Lições Bíblicas CPAD

Jovens e Adultos

 

 

1º Trimestre de 2006

 

Título: Salvação e Justificação — Os pilares da vida cristã

Comentarista: Eliezer Lira

 

 

Lição 13: O amor é a essência da vida cristã

Data: 26 de Março de 2006

 

TEXTO ÁUREO

 

Portanto, cada um de nós agrade ao seu próximo no que é bom para edificação(Rm 15.2).

 

VERDADE PRÁTICA

 

A salvação em Cristo Jesus leva-nos a agir como verdadeiros cidadãos dos céus e a promover o crescimento do Reino de Deus.

 

LEITURA DIÁRIA

 

Segunda - Tt 1.15

Tudo é puro para os puros

 

 

Terça - 1 Co 8.11,12

Devemos respeitar a consciência do nosso irmão

 

 

Quarta - Gl 3.28

Em Cristo, não há judeu nem grego

 

 

Quinta - Rm 15.1

Os fortes devem suportar os fracos

 

 

Sexta - 1 Co 9.22,23

Fazendo-se fraco para ganhar os fracos

 

 

Sábado - 1 Tm 1.19

Dois grandes valores cristãos: a fé e a consciência

 

LEITURA BÍBLICA EM CLASSE

 

Romanos 14.13-23; 15.1-3.

 

Romanos 14

13 - Assim que não nos julguemos mais uns aos outros; antes, seja o vosso propósito não pôr tropeço ou escândalo ao irmão.

14 - Eu sei e estou certo, no Senhor Jesus, que nenhuma coisa é de si mesma imunda, a não ser para aquele que a tem por imunda; para esse é imunda.

15 - Mas, se por causa da comida se contrista teu irmão, já não andas conforme o amor. Não destruas por causa da tua comida aquele por quem Cristo morreu.

16 - Não seja, pois, blasfemado o vosso bem;

17 - porque o Reino de Deus não é comida nem bebida, mas justiça, e paz, e alegria no Espírito Santo.

18 - Porque quem nisto serve a Cristo agradável é a Deus e aceito aos homens.

19 - Sigamos, pois, as coisas que servem para a paz e para a edificação de uns para com os outros.

20 - Não destruas por causa da comida a obra de Deus. É verdade que tudo é limpo, mas mal vai para o homem que come com escândalo.

21 - Bom é não comer carne, nem beber vinho, nem fazer outras coisas em que teu irmão tropece, ou se escandalize, ou se enfraqueça.

22 - Tens tu fé? Tem-na em ti mesmo diante de Deus. Bem-aventurado aquele que não se condena a si mesmo naquilo que aprova.

23 - Mas aquele que tem dúvidas, se come, está condenado, porque não come por fé; e tudo o que não é de fé é pecado.

 

Romanos 15

1 - Mas nós que somos fortes devemos suportar as fraquezas dos fracos e não agradar a nós mesmos.

2 - Portanto, cada um de nós agrade ao seu próximo no que é bom para edificação.

3 - Porque também Cristo não agradou a si mesmo, mas, como está escrito: Sobre mim caíram as injúrias dos que te injuriavam.

 

PONTO DE CONTATO

 

Na lição anterior, estudamos acerca da exortação bíblica que orienta os mais fortes na fé a acolher os crentes mais fracos. A fraqueza a que Paulo se refere, não está relacionada a problemas morais ou aos alimentos sacrificados aos ídolos, combatidos severamente pelo apóstolo na igreja em Corinto (1 Co 5.1-5; 10). Portanto, os textos estudados não abrem concessão a pecados morais, mas orienta concernente à atitude que o crente maduro deve assumir diante dos irmãos que fazem determinadas restrições a certos tipos de alimentos. Nesta lição, o tema é retomado e prolongado tendo como fundamento à lei do amor e a doutrina da fé (vv.22,23).

 

OBJETIVOS

 

Após esta aula, o aluno deverá estar apto a:

  • Contrapor o amor cristão ao individualismo moderno.
  • Explicar o amor como mandamento divino.
  • Relacionar a liberdade em Cristo ao amor fraterno.

