Lições Bíblicas CPAD

Jovens e Adultos

 

 

1º Trimestre de 2007

 

Título: A Igreja e a sua missão

Comentarista: Elienai Cabral

 

 

Lição 10: Visitação — A missão consoladora da Igreja

Data: 11 de Março de 2007

 

TEXTO ÁUREO

 

A religião pura e imaculada para com Deus, o Pai, é esta: visitar os órfãos e as viúvas nas suas tripulações e guardar-se da corrupção do mundo(Tg 1.27).

 

VERDADE PRÁTICA

 

A visitação é um ministério que visa fortalecer a fé em Cristo e consolar os necessitados pela mensagem da Palavra de Deus.

 

LEITURA DIÁRIA

 

Segunda - Jo 11.19,20

Jesus visitou um lar enlutado

 

 

Terça - Lc 5.27-29; 7.36-38

Jesus visitou outros lares

 

 

Quarta - 1 Co 12.4-6; Tg 1.27

Visitar é um ministério altamente importante

 

 

Quinta - Rm 12.8

Encorajamento mediante o dom de exortar

 

 

Sexta - Jo 14.16; 1 Co 12.25

Consolo e alento na missão de visitar

 

 

Sábado - 2 Co 13.11

O consolo espiritual ministrado entre os crentes

 

LEITURA BÍBLICA EM CLASSE

 

Lucas 10.1-12.

 

1 - E, depois disso, designou o Senhor ainda outros setenta e mandou-os adiante da sua face, de dois em dois, a todas as cidades e lugares aonde ele havia de ir.

2 - E dizia-lhes: Grande é, em verdade, a seara, mas os obreiros são poucos; rogai, pois, ao Senhor da seara que envie obreiros para a sua seara.

3 - Ide; eis que vos mando como cordeiros ao meio de lobos.

4 - E não leveis bolsa, nem alforje, nem sandálias; e a ninguém saudeis pelo caminho.

5 - E, em qualquer casa onde entrardes, dizei primeiro: Paz seja nesta casa.

6 - E, se ali houver algum filho de paz, repousará sobre ele a vossa paz; e, se não, voltará para vós.

7 - E ficai na mesma casa, comendo e bebendo do que eles tiverem, pois digno é o obreiro de seu salário. Não andeis de casa em casa.

8 - E, em qualquer cidade em que entrardes e vos receberem, comei do que vos puserem diante.

9 - E curai os enfermos que nela houver e dizei-lhes: É chegado a vós o Reino de Deus.

10 - Mas, em qualquer cidade em que entrardes e vos não receberem, saindo por suas ruas, dizei:

11 - Até o pó que da vossa cidade se nos pegou sacudimos sobre vós. Sabei, contudo, isto: já o Reino de Deus é chegado a vós.

12 - E digo-vos que mais tolerância haverá naquele dia para Sodoma do que para aquela cidade.

 

INTERAÇÃO

 

Caro professor, todas as vezes que o Mestre Jesus empreendia uma visita, o fazia com muita solicitude. A iniciativa de visitar alguém deve ser, já no primeiro momento, uma demonstração de genuíno amor. Jesus enfatiza a importância da ação de visitar e, como Ele o fez, espera que façamos também (Jo 13.15). É disso que trataremos nesta lição. A visita não existe por si só. Esta tem a função de consolar ou exortar a pessoa visitada a fim de produzir bons frutos. Lembre-se, esta função não deve estar somente sobre os ombros do pastor.

 

OBJETIVOS

 

Após esta aula, o aluno deverá estar apto a:

  • Definir o ministério de visitação na igreja.
  • Descrever a importância da visitação.
  • Explicar a missão de tal ministério.

 

ORIENTAÇÃO PEDAGÓGICA

 

Professor, nas páginas do Novo Testamento existem vários exemplos de visitação. A primeira pessoa a exercer este ministério foi o Senhor Jesus. Provoque em seus alunos o desejo de tornarem-se visitadores. Para tal, utilize alguns exemplos bíblicos que embasem esta atitude. Se possível, reproduza o quadro abaixo.

 

 

COMENTÁRIO

 

introdução

 

Palavra Chave

Visitação: A visitação bíblica além de ganhar almas para Jesus, socorrer as pessoas de suas necessidades materiais e espirituais, encoraja e consola o crente.

