Lições Bíblicas CPAD

Jovens e Adultos

 

 

1º Trimestre de 2006

 

Título: Salvação e Justificação — Os pilares da vida cristã

Comentarista: Eliezer Lira

 

 

Lição 6: A consagração do crente

Data: 5 de Fevereiro de 2006

 

TEXTO ÁUREO

 

E ser-me-eis santos, porque eu, o Senhor, sou santo e separei-vos dos povos, para serdes meus(Lv 20.26).

 

VERDADE PRÁTICA

 

O homem espiritual está capacitado para relacionar-se bem com Deus, com a igreja e com a sociedade, tendo sempre como padrão de santidade divina a Bíblia.

 

LEITURA DIÁRIA

 

Segunda - Rm 8.14

Os filhos de Deus são guiados pelo Espírito

 

 

Terça - Rm 8.13

A vida no Espírito mortifica as obras da carne

 

 

Quarta - Rm 7.5,6

Os frutos da carne geram morte espiritual

 

 

Quinta - 1Ts 5.23

A santificação é tríplice: espírito, alma e corpo

 

 

Sexta - Gl 5.25

Viver e andar no Espírito são mandamentos divinos

 

 

Sábado - 1Pe 1.13-16

A santidade dos filhos obedientes

 

LEITURA BÍBLICA EM CLASSE

 

Romanos 8.1-13.

 

1 - Portanto, agora, nenhuma condenação há para os que estão em Cristo Jesus, que não andam segundo a carne, mas segundo o Espírito.

2 - Porque a lei do Espírito de vida, em Cristo Jesus, me livrou da lei do pecado e da morte.

3 - Porquanto, o que era impossível à lei, visto como estava enferma pela carne, Deus, enviando o seu Filho em semelhança da carne do pecado, pelo pecado condenou o pecado na carne,

4 - para que a justiça da lei se cumprisse em nós, que não andamos segundo a carne, mas segundo o Espírito.

5 - Porque os que são segundo a carne inclinam-se para as coisas da carne; mas os que são segundo o Espírito, para as coisas do Espírito.

6 - Porque a inclinação da carne é morte; mas a inclinação do Espírito é vida e paz.

7 - Porquanto a inclinação da carne é inimizade contra Deus, pois não é sujeita à lei de Deus, nem, em verdade, o pode ser.

8 - Portanto, os que estão na carne não podem agradar a Deus.

9 - Vós, porém, não estais na carne, mas no Espírito, se é que o Espírito de Deus habita em vós. Mas, se alguém não tem o Espírito de Cristo, esse tal não é dele.

10 - E, se Cristo está em vós, o corpo, na verdade, está morto por causa do pecado, mas o espírito vive por causa da justiça.

11 - E, se o Espírito daquele que dos mortos ressuscitou a Jesus habita em vós, aquele que dos mortos ressuscitou a Cristo também vivificará o vosso corpo mortal, pelo seu Espírito que em vós habita.

12 - De maneira que, irmãos, somos devedores, não à carne para viver segundo a carne,

13 - porque, se viverdes segundo a carne, morrereis; mas, se pelo Espírito mortificardes as obras do corpo, vivereis.

 

PONTO DE CONTATO

 

A Carta de Paulo aos Romanos ensina que todo conhecimento correto acerca de Deus nasce da obediência irrestrita aos mandamentos divinos. É impossível ao homem manter comunhão com o Criador à parte da submissão a sua santa lei. Nesta lição, comente com os alunos que estudaremos um tema repleto de contrastes: “carne e Espírito” (8.1,5); “corpo e espírito” (8.10); “morte e vida” (8.6); “aflição e glória” (8.18); “servidão e liberdade” (8.21); “acusação e justificação” (8.33). Estas antíteses (oposição entre duas palavras ou idéias) resumem-se em dois termos: pecado e santidade. O pecado traz como conseqüência: morte, aflição, servidão e acusação, enquanto a santidade, vida, glória e liberdade (8.13).

 

OBJETIVOS

 

Após esta aula, o aluno deverá estar apto a:

  • Definir o sentido bíblico do termo “carne”.
  • Descrever o processo da santificação.
  • Explicar a expressão “estar em Cristo”.

 

SÍNTESE TEXTUAL

 

Romanos 8.1-13 trata de três temas principais: a libertação e a autêntica função da lei (1-4): a antítese entre Espírito e carne (5-9): e as conseqüências de pertencer a Cristo (10-13). A expressão-chave do trecho acha-se em 2a: “Lei do Espírito da vida”.

