Lições Bíblicas CPAD

Jovens e Adultos

 

 

4º Trimestre de 2006

 

Título: As verdades centrais da Fé Cristã

Comentarista: Claudionor Corrêa de Andrade

 

 

Lição 1: A importância da Doutrina Bíblica para a vida cristã

Data: 1 de Outubro de 2006

 

TEXTO ÁUREO

 

Todo aquele que prevarica e não persevera na doutrina de Cristo não tem a Deus; quem persevera na doutrina de Cristo, esse tem tanto o Pai como o Filho(2 Jo 1.9).

 

VERDADE PRÁTICA

 

O estudo da autêntica doutrina bíblica auxilia o crente a ter uma vida espiritual abundante, habilitando-o a ser uma poderosa testemunha de Cristo.

 

LEITURA DIÁRIA

 

Segunda - Pv 4.2

A doutrina bíblica é boa

 

 

Terça - Pv 13.14

A doutrina bíblica é fonte de vida

 

 

Quarta - Mt 7.28

A doutrina bíblica é admirável

 

 

Quinta - Jo 7.16

A doutrina bíblica é divina

 

 

Sexta - 1 Co 14.8

A doutrina bíblica é necessária

 

 

Sábado - 1 Tm 6.3

A doutrina bíblica é única

 

LEITURA BÍBLICA EM CLASSE

 

ATOS 2.42-47.

 

42 - E perseveravam na doutrina dos apóstolos, e na comunhão, e no partir do pão, e nas orações.

43 - Em cada alma havia temor, e muitas maravilhas e sinais se faziam pelos apóstolos.

44 - Todos os que criam estavam juntos e tinham tudo em comum.

45 - Vendiam suas propriedades e fazendas e repartiam com todos, segundo cada um tinha necessidade.

46 - E, perseverando unânimes todos os dias no templo, e partindo o pão em casa, comiam juntos com alegria e singeleza de coração,

47 - louvando a Deus, e caindo na graça de todo o povo. E todos os dias acrescentava o Senhor à igreja aqueles que se haviam de salvar.

 

PONTO DE CONTATO

 

Caro professor, finalmente chegamos ao último trimestre de 2006. Ao longo dos três anteriores, estudamos valiosíssimas lições: Salvação e Justificação, Heresias e Modismos, e As Doutrinas Bíblicas Pentecostais. Para fecharmos o ano com “chave de ouro”, examinaremos As Verdades Centrais da Fé Cristã. Este grupo de assuntos, relacionado à Teologia Sistemática, será tratado de acordo com a perspectiva pentecostal-ortodoxa. As referidas lições versarão sobre: Bibliologia, Deus, Anjos, Homem, Pecado, Cristo, Espírito Santo, Salvação, Igreja, e Últimas Coisas.

Em santa oração, reverência às Escrituras, e ao excelso nome de nosso Senhor Jesus Cristo, cantemos a exemplo do salmista: “...magnificaste acima de tudo o teu nome e a tua palavra” (Sl 138.2 - ARA).

 

OBJETIVOS

 

Após esta aula, o aluno deverá estar apto a:

  • Conceituar o termo doutrina de acordo com o étimo bíblico.
  • Distinguir doutrina de costumes.
  • Explicar a necessidade da doutrina.

 

SÍNTESE TEXTUAL

 

O termo “doutrina”, nos textos de Dt 32.2; Jó 11.4 e Pv 4.2, é a tradução do hebraico leqah, que significa “ensino”, “aprendizagem” ou “poder de persuasão” de quem ensina (Pv 16.21). Nas páginas do Novo Testamento, a palavra grega mais empregada é didachē, cujo sentido é “instrução”, “ensino” ou “doutrina” (Mc 1.22,27; 11.28; Jo 7.16,17; Mt 22.33). A igreja cristã primitiva usava o vocábulo didachē para referir-se “a doutrina dos apóstolos” (At 2.42), ou a “doutrina do Senhor” (At 13.12), que era, na verdade, a exposição do evangelho de Cristo. O apóstolo Paulo também usou o termo diversas vezes referindo-se ao conjunto de ensinos e crenças que compunham a pregação cristã primitiva (Rm 6.17; 16.17; Ef 6.4; 1 Tm 1.3; 4.16; 6.3). Essa mesma tradição, chamada posteriormente de “kerygma” pelos teólogos, é mencionada na teologia paulina como “a pregação (kerygma) de Jesus Cristo, conforme a revelação do mistério que desde tempos eternos esteve oculto” (Rm 16.25; 1 Co 1.21; 2.4; 15.14). Segundo o apóstolo João, esse arcabouço de ensinos constitui a “doutrina de Cristo” (2 Jo 1.9). A doutrina, portanto, é o conjunto de ensinos e crenças que constituem o cânon de fé e prática do cristão.