 

É comum a responsabilidade da visitação recair sobre o pastor da igreja local. Mas, na prática, essa missão deve ser cumprida por grupos especiais de irmãos devidamente preparados. A Bíblia afirma que a visitação aos necessitados é a expressão de uma religião pura e imaculada (Tg 1.27). Assim sendo, a religião cristã deve manifestar aos pobres e carentes o mesmo amor que Deus demonstrou à humanidade (Jo 3.16; Gl 6.10).

 

I. A IMPORTÂNCIA DO MINISTÉRIO DE VISITAÇÃO

 

O trabalho de visitação, feito pela igreja, é um ministério que deve ser entendido a partir do contexto de 1 Coríntios 12.4-6, que trata dos dons espirituais. Neste texto, há distinção de ministrações do Espírito Santo por meio dos dons, ministérios e operações. O termo “ministérios” significa literalmente “serviços”. A forma plural indica que há serviços especiais da parte do Senhor, para os quais Ele habilita seus servos a executarem.

1. Visitar é uma missão restauradora e salutar. Na lição anterior, vimos o aconselhamento cristão como um meio de ajudar as pessoas a pautarem suas vidas pelos padrões das Sagradas Escrituras. A visitação tem o mesmo objetivo. É por isso que o ato de visitar demanda do visitador preparação adequada, conhecimento bíblico e maturidade espiritual. Conforme ensina Romanos 12.8, o “dom da exortação” tem o significado literal de “alguém que se coloca ao lado de outrem para ajudar”.

2. Visitar é uma missão de consolidação da fé em Cristo. Cada igreja local deve cuidar bem dos novos convertidos que se agregam à comunidade cristã. Foi Jesus quem ordenou em João 21.15-17: “Apascente meus cordeiros; apascenta minhas ovelhas”. Discipular os que se convertem ao Senhor Jesus é parte integrante da Grande Comissão: “ensinando-as a guardar todas as coisas” (Mt 28.19,20). Integrar o novo crente à igreja e doutriná-lo é uma missão conjunta do pastor e dos visitadores. O ministério de visitação exige a utilização adequada de recursos e talentos que auxiliem as pessoas visitadas a se fortalecerem e crescerem na fé com o genuíno leite espiritual (1 Pe 2.2; 1.23; Jd v.20).

3. Visitar é uma missão de consolo. O consolo e o conforto que vêm de Deus suavizam o sofrimento e aflição da pessoa assistida. Quem nos capacita para isto é o Espírito Santo, que é o divino Parákletōs, isto é, “o Consolador” (Jo 14.16). A igreja como Corpo de Cristo possui uma grande diversidade de membros, e cada qual com sua diferente função. Esses membros se ajudam mutuamente para a perfeita saúde e bem estar de todo o corpo. A Palavra de Deus afirma: “para que não haja divisão no corpo, mas, antes, tenham os membros igual cuidado uns dos outros” (1 Co 12.25). Isto significa que o ministério de visitação, quando realizado de acordo com a doutrina bíblica, contribui eficazmente para o cumprimento da missão consoladora da Igreja neste mundo.

 

 

SINOPSE DO TÓPICO (I)

 

A restauração, consolidação da fé e consolo são as responsabilidades do ministério de visitação. O exercício desse serviço demanda preparação, conhecimento bíblico e maturidade espiritual da parte do visitador.

 

 

II. A VISITAÇÃO DE JESUS AOS LARES

 

1. Ele visitou as famílias em suas casas. O ministério terreno de Jesus caracterizou-se não só pelas atividades evangelísticas de massa, mas, especialmente, pelas visitas aos lares. O Novo Testamento registra alguns casos, mas numerosos outros tiveram lugar no ministério do divino Mestre. Seu primeiro milagre foi operado numa residência quando foi convidado para participar das bodas de um casamento (Jo 2.1,2). Depois, foi à casa de Pedro, ocasião em que curou-lhe a sogra (Mc 1.29-31). Mais tarde esteve também na casa de Levi (Lc 5.27-29) e na de Jairo, a fim de curar-lhe a filha (Mc 5.38-42). Ceiou na casa de um fariseu, ocasião em que foi ungido por uma pecadora (Lc 7.36-38). Na verdade, uma das prioridades ministeriais de Jesus era a visitação aos lares.

2. Ele enviou seus discípulos às residências de Israel (Mt 10.12,13). Jesus orientou os discípulos para que saudassem as pessoas visitadas com a expressão: “Paz seja nesta casa” (Lc 10.5,6). Também orientou quanto ao comportamento social que deveriam ter toda vez que fossem hóspedes em um lar: (1) ficar satisfeitos com o que lhes fosse colocados à mesa, (2) e curar os enfermos que ali houvesse (Lc 10.7,9).