No final do capítulo 7, Paulo pergunta: “Quem me livrará do corpo desta morte?” (v.24). No capitulo 8, ele responde: o Espírito, pois como afirma em 2 Coríntios 3.17: “Onde está o Espírito do Senhor, aí há liberdade”. O crente é liberto da lei do pecado e da morte pela “lei do Espírito de vida” (v.2). De 1 a 7 de Romanos, o termo grego “pneuma”, isto é, “espírito” aparece apenas cinco vezes (1.4,9; 2.29; 5.5; 7.6), mas no capítulo 8, vinte e duas! O propósito do apóstolo é evidente: o Espírito de Cristo traz transformação interior e libertação das amarras do pecado (v.2). O Espírito é chamado de: “Espírito de vida” (v.2); “o Espírito” (v.4); “Espírito de Deus” (vv.9,14); “Espírito de Cristo” (v.9); “Espírito de adoção” (v.15). O Espírito “habita” no crente (v.9); “vivifica” (v.11); “guia” (v.14); “testifica” (v.16); “ajuda” (v.26); “intercede” (v.26).

 

ORIENTAÇÃO DIDÁTICA

 

Professor, usaremos como recurso didático nesta lição, uma tabela que descreve cinco atos poderosos da santificação: separação do mal; separação para Deus; revestimento da plenitude de Deus; preparação para o arrebatamento e, tornar real a natureza divina no crente. Este recurso incrementa o tópico “A verdade sobre a Santificação”. Use este recurso no final do tópico.

 

 

COMENTÁRIO

 

INTRODUÇÃO

 

Com a expressão “portanto, agora” (Rm 8.1a), Paulo conclui o tema sobre o qual discorreu nos sete primeiros capítulos de sua Epístola aos Romanos: a graça e a justificação providas por Deus. A ênfase do presente capítulo está no ensino de que os filhos de Deus, em Cristo, estão livres da condenação (Rm 5.16,18).

Nos versículos 5 a 13, Paulo declara que a nossa salvação está garantida em razão da obra realizada pelo Espírito de Deus em nosso coração (Ef 1.13,14), produzindo, entre outras, a santificação em nosso ser (1Pe 1.2).

O Espírito, realizando a obra completa de Cristo, liberta-nos do pecado e de todos os seus malefícios; e, finalmente, vivificará inclusive nossos corpos quando o Senhor vier arrebatar a sua Igreja (v.11).

 

I. A NATUREZA DA CARNE

 

1. A natureza humana caída. O vocábulo “carne”, no original, ocorre muitas vezes nas epístolas paulinas. O termo, em geral, está associado aos prazeres sensuais e aos pecados ligados ao corpo (Rm 6.12-14; 7.5,23-25; 8.13). Aqui, no entanto, “carne” diz respeito ao mundo, à natureza humana caída e escrava de tudo que se opõe ao Espírito (Gl 5.16-25).

A carne isola o homem de tudo o que é espiritual (v.8) e engloba todas as formas de arrogância. Sempre que o “eu” aparece em oposição a Deus, ali está a carne. João esclarece-nos: a concupiscência da carne, a concupiscência dos olhos e a soberba da vida são opostas a Deus (1Jo 2.15-17).

2. Os que andam “segundo a carne”. Alguém afirmou, com muita propriedade, que “a tragédia básica da experiência humana caída é que um ser criado por Deus e para Deus, vive agora sem Deus”. Andar segundo a carne é a conseqüência desta tragédia. Não há méritos em viver alheio à vida de Deus (Ef 4.18), seguir os próprios pensamentos e inclinações (Is 53.6) de uma natureza que jaz em iniqüidade (Rm 7.24). Morto em delitos e pecados, o homem é tanto um rebelde quanto um fracassado (Ef 2.1-3). O ser humano nasce em pecado, existe em pecado e continua vivendo em pecado, em eterna rebelião contra Deus.

3. Os que andam “segundo o Espírito”. De acordo com o original, “inclinar-se” indica a ação total da personalidade humana (razão, vontade e sentimento) em sujeição à carne ou ao Espírito (vv.5-7). “Inclinar-se para as coisas do Espírito” é muito mais do que uma mera disposição mental. Trata-se de dispor a razão, a vontade e os sentimentos ao domínio do Espírito. É viver na direção do Espírito de Cristo (vv.9,10). O maior interesse do cristão deve ser as coisas do Espírito. Aquele que se inclina para o Espírito prioriza, acima de tudo, o seu relacionamento com Deus (Mt 6.33). Além de ter consciência do pecado, foge dele (Hb 12.1). Por fim, reconhece sua fraqueza e busca o auxílio do Espírito Santo (Jo 16.13; Rm 8.26,27).