 

ORIENTAÇÃO DIDÁTICA

 

Caro professor, a Teologia pode ser comparada a um edifício de cinco andares. Cada andar, por sua vez, possui suas respectivas divisões e ambientes, mas todos igualmente formam o mesmo edifício. De modo análogo, a Teologia, em sentido restrito, pode ser classificada em cinco divisões interdependentes. Assim, à medida que se conhece uma disciplina teológica, esta favorecerá a compreensão da seguinte. Portanto, apresente aos alunos o “Edifício Teologia”. Explique que no primeiro andar estuda-se os textos originais da Bíblia; no segundo, o desenvolvimento histórico das doutrinas; no terceiro, a teologia do Antigo e do Novo Testamento; no quarto, alguns dos temas tratados nesta lição; no quinto, aplica-se ao ministério cristão os resultados das investigações anteriores, como por exemplo, na pregação ou homilética. Ensine aos alunos que as lições ministradas encontram-se no 4o andar do “Edifício Teologia”, a saber: Bibliologia, Teontologia, Angelologia, Antropologia, Hamartiologia, Cristologia, Pneumagiologia, Soteriologia, Eclesiologia e Escatologia.

 

COMENTÁRIO

 

introdução

 

Palavra Chave

Doutrina: Conjunto de ensinos e crenças que constituem o cânon de fé e prática do cristão.

 

Qual o segredo do avanço irresistível da Igreja Primitiva? Já nos capítulos iniciais dos Atos dos Apóstolos, constatamos algo de suma importância. Mesmo não possuindo uma fórmula mágica de administração, a Igreja precisou de apenas três décadas para chegar aos pontos mais distantes do Império Romano.

Consolidados no ensino da Palavra de Deus, mantinham-se os cristãos firmes na comunhão, no partir do pão e nas orações. Em cada alma havia temor e reverência. E muitas eram as maravilhas que o Senhor operava por intermédio deles. Ao contrário do que pensam alguns estudiosos, a Igreja do Pentecostes não era piegas nem emocional; era bíblica e teologicamente cristocêntrica.

A fim de nos alicerçarmos no ensino dos apóstolos e dos profetas, entraremos a estudar, a partir deste domingo, as doutrinas fundamentais de nossa fé. E a cada lição constataremos: sem a instrução da Palavra de Deus, o avivamento é impossível.

 

I. O QUE É A DOUTRINA BÍBLICA

 

Ao contrário da filosofia, a doutrina cristã não se perde em especulações. Se por um lado, conduz-nos a conhecer mais intimamente a Deus; por outro, constrange-nos a ter uma vida santa e irrepreensível. Andrew Bonar, ao destacar-lhe a importância em nosso cotidiano, foi enfático: “Doutrina é coisa prática, visto que desperta o coração”.

1. Definição. A doutrina é um conjunto de princípios que, tendo como base as Sagradas Escrituras, orienta o nosso relacionamento com Deus, com a Igreja e com os nossos semelhantes. Ela pode ser definida, ainda, como ensino da Bíblia. Este, contudo, tem de ser persistente, sistemático e ordenado, induzindo os santos a se inteirarem de todo o conselho de Deus (At 20.27).

2. Objetivos. O principal objetivo da doutrina bíblica é aprofundar o nosso conhecimento de Deus (Os 6.3). Se não o conhecermos experimental e redentivamente, como haveremos de colocar-nos a seu serviço? (1 Sm 3.7). O Israel do Antigo Testamento caiu na apostasia por não conhecer a Jeová. Através de Oséias, lamenta o amoroso Senhor: “O meu povo foi destruído, porque lhe faltou o conhecimento” (Os 4.6).

De igual modo, visa a doutrina bíblica à perfeição moral e espiritual do ser humano. Escrevendo ao jovem pastor Timóteo, o apóstolo Paulo é mais do que claro; é incisivo: “Para que o homem de Deus seja perfeito, e perfeitamente instruído para toda a boa obra” (2 Tm 3.17). Ideal inatingível? Se contarmos apenas com as nossas próprias forças, jamais atingiremos semelhante padrão. No entanto, se nos entregarmos à graça de Nosso Senhor, nossa vereda refulgirá de tal forma que viremos a resplandecer como os astros no firmamento (Pv 4.18; Dn 12.3).