3. Ele visitou pessoas específicas da sociedade. As visitas que Jesus realizava tinham objetivos espirituais e sociais. São casos como o seu encontro e diálogo com Nicodemos, um líder social e religioso do povo (Jo 3.1-21). Algumas vezes, Ele hospedou-se no lar de seus amigos Lázaro, Maria e Marta (Jo 12.1,2); outra, na casa de Zaqueu, o publicano (Lc 19.5,6).

 

 

SINOPSE DO TÓPICO (II)

 

Jesus exercitou a visitação antes de enviar os apóstolos. A visitação no ministério de Jesus consistiu em visitar as famílias em suas casas, pessoas específicas da sociedade e enviar seus discípulos às residências de Israel.

 

 

III. OS APÓSTOLOS E O TRABALHO DE VISITAÇÃO APÓS O PENTECOSTES

 

1. Pedro. O apóstolo Pedro compreendeu o ensino de Jesus sobre a importância da visitação para o estabelecimento efetivo e frutífero da Igreja na Terra. Ele, como um dos três discípulos mais chegados a Jesus, esteve com o divino Mestre muitas vezes em suas visitas aos lares. Pedro visitava com freqüência as casas dos primitivos cristãos. Naqueles primeiros tempos, não havia templos como hoje. A igreja estava em formação e reunia-se nos lares. As visitas de Pedro incluem:

a) O lar de Enéias, paralítico há oito anos, sendo este curado em nome de Jesus (At 9.32,33);

b) A casa de Dorcas, uma mulher caridosa que havia falecido. Ocasião em que, após a oração de Pedro, a mulher ressuscitou (At 9.36-42);

c) A residência de Cornélio, um centurião romano de Cesaréia, para o qual Pedro pregou o Evangelho de Cristo, para ele e toda sua família (At 10.33,34).

2. João. Duas referências nas epístolas de João indicam o quanto o apóstolo valorizava a visitação aos irmãos em Cristo e a comunicação interpessoal. Expressões típicas de suas cartas revelam esse hábito, tais como: “falar de boca a boca” (2 Jo v.12; 3 Jo v.14). Ele valorizava esse ministério de visitação.

3. Paulo. O apóstolo Paulo era um visitador consistente. Ele ensinava especialmente nas casas. Em suas epístolas, costumava lembrar das pessoas visitadas em suas viagens (Fm vv.1,2). Paulo pregava em todas as residências que se lhe abriam as portas para ensinar a doutrina de Cristo (At 20.20,21).

 

 

SINOPSE DO TÓPICO (III)

 

O trabalho de visitação é impulsionado pelo Espírito Santo. Após o Pentecostes os apóstolos sentiram-se mais motivados a essa prática.

 

 

IV. O MINISTÉRIO DE VISITAÇÃO NA IGREJA

 

1. Programa sistemático de visitação na igreja. O ministério de visitação só terá êxito se for feito de forma organizada e sistemática. Deve haver um plano de ação que inclua: listagem com nomes e endereços; treinamento dos visitadores; oração coletiva e individual; supervisão e relatório do trabalho realizado.

2. A liderança da igreja deve motivar o ministério de visitação. A igreja precisa ser motivada e mobilizada para essa missão. A Escola Dominical deve liderar o ministério da visitação. Cada departamento, com suas diversas classes, deve realizar este trabalho em coordenação com os demais setores da igreja. Os líderes responsáveis pela supervisão devem saber selecionar as pessoas para visitação, conforme as necessidades dos lares que serão visitados. Portanto, cada departamento da igreja deve ser instruído e motivado, para que haja a consolidação da vida cristã normal e socorro aos necessitados.

3. A preparação bíblica dos visitadores (2Tm 2.15). A preparação bíblica pode ser feita através de cursos intensivos que envolvem conhecimento das doutrinas fundamentais da fé cristã e orientações bíblicas de aconselhamento cristão. O visitador precisa de orientação sobre relacionamento social, o que envolve: tato, sabedoria, discernimento, precaução, paciência, prudência, compromisso, amor e outros valores indispensáveis ao que almeja contribuir com o reino de Deus na igreja.

 

 

SINOPSE DO TÓPICO (IV)

 

O ministério de visitação na Igreja requer um programa. Deve ser motivado pela liderança e necessita de uma preparação bíblica dos visitadores. Essa missão exige da Igreja uma atenção especial.