 

II. A VERDADE SOBRE A SANTIFICAÇÃO

 

Nas Sagradas Escrituras, o termo santificar, significa “ser consagrado”, “santo”, “santificado”, “separado”. A palavra é usada para distinguir entre o santo e o profano e entre o especial e o vulgar (Êx 30.29,32,37; Lv 10.10). Quando esta qualidade é aplicada, afirma-se que este objeto, ou pessoa, é separado para o serviço a Deus (Lv 20.26 cf. Êx 40.9; Lv 11.44). A santificação é a ação do Espírito Santo na vida do crente, separando-o e purificando-o para adorar e servir ao Senhor (Tt 3.5-7; 2Pe 1.4). Por meio dela, o Espírito Santo aplica à vida do crente a justiça e a santidade de Cristo, com vistas ao seu aperfeiçoamento.

1. A santificação. A santificação envolve: a separação do crente em relação ao mundo e a sua completa dedicação ao serviço de Deus: “Assim, pois, se alguém se purificar a si mesmo destes erros, será utensílio para honra, santificado e útil ao seu possuidor, estando preparado para toda a boa obra” (2Tm 2.21). A vontade de Deus para a vida do crente é que este seja santo (1Ts 4.3,4). A Bíblia afirma que somos santificados tanto pelas Escrituras (Jo 15.3; Sl 119.9; Tg 1.23-25) quanto pelo sangue de Jesus (Hb 10.10,14; 1Jo 1.7). E que a santificação é uma obra da qual a Trindade participa: O Pai (Jo 15.1,2; 17.5-7); o Filho (Hb 10.10; 2.11) e o Espírito Santo (Rm 15.16; 1Co 6.11; Gl 5.22-25).

2. “Estar em Cristo”. Esta expressão ocorre cerca de seis vezes nas epístolas paulinas (Rm 8.39; 2Co 5.17; 2Tm 1.1,13; 2.1,10). A preposição “em”, no original, é usada para descrever o íntimo relacionamento entre o Pai e o Filho (Jo 10.38; 14.20) e a posição do crente regenerado “em Cristo” (Rm 6.11,23; 1Co 1.30).

“Estar em Cristo” é desfrutar da mais profunda comunhão espiritual com Jesus (1Co 1.30; Ef 1.3). É obter a mais completa segurança de salvação (Ef 1.3-14). “Estar em Cristo” significa também estar unido a Cristo; é fazer parte dEle. O próprio Jesus deixou a ilustração da videira e dos ramos para demonstrar esta união íntima e orgânica entre Ele e o seu povo (Jo 15.1-6). Há também a ilustração do corpo, cuja cabeça é Cristo (1Co 12.27). Se nEle permanecermos, nEle seremos glorificados. Se Ele morreu, morremos com Ele; se Ele ressuscitou, ressuscitamos com Ele (Rm 6.3-11; 8.11,17,29,30). Esta plena identificação com Cristo garante que, finalmente, seremos apresentados perfeitos, sem mácula, diante da sua glória (Jd v.24).

3. A nova vida. Segundo as Escrituras, o crente não apenas foi ressuscitado com Cristo (Rm 6.6-11; 1Pe 1.3,4), como também participa da natureza divina. Ele possui uma nova vida proveniente de Cristo e em Cristo. Portanto, ser cristão implica uma mudança radical de vida (Cl 1.13), que inclui o repúdio ao “velho eu” com todos os andrajos do pecado.

Como deixamos de uma vez por todas o velho homem, devemos também deixar de lado todo comportamento pertencente à vida passada. Nosso comportamento deve ser coerente com a nova vida que dEle recebemos. É o que nos ensina o Novo Testamento (Ef 4.17-32; Cl 3.5-17; Rm 8.1-13; Tt 3.3-7).