3. Doutrina e costumes. Doutrina não são costumes. Todos já ouvimos essa frase. No entanto, a boa doutrina, quando corretamente interpretada, gera costumes bons e sadios. Conseqüentemente, um povo que ignora as verdades bíblicas com facilidade assimilará os costumes do Egito e de Canaã (Lv 18.3). Foi o que ocorreu com os israelitas: durante a peregrinação no deserto, imitaram os egípcios; na Terra Prometida, os cananeus. Eis porque somos instados a não amar o mundo (1 Jo 2.15).

Por conseguinte, quanto mais doutrinados forem os crentes, mais os seus costumes conformar-se-ão à Palavra de Deus. Al Martin é positivo: “A finalidade para a qual Deus instrui a mente é para que Ele possa transformar a vida”. No Salmo 119, pergunta Davi: “Como purificará o jovem o seu caminho?”. Responde o salmista: “Observando-o conforme a tua palavra” (Sl 119.9).

Não podemos, portanto, dissociar os bons costumes da doutrina. Como aqueles dependem desta, logo: a boa doutrina gera, necessariamente, os bons costumes.

 

II. A NECESSIDADE DA DOUTRINA

 

Há cristãos que, menosprezando a doutrina bíblica, alegam: “O importante não é a teoria; e, sim: a prática”. Entretanto, quem disse que a doutrina bíblica é meramente teórica? Ela é a vontade de Deus. E, como tal, deve ser posta em prática. Aos filhos de Israel, ordena o Senhor: “E estas palavras, que hoje te ordeno, estarão no teu coração; e as intimarás a teus filhos, e delas falarás assentado em tua casa, e andando pelo caminho, e deitando-te e levantando-te. Também as atarás por sinal na tua mão e te serão por testeiras entre os teus olhos. E as escreverás nos umbrais de tua casa, e nas tuas portas” (Dt 6.6-9).

Vejamos por que a doutrina bíblica é necessária.

1. A doutrina bíblica proporciona-nos a salvação em Cristo. Paulo instrui ao seu jovem filho na fé: “Tem cuidado de ti mesmo e da doutrina: persevera nestas coisas; porque, fazendo isto, te salvarás, tanto a ti mesmo como aos que te ouvem” (1 Tm 4.16).

2. A doutrina bíblica santifica-nos. Em sua oração sacerdotal, refere-se o Cristo ao poder santificador da Palavra de Deus: “Dei-lhes a tua palavra, e o mundo os aborreceu, porque não são do mundo, assim como eu não sou do mundo. Não peço que os tires do mundo, mas que os livres do mal. Não são do mundo, como eu do mundo não sou. Santifica-os na verdade: a tua palavra é a verdade” (Jo 17.14-17).

3. A doutrina bíblica torna-nos sábios. Timóteo, instruído por sua mãe, Eunice, e por sua avó, Lóide, veio a tornar-se um dos maiores obreiros do Novo Testamento. Jovem ainda, veio ele a ser considerado um sábio, conforme lhe escreve Paulo: “E que desde a tua meninice sabes as sagradas letras, que podem fazer-te sábio para a salvação, pela fé que há em Cristo Jesus” (2 Tm 3.15).

Enfim, é a doutrina bíblica imprescindível para o nosso crescimento na vida cristã. Sua necessidade pode ser constatada tanto coletiva quanto individualmente. William S. Plumer analisa a eficácia da doutrina bíblica na vida cristã: “Doutrinas fracas não são páreo para tentações fortes”.

 

III. A DOUTRINA BÍBLICA E O SERVIÇO CRISTÃO

 

Infelizmente, há obreiros que, no ímpeto de evangelizar, não se aplicam a aprender a doutrina bíblica. Acham que o ensino sistemático das Sagradas Escrituras é perda de tempo. Deveriam eles atentar a esta recomendação de Charles Spurgeon: “Os homens, para serem verdadeiramente ganhos, precisam ser ganhos pela verdade”. Vejamos por que a doutrina bíblica é importante ao serviço cristão.

1. Na evangelização. Na divulgação do Evangelho, acha-se implícito o ensino da doutrina bíblica, conforme podemos inferir da Grande Comissão que nos confiou o Senhor Jesus: “Ide, portanto, fazei discípulos de todas as nações, batizando-os em nome do Pai, e do Filho, e do Espírito Santo; ensinando-os a guardar todas as coisas que vos tenho ordenado. E eis que estou convosco todos os dias até à consumação do século” (Mt 28.19,20 - ARA). A evangelização pressupõe, essencialmente, a presença da doutrina bíblica.

