Lições Bíblicas CPAD

Jovens e Adultos

 

 

3º Trimestre de 2007

 

Título: A busca do caráter cristão

Comentarista: Eliezer de Lira e Silva

 

 

Lição 7: Débora, uma mulher corajosa

Data: 19 de Agosto de 2007

 

TEXTO ÁUREO

 

Esforça-te e tem bom ânimo; não pasmes, nem te espantes, porque o SENHOR, teu Deus, é contigo, por onde quer que andares(Js 1.9).

 

VERDADE PRÁTICA

 

As adversidades não esmorecem a fé de um crente corajoso e completamente submisso ao Senhor.

 

LEITURA DIÁRIA

 

Segunda - 2 Co 1.5-10

A tribulação na vida do crente é certa, mas a vitória também

 

 

Terça - Sl 121.1,2

Identificando a fonte da vitória

 

 

Quarta - Sl 27.5

Deus protege a vida dos seus

 

 

Quinta - Jz 7.9-11

Deus tem soluções para as crises

 

 

Sexta - At 9.11-17

Encorajado pelo Senhor

 

 

Sábado - Mt 28.20

A maior segurança do cristão

 

LEITURA BÍBLICA EM CLASSE

 

Juízes 4.4,6-9; 5.1,7.

 

Juízes 4

4 - E Débora, mulher profetisa, mulher de Lapidote, julgava a Israel naquele tempo.

6 - E enviou, e chamou a Baraque, filho de Abinoão, de Quedes de Naftali, e disse-lhe: Porventura o SENHOR, Deus de Israel, não deu ordem, dizendo: Vai, e atrai gente ao monte de Tabor, e toma contigo dez mil homens dos filhos de Naftali e dos filhos de Zebulom?

7 - E atrairei a ti para o ribeiro de Quisom a Sísera, capitão do exército de Jabim, com os seus carros e com a sua multidão, e o darei na tua mão.

8 - Então, lhe disse Baraque: Se fores comigo, irei; porém, se não fores comigo, não irei.

9 - E disse ela: Certamente irei contigo, porém não será tua a honra pelo caminho que levas; pois à mão de uma mulher o SENHOR venderá a Sísera. E Débora se levantou e partiu com Baraque para Quedes.

 

Juízes 5

1 - E cantou Débora e Baraque, filho de Abinoão, naquele mesmo dia, dizendo:

7 - Cessaram as aldeias em Israel, cessaram, até que eu, Débora, me levantei, por mãe em Israel me levantei.

 

INTERAÇÃO

 

Professor, a palavra-chave desta lição é "coragem". Você sabe o que significa essa virtude? No Novo Testamento, coragem, do grego "tolmaõ", significa "ser corajoso", "ser ousado" ou "ser audacioso". A ênfase está na capacidade de manter-se firme e resoluto diante de uma situação perigosa. Um dos usos do termo descreve a coragem de José de Arimatéia (Mc 15.43) e a de Paulo ao manter suas convicções em situações de conflito (2 Co 10.2).

Ensine aos alunos que o crente corajoso mantém o seu testemunho cristão diante das ameaças mundanas (At 5.13).

 

OBJETIVOS

 

Após esta aula, o aluno deverá estar apto a:

  • Explicar o contexto histórico-religioso do tempo dos juízes.
  • Descrever as virtudes morais de Débora.
  • Exercitar princípios de liderança.

 

ORIENTAÇÃO PEDAGÓGICA

 

Professor, a fim de ressaltarmos a coragem e bravura da personagem principal desta lição, Débora, releia os capítulos 4 e 5 de Juízes. Agora, anote os pontos geográficos relacionados à batalha citados no texto: Quedes, monte Tabor, Harosete-Hagoim, etc... Leia um pouco mais a respeito dessas regiões em uma obra de geografia ou enciclopédia bíblica. Releia a lição e faça um paralelo entre a história narrada e os pontos geográficos destacados. Descreva a vitória de Débora com todos os subsídios geográficos que você estudou. Use o mapa abaixo para incrementar a lição. Lembre-se de que os juízes eram também líderes militares.

 

 

COMENTÁRIO

 

introdução

 

Palavra Chave

Coragem: Virtude mediante a qual a pessoa enfrenta com destemor situações emocionais, sociais ou moralmente difíceis.

 

Débora destacou-se como grande líder espiritual numa época em que Israel fora governado por juízes. Sua carreira, embora breve, teve grande importância para história do seu povo. Das experiências dessa competente e corajosa mulher, podemos extrair valiosas lições para os nossos dias.

 

I. CONTEXTO HISTÓRICO DOS JUÍZES DE ISRAEL

 

1. Idolatria e paganismo. Débora foi convocada para julgar seu povo num dos piores momentos da vida nacional. Josué, o grande líder, não estava mais entre eles e, por isso, não havia unidade espiritual no país. A idolatria e a apostasia assolavam a nação (Jz 4.1,2). A circunstância era tão difícil que Débora fez questão de registrá-la em seu cântico (Jz 5.8). Certamente o que provocou esta situação foram os longos anos de paz e relativa prosperidade sob a liderança de Eúde (Jz 3.30). A Bíblia afirma que "os filhos de Israel tornaram a fazer o que parecia mal aos olhos do SENHOR, depois de falecer Eúde" (Jz 4.1). Por conta disso, "Entregou-os o SENHOR nas mãos de Jabim, rei de Canaã" (Jz 4.2 - ARA).