 

 

CONCLUSÃO

 

A missão de visitação requer da igreja uma atenção especial, pois não pode ser feita por pessoas despreparadas espiritual e biblicamente. Nosso principal objetivo nessa lição foi despertar os crentes para a urgência e importância da visitação cristã.

 

VOCABULÁRIO

 

Demandar: Ter necessidade de; requerer.
Êxito: Resultado, conseqüência, efeito.
Interpessoal: Que existe entre duas ou mais pessoas.
Salutar: Fortificante; fortalecedor.

 

BIBLIOGRAFIA SUGERIDA

 

MENDES, J. D. Teologia Pastoral. RJ: CPAD, 1988.

 

EXERCÍCIOS

 

1. O que significa o termo ministério?

R. Significa literalmente “serviços”.

 

2. Por que o ministério de visitação é importante?

R. Porque tem uma missão restauradora e salutar, consolida a fé em Cristo e leva consolo e conforto.

 

3. Mencione exemplos bíblicos de visitações realizadas por Jesus.

R. Bodas de um casamento (Jo 2.1,2); foi à casa de Pedro (Mc 1.29-31); esteve na casa de Levi (Lc 5.27-29) e na de Jairo (Mc 5.38-42).

 

4. Cite exemplos de visitações dos apóstolos após o Pentecostes.

R. Pedro visitou o lar de Enéas (At 9.32,33), Dorcas (At 9.36-42) e Cornélio (At 10.33.34).

 

5. Como deve ser organizado o programa de visitação na igreja?

R. O programa de visitação da igreja deve incluir: listagem com nomes e endereços: treinamento dos visitadores: oração coletiva e individual; supervisão e relatório do trabalho realizado.

 

AUXÍLIO BIBLIOGRÁFICO

 

Subsídio Teológico

 

“Características do visitador cristão

Todo servo de Deus que se coloca à disposição da igreja para realizar o importante trabalho de visitação precisa possuir valores espirituais que o credenciem para tal atividade. É certo que outras características devem ser encontradas no instrumento de Deus que presta tão relevante serviço, mas o fundamental é que seja realmente espiritual, o que implica ter vida de comunhão com Deus através da oração. Para o visitador cristão, não basta apenas gostar de fazer visita; é necessário ter conhecimento daquilo que vai efetuar. Este conhecimento compreende saber o que a Palavra de Deus diz acerca da ação de visitar e possuir habilidades espirituais e naturais para o trabalho.

Vejamos algumas características do visitador cristão:

1. A sabedoria é indispensável característica do visitador. Esta capacitação, que não é meramente intelectual, mas principalmente espiritual, deve possuir o instrumento de Deus que se dá para a missão de visitar. A sabedoria aqui referida certamente é àquela recomendada pelo apóstolo Tiago (Tg 3.17).

2. A Fé é outro elemento indispensável na vida do visitador cristão. Em primeiro lugar, a Bíblia nos adverte que sem fé é impossível agradar a Deus. O trabalho que se realiza visitando a alguém tem, como objetivo, agradar a Deus. Em segundo lugar, a fé é fator preponderante nas atividades dos servos de Deus, e quando se trata do ofício de visitar qualquer pessoa, em qualquer circunstância, a fé deve operar na vida do visitador porque a palavra que [...] pregamos é de fé (Rm 10.8c). Ora, o visitador vai ao encontro de uma pessoa para falar-lhe das possibilidades de Deus para solução de problemas, e se sua palavra não estiver ‘misturada com fé’ (Hb 4.2), certamente os frutos do seu trabalho não serão obtidos”.

(OLIVEIRA, T. R. Manual do visitador cristão. RJ: CPAD, 2005. p. 19-22.)

 

APLICAÇÃO PESSOAL

 

A Igreja, enquanto representante de Cristo na Terra, deve desenvolver um ministério espiritual e social de visitação. Aos que exercitam bem o ministério da visitação, o Senhor dirá: “Vinde, benditos de meu Pai, possuí por herança o Reino que vos está preparado desde a fundação do mundo” (Mt 25.34b). Aos que desprezam o ministério de visitação, o Senhor Jesus dirá: “Apartai-vos de mim, malditos, para o fogo eterno, preparado para o diabo e seus anjos; porque tive fome, e não me destes de comer; tive sede, e não me destes de beber; sendo estrangeiro, não me recolhestes; estando nu, não me vestistes; e estando enfermo e na prisão, não me visitastes.” (Mt 25.41b-43). De que lado você está?