu juízo sobre o pecador, e independe de privilégios ou outra razão qualquer, pois cada homem será julgado por seus próprios atos. O homem é moralmente responsável, por isso deve ser julgado conforme suas obras pessoais.

3. Deus julga conforme a Lei (2.12-16). Há dois tipos de leis que regem o julgamento dos homens segundo o contexto sugere [...]: ‘todos os que pecaram sem lei’ (2.12), que diz respeito aos gentios que desconheciam a lei de Deus dada aos judeus; ‘todos os que com lei pecaram’ (2.12), refere-se aos judeus [...].” (CABRAL, E. Romanos: o Evangelho da Justiça de Deus. 7 ed., RJ: CPAD, 2003, p. 39-42.)