Débora fora convocada pelo Senhor no mesmo instante em que o povo de Israel clamou por Ele (Jz 4.3). Ainda hoje, quando a Igreja clama, arrependida, confessando seus pecados, o Senhor chama e envia obreiros com a missão de reconduzi-la ao caminho da santidade (2 Cr 7.14; Jr 33.3; Lc 10.2).

2. Progresso da civilização pagã. No tempo dos juízes, a Palestina era uma região muito próspera. Havia grandes e pomposas cidades, resultado do crescimento de uma civilização milenar. Por essa razão, os hebreus ficaram impressionados com as realizações culturais de seus vizinhos e, aos poucos, foram absorvendo sua cultura, religião e o modo de vida daquelas nações.

Infelizmente, nos dias atuais, o secularismo continua crescendo na igreja. Ele é o responsável pelo desvio de muitos cristãos. Há crentes que deixam de buscar prioritariamente o Reino de Deus e a sua justiça, para mergulharem no mundanismo traiçoeiro (Mt 6.33,34; Lc 10.42).

3. Opressão sob os cananeus. Jabim, rei de Canaã (Jz 4.1-3), dominava as principais rotas comerciais da região. Isso fazia com que o povo de Israel se sentisse oprimido, não havendo outra alternativa senão tomar outro rumo (Jz 5.6). Os cananeus eram bem superiores a Israel, especialmente no que tange às armas de guerra (Jz 4.3). Possuíam novecentos carros de ferro (Jz 4.7,15) e recebiam treinamento militar especializado. Dominavam a indústria e o comércio bélicos, armavam seus vizinhos contra Israel, e não permitiam que ninguém vendesse armas aos judeus: "não se via escudo nem lanças entre quarenta mil em Israel" (Jz 5.8 - ARA).

Foi nessa época que Débora recebera sua divina chamada. Só a intervenção sobrenatural de Deus poderia fazer de Israel um povo vitorioso. Quando a guerra é do Senhor a vitória é certa! (1 Sm 7.1-13; 17.40-54). Inicialmente Deus os entregara nas mãos de Jabim para prová-los (Jz 4.2). Porém, mais tarde, o Senhor entregou Jabim nas mãos dos filhos de Israel para honrá-los (Jz 4.14). O Todo-Poderoso precisava de uma pessoa corajosa para interceder pelo povo (Ez 22.30).

Deus continua procurando e convocando seus santos arautos (Is 6.8; Jn 3.1-3; Mc 16.15,16).

 

SINOPSE DO TÓPICO (I)

 

A profetisa Débora fora convocada para julgar o povo de Israel numa época de idolatria, paganismo, progresso da civilização ímpia e opressão sob os cananeus.

 

II. DÉBORA, PROFETISA E JUÍZA (Jz 4.4)

 

1. Débora, "mãe em Israel" (Jz 5.7). Na Bíblia, os nomes quase sempre relacionam-se ao contexto sócio-histórico em que a pessoa vive, ou ao ofício que desempenha na comunidade. O nome Débora, no hebraico, significa "abelha". O título "mãe de Israel" pode ser uma alusão às funções e à importância da "abelha-rainha" em seu meio (5.7).

Débora era casada com Lapidote e, provavelmente, descendia da tribo de Efraim (Jz 4.4,5). Mulher madura, séria, determinada e de conduta moral elevada. Além do mais, era muito corajosa: em nenhum momento temeu estar à frente da batalha com Baraque, o grande general dos exércitos de Israel (4.8).

2. Débora e sua biografia bíblica. Débora fora designada por Deus para ocupar um cargo importante e exercer funções que eram reservadas à classe masculina da época. As mulheres, salvo raríssimas exceções, sempre ocuparam posições inferiores as dos homens, tanto em Israel quanto nas comunidades vizinhas. Todavia, aprouve ao Senhor contrariar os conceitos humanos, como faria Jesus tantas outras vezes (Jo 4.9,10,28-30).

Débora foi a única juíza de Israel. Sua história revela a mais retumbante das vitórias cantadas na Bíblia (Jz 5). Deus usa quem quer, como quer e onde quer. Sua multiforme sabedoria é a característica essencial das suas operações.

3. Débora, a profetisa (Jz 4.4). Antes de julgar Israel, Débora já atuava no ministério profético (4.4). Na Bíblia, há várias mulheres que se dedicaram a esse mister: Miriã (Êx 15.20), Hulda (2 Rs 22.14), Noadias (Ne 6.14) e Ana (Lc 2.36).

Como profetisa, Débora não se acovardou. Entregou a mensagem divina a Baraque com segurança e determinação (Jz 4.6,7). O Eterno confiou a essa grande mulher as estratégias de guerra, o comando e a vitória. Em seu belíssimo cântico, louva ao Senhor com ênfase e ousadia: "Ao SENHOR, eu, sim, eu cantarei!" (Jz 5.3).

4. Débora, a juíza (Jz 4.4). Débora era capaz, e