 

SÍNTESE TEXTUAL

 

Os fortes na fé são exortados a não ferir a consciência dos débeis. Estes dois grupos além de estarem divididos (14.2), julgavam uns aos outros impedindo o fluxo da comunhão entre eles (v.13; 14.3,4). Paulo, embora admita que faça parte do primeiro grupo, recomenda que os fortes na fé suportem as fraquezas do outro grupo (15.1). A admoestação paulina amplia o conceito tratado em 1 Coríntios 10.23. Àqueles que são maduros na fé, não devem usar de sua liberdade e consciência cristã contra os mais fracos: “Não destruas por causa da tua comida aquele por quem Cristo morreu”. Pelo contrário, com base na lei do amor, deve considerar a fragilidade destes (14.15). Portanto, a lei da liberdade em Cristo, não substitui ou antecede a lei do amor, mas segue a após e a complementa.

 

ORIENTAÇÃO DIDÁTICA

 

Professor, dois termos se destacam nesta lição: individualismo e amor. Os dois vocábulos sobressaem não em função de suas correspondências, mas de seus contrastes.

A visão individualista é unidimensional, isto é, de uma única dimensão — o próprio indivíduo. O amor, entretanto, é pluridimensional, ou seja, possui várias dimensões — Deus, o indivíduo e o próximo. Em razão de esta lição tratar do amor, apresente aos alunos a visão unidimensional do individualismo, segundo a tabela abaixo. Na coluna da esquerda, apresentamos alguns termos próprios do individualismo, enquanto, na coluna seguinte, o conceito das palavras observadas.

 

 

COMENTÁRIO

 

introdução

 

A vida humana consiste em relacionamentos. Tudo o que o homem é reflete-se em seu modo de lidar com as pessoas. Por isto, a Bíblia ensina como o cristão deve viver em sociedade. Já nascido de novo, o crente deve viver de acordo com um padrão de comportamento pautado no amor. Não levando em consideração os seus próprios interesses (1 Co 13.5), pois o amor de Cristo contrapõe-se ao individualismo egocêntrico tão cultuado nos dias atuais.

 

I. O AMOR CRISTÃO

 

1. Uma vida nova. É impossível falar do salvo em Cristo sem se referir ao verdadeiro amor cristão. Estar arraigado no Filho de Deus significa, antes de tudo, achar-se arraigado no amor (Cl 2.7; Ef 3.17) que, juntamente com a fé e a esperança, faz parte da essência da vida cristã (1 Co 13.13; 1 Ts 1.3; Cl 1.4). No amor de Deus, concretiza-se a nova vida em Cristo.

2. Deus nos amou primeiro. O amor com o qual os cristãos devem amar-se uns aos outros é um reflexo do amor de Deus em Cristo. Há na Bíblia várias expressões exortando os crentes a amarem-se uns aos outros como Cristo nos amou (Fp 2.1,2,5; Ef 5.2,25; Rm 12.1,9-21; 1 Jo 4.8,16).

3. Edificados em amor. Amar uns aos outros é um mandamento do Senhor Jesus (Jo 15.12). Assim, todos saberão que somos seus discípulos (Jo 13.35). O amor é um elemento essencial para a vida e o crescimento da Igreja (Ef 4.15,16); é o vínculo da perfeição (Cl 3.14). O amor é mais importante do que qualquer discussão. É o amor que mantém a unidade da Igreja (Cl 2.2), o corpo de Cristo. Este conceito permeia todo o ensino bíblico. O apóstolo chama a igreja à responsabilidade mútua: todos devemos formar uma perfeita unidade. Portanto, que o amor de uns para com os outros seja colocado a serviço da edificação da Igreja. Nada é mais importante que o amor na Igreja de Cristo (Ef 4.13; Cl 3.14).

 

II. O INDIVIDUALISMO É PREJUDICIAL AO AMOR

 

1. Individualismo. O individualismo é o sistema egocêntrico no qual o ser humano opta por viver exclusivamente para si. Nada pode ser mais contrário ao ensino bíblico! Bastante adotado atualmente, o individualismo tem diferentes manifestações: o egoísmo, a inimizade, o ódio (Rm 1.29). Logo, é fácil entender por que a Bíblia o repele tão fortemente, colocando-o em sua “lista de vícios” (Ef 4.31; Cl 3.5).

2. O contra-ponto. O vivar cristão tem como alvo amar ao próximo (Jo 13.35), considerar os outros superiores a si mesmo (Fp 2.3) e abdicar de seus direitos em prol do bem-estar alheio (Fp 2.4). João também é enfático ao afirmar: quem não ama não é nascido de Deus (1 Jo 4.7,8). Se alguém nasceu de novo, ama ao próximo assim como Cristo nos amou. É algo imperativo! A Bíblia exorta-nos a ter o mesmo sentimento de Cristo (Fp 2.5): humildade, amor e altruísmo (Rm 15.3).