4. Santidade e novidade de vida. A santidade não isola o crente do convívio social; pelo contrário: é demonstrada em nossos relacionamentos cotidianos (1Co 1.2; 10.31; Cl 3.12; 1Pe 1.15). Entretanto, não basta deixarmos a conduta da vida passada; é necessário passar a viver a nova vida em Cristo (Rm 6.4). Isto significa que não é suficiente deixar de mentir; é necessário dizer a verdade (Ef 4.25-32). Não basta despojar-se do “velho homem”; é essencial vestir-se do novo (Ef 4.22,24). A santificação, por conseguinte, é viver de acordo com a nova vida que recebemos. Isso exige esforço por parte do crente. Muitos imperativos bíblicos acionam a responsabilidade humana: Operai (Fp 2.12,13); buscai (1Ts 4.1); mortificai (Cl 3.5); andai (1Ts 4.1-5); fugi (2Tm 2.22); segui (Hb 12.14).

 

CONCLUSÃO

 

A Palavra de Deus é enfática em afirmar que o homem que depende unicamente dos seus esforços para se santificar está fatalmente condenado ao fracasso. Se o homem não estiver em Cristo e não contar com a presença do Espírito Santo para suplantar suas tendências carnais, continuará resistindo a Deus; continuará distante do caminho da santificação e fora da dimensão do Espírito Santo.

Você já vive a nova vida vitoriosa em Cristo? Ele é o Senhor de todo o seu viver? Pense nisso. E, agora mesmo, tome uma firme resolução, a fim de desfrutar das bênçãos provenientes da santificação.

 

VOCABULÁRIO

 

Andrajo: Trapo, farrapo. Pedaço de pano velho ou usado.
Delito: Culpa; falta; pecado.
Mérito: Merecimento; louvável.
Repudiar: Rejeitar; repelir; recusar; abandonar.
Tragédia: Acontecimento que desperta lástima ou horror; trágico; funesto; sinistro.

 

EXERCÍCIOS

 

1. O que é a santificação?

R. É a ação do Espírito Santo na vida do crente, separando-o e purificando-o para adorar e servir ao Senhor.

 

2. Quais os processos que envolvem a santificação na vida do crente?

R. “Estar em Cristo”; nova vida; santidade e novidade de vida.

 

3. O que significa “estar em Cristo”?

R. Significa desfrutar da mais profunda comunhão espiritual com Jesus. É obter mais completa segurança de salvação (Ef 1.3-14).

 

4. Quais as implicações da santificação na vida do crente?

R. Desfrutar de uma íntima comunhão com Jesus; ter a segurança da salvação.

 

5. Santificar-se significa isolar-se? Justifique sua resposta.

R. Não. Por conseguinte, é viver de acordo com a nova vida que recebemos.

 

AUXÍLIOS SUPLEMENTARES

 

Subsídio Teológico

 

“O empecilho para a obra do Espírito (Rm 8.5-8)

Paulo demonstrou, nos versículos 1-4, que ninguém pode ter santidade sem primeiro receber a justificação; agora, nos versos 5-11, revela que se alguém não vive em santidade, não recebeu a justificação. Noutras palavras, uma vida santa é a evidência prática de alguém que foi regenerado para com Deus. A pessoa verdadeiramente salva não vivera ‘na carne’, porque a carne é inimiga do Espírito.

1. O princípio. ‘Porque os que são segundo a carne inclinam-se para as coisas da carne; mas os que são do Espírito, para as coisas do Espírito’. A palavra ‘carne’ representa a natureza antiga e pecaminosa que não recebeu a renovação e vive segundo o homem não regenerado. Pode ser considerada a ‘baixa natureza’ ou a ‘natureza animalesca’. A expressão abrange tanto a totalidade da vida não renovada e que vive longe de Deus, como todas as atividades em que o eu-próprio é o centro. Quando alguém coloca Deus no centro da sua vida, passa a andar segundo o Espírito.

2. O resultado. ‘Porque a inclinarão da carne é morte; mas a inclinação do Espírito é vida e paz’. O termo ‘morte’ se refere não apenas à morte física, mas a separação presente e futura de Deus, fonte de toda vida espiritual.

3. A razão. ‘Porquanto a inclinação da carne é inimizade contra Deus, pois não é sujeita à lei de Deus, nem, em verdade, o pode ser’. O homem carnal, para quem o eu-próprio é a lei suprema, naturalmente tem ressentimento contra Deus e sua bendita vontade [...]” (PEARLMAN, M. Epístolas paulinas: Semeando as doutrinas cristãs. Coleção Myer Pearlman. RJ: CPAD, 1998, pp.28,29).