2. Na instrução dos santos. Paulo jamais se mostrou remisso quanto à doutrinação da Igreja de Cristo. Em Trôade, ministrou aos irmãos até altas horas: “No primeiro dia da semana, estando nós reunidos com o fim de partir o pão, Paulo, que devia seguir viagem no dia imediato, exortava-os e prolongou o discurso até à meia-noite” (At 20.7,8 - ARA). Nem o incidente com o jovem Êutico lhe arrefeceu o ardor doutrinário: “Subindo de novo, partiu o pão, e comeu, e ainda lhes falou largamente até ao romper da alva” (At 20.11 - ARA).

3. Na defesa da santíssima fé. Somente poderemos defender a santíssima fé se nos dedicarmos com afinco ao estudo da doutrina bíblica: “Antes, santificai a Cristo, como Senhor, em vosso coração; e estai sempre preparados para responder com mansidão e temor a qualquer que vos pedir a razão da esperança que há em vós” (1 Pe 3.15).

Está você preparado para defender a sua fé e a apresentar as razões da esperança que temos em Cristo?

 

CONCLUSÃO

 

Enfatizando a importância das doutrinas bíblicas, afirmou Joseph Irons: “Abracemos toda a verdade ou renunciemos totalmente ao cristianismo”. O que isto significa? Não podemos acreditar em algumas doutrinas, e desacreditar em outras. Haveremos de receber toda a verdade conforme no-la confiou o Senhor em sua Palavra: integralmente. Sem doutrina, a vida espiritual é impossível.

 

VOCABULÁRIO

 

Especulação: Ato ou efeito de especular; investigação teórica; exploração.
Cristocêntrico: Centralizado em Cristo.
Implícito: Que está envolvido, mas não de modo claro.
Incisivo: Decisivo, pronto, direto, sem rodeios.

 

BIBLIOGRAFIA SUGERIDA

 

OLIVEIRA, R. As grandes doutrinas da Bíblia. RJ: CPAD, 2003.
BENTHO, E. Hermenêutica fácil e descomplicada. RJ: CPAD, 2003.

 

EXERCÍCIOS

 

1. O que é doutrina?

R. É um conjunto de princípios que, tendo como base as Sagradas Escrituras, orienta o nosso relacionamento com Deus, com a Igreja e com os nossos semelhantes.

 

2. Qual o principal objetivo da doutrina bíblica?

R. Aprofundar nosso conhecimento de Deus (Os 6.3).

 

3. Por que não podem existir bons costumes sem boa doutrina?

R. Porque a boa doutrina traz, necessariamente, os bons costumes.

 

4. Por que a doutrina bíblica é necessária?

R. É necessária em função de proporcionar a salvação, santificar e tornar o crente sábio em Cristo.

 

5. Por que a doutrina bíblica é importante no serviço cristão?

R. Porque fundamenta o serviço cristão.

 

AUXÍLIOS SUPLEMENTARES

 

Subsídio Teológico

 

“A Doutrina Bíblica.

1. Advertência bíblica. A Bíblia dá grande enfoque à doutrina como a substância da fé, e dela provém o material para o seu conteúdo. Ela é enfática em sua condenação contra o que é falso. Adverte contra a ‘doutrina dos homens’ (Cl 2.2); contra a ‘doutrina dos fariseus’ (Mt 16.12); contra ‘os ensinos de demônios’ (1 Tm 4.1); contra aqueles que ensinam ‘doutrinas que são preceitos de homens’ (Mc 7.7); contra os que são ‘levados ao redor por todo vento de doutrina’ (Ef 4.14).

2. A verdadeira doutrina. Entretanto, se por um lado a Bíblia condena o que é falso, de igual modo exorta e recomenda a verdadeira doutrina. Entre outras coisas é para estabelecer a doutrina que ‘toda Escritura é... útil para o ensino’ (2 Tm 3.16). Nas Escrituras a doutrina é reputada como ‘boa’ (1 Tm 4.6); ‘sã’ (1 Tm 1.10); ‘segundo a piedade’ (1 Tm 6.3); ‘de Deus’ (Tt 2.10); e de ‘Cristo’ (2 Jo v.9).

3. Necessidade da doutrina. Em face do perigo espiritual que ronda o rebanho do Senhor na terra, hoje em dia, é mister não apenas doutrinar nossas igrejas; convém fazê-lo usando todo o potencial das Escrituras. A ausência do ensino de doutrinas específicas, têm feito as nossas igrejas espiritualmente pobres e as deixado à mercê dos falsos mestres que infestam o mundo hoje”.

(OLIVEIRA, R. As grandes doutrinas da Bíblia. 7.ed., RJ: CPAD, 2003, p.9-10.)