 

III. LIDERDADE CRISTÃ

 

1. Agindo sempre com sabedoria. A igreja em Roma tinha dois grupos: os mais fracos e os mais fortes na fé. Em função disto, Paulo dirige-se a ambos com palavras sábias e precisas a respeito de um assunto que os dividia — a ingestão de certos alimentos tidos como imundos.

O apóstolo Pedro, como judeu, enfrentou problemas nessa área até que veio a compreender devidamente o plano de Deus (At 10.9-15).

Antes de entrar no assunto, Paulo evoca sua autoridade apostólica: “Eu sei e estou certo, no Senhor Jesus, que nenhuma coisa em si mesma é imunda...” (Rm 14.14). Dessa forma, todos podiam estar tranqüilos: tantos os fortes quanto os fracos na fé, pois esta palavra vinha de alguém que possuía, de fato, autoridade. Antes de se converter, era o apóstolo um judeu nacionalista e um fariseu nitidamente legalista. Mas agora, salvo em Jesus, compreende ele: o Reino de Deus não é comida nem bebida mas justiça, paz, e alegria no Espírito Santo (Rm 14.17). As proibições dietéticas da Lei de Moisés, por conseguinte, funcionavam apenas como sombras dos bens futuros. Com a chegada de Cristo, já não tinham razão de ser; não passavam de rudimentos.

2. A Igreja e o Judaísmo. A Igreja de Cristo não está obrigada a cumprir as regras do judaísmo, pois o Senhor Jesus, através de sua morte, libertou-nos da maldição da Lei. Aliás, o próprio filho de Deus ensinou: o que realmente importa na lei são as reivindicações de Deus quanto à justiça, à misericórdia e à fé (Mt 23.23 cf. Mq 6.8; Mt 5.17; Rm 10.4).

Aos crentes que assimilavam o ensino do Novo Testamento, Paulo chama-os de fortes. Apesar disso, não devem eles prevalecer sobre os mais fracos, vindo a desprezá-los por não haverem, ainda, alcançado o pleno entendimento do plano de Deus. Ora, se os fortes não devem desprezar os fracos, estes por sua vez não devem censurar os fortes. Pois a obrigação de ambos é se amarem como Cristo nos amou e entregou-se por nós (Rm 14.13).

Há que se levar em conta sempre o “bem maior” — o Reino de Deus! Esta é a bússola do crente que vai guiá-lo em suas decisões: o bem-estar do corpo de Cristo!

3. O Reino de Deus. Cristo veio ao mundo com a finalidade de tornar os homens cidadãos do seu reino (Mc 1.14,15). Por conseguinte, o cristão é um cidadão do Reino de Deus (Cl 1.13), onde tudo é diferente (Jo 18.36), inclusive a maneira de se pensar (1 Co 2.16). Logo, o meu modo de ser já não importa. Devemos ver tudo sob a perspectiva do Reino. O Rei dos reis exorta-nos a buscar o Reino de Deus e a sua justiça, a fim de que as demais coisas nos sejam acrescentadas (Mt 6.33). Portanto, o comer, o vestir-se, o ter um teto para se abrigar, embora importantes à nossa sobrevivência, são postos em segundo plano.

4. Individualismo x Reino. A partir do momento que o cristão se dá conta de que participa do Reino de Deus (1 Pe 2.9,10), seus esforços começarão a ser investidos no crescimento deste Reino e na glorificação do Rei dos reis e Senhor dos Senhores.

O salvo busca agradar ao próximo, promovendo-lhe a edificação (Rm 14.19; 15.2), em detrimento do seu próprio bem-estar. Por esse motivo, no Reino de Deus não há lugar para o individualismo, pois o Senhor Jesus é tudo em todos.

5. Liberdade x amor. Embora o cristão não seja obrigado a observar as regras dietéticas da lei de Moisés, Paulo exorta-nos a não agir de forma individualista. Ele insta-nos a que visemos, em primeiro plano, o bem-estar espiritual de nossos irmãos, a fim de que estes não se escandalizem com as nossas atitudes. Pois a nossa liberdade não pode escandalizar aqueles por quem Cristo morreu. Aliás, o próprio Senhor deixa-nos uma forte exortação neste sentido (Mt 18.6,7).

É claro que a liberdade cristã não nos autoriza a viver de forma desordenada e a pecar. Afinal, somos um povo santo; devemos andar como Cristo andou (1 Jo 2.6).

O amor, portanto, leva-nos a considerar as dificuldades dos mais fracos. Se não agirmos assim, estaremos pecando por não amar nossos irmãos como Cristo nos amou e entregou-se por todos nós.

 

CONCLUSÃO

 

Quanto mais do amor de Deus tivermos em nossos corações e maturidade espiritual alcançarmos do Senhor, mais cuidado devemos ter em nossos relacionamentos com os nossos irmãos e mais dispostos devemos estar para renunciar a tudo que for preciso, a fim de melhor servir ao Senhor à medida que convivemos com os santos para a glória de Deus.

Você ama realmente seus irmãos em Cristo? Você os escandaliza com as suas atitudes, seu modo de viver e de agir? Como cidadãos dos céus, como tem você se portado?

 

VOCABULÁRIO

 

Arraigado: Enraizado, radicado, aferrado.
Outorgado: Que teve concessão; aprovado, permitido, concedido.
Vicário: Aquele que assume o lugar de outrem; substituto.

 

BIBLIOGRAFIA SUGERIDA

 

ARRINGTON, F. L.; STRONSTAD, R. Comentário Bíblico Pentecostal. RJ: CPAD, 2003.

 

EXERCÍCIOS

 

1. O que é o individualismo?

R. É o sistema egocêntrico no qual o ser humano opta por viver exclusivamente para si.

 

2. Qual o alvo do viver cristão?

R. Amar ao próximo, considerando os outros superiores a si mesmo em prol do bem-estar alheio.

 

3. Como devemos nos portar em relação aos mais fracos na fé?

R. Não desprezando-os; amando-os.

 

4. De que forma devemos usar a nossa liberdade cristã?

R. Com santidade e amor, de modo a não escandalizar os irmãos.

 

5. Que atitude devemos ter em relação ao Reino de Deus?

R. Atitude de unidade e amor.

 

AUXÍLIOS SUPLEMENTARES

 

Subsídio Doutrinário

 

“Os Limites da nossa Liberdade (14.13-21)

Enquanto o primeiro estágio do argumento de Paulo tratou de atitudes de julgamento, o segundo incita o ouvinte a considerar que tipo de ação é apropriado numa comunidade formada pela aceitação graciosa de Deus de todos os crentes.

Os termos tropeço e escândalo (v.13) são usados de modo sinônimo como metáforas para algo que faz alguém perder a fé. O ‘tropeço’ é algo que pode fazer alguém tropeçar; um ‘escândalo’, que se referia originalmente ao pedaço de madeira que mantinha aberta a armadilha para animais, é usado no Antigo e Novo Testamento como algo que poderia levar a pessoa a pecar. A imagem é clara: O exercício aberto de liberdade pelos fortes apresenta uma tentação para os fracos, o que poderia resultar em queda no pecado. Para ouvir a força da combinação destas palavras, temos de recordar o uso destes dois conceitos em Romanos 9.33, onde aparecem na citação de Isaías 8.14. Lá, o tropeço (‘uma pedra que os faz cair’) se refere a Cristo. Os judeus tropeçaram em Cristo, ou seja, eles ficaram ofendidos com Ele, e ao rejeitarem Jesus como Messias eles rejeitaram a iniciativa salvadora de Deus. Semelhantemente, em Romanos 14 Paulo exorta os gentios a evitar qualquer ação que possa levar outros não observar certos dias santos.

[...] Partindo da premissa de que a consciência individual desempenha um papel determinante para a conduta ética do indivíduo, pelo menos duas implicações ocorrem para os fortes:

1) A consciência dos fracos não deve ser menosprezada ou desconsiderada, mas antes levada em conta por causa do mandamento do amor. Comer na frente de alguém que considera a prática errada e cometer o engano de colocar o princípio da liberdade na frente do princípio do ágape.

2) É não apenas ofensivo, mas potencialmente destrutivo os fortes, desconsiderarem os sentimentos dos fracos.” (Van Johnson. Romanos. In ARRINGTON, F. L.; STRONSTAD, R. Comentário Bíblico Pentecostal. RJ: CPAD, 2003, pp.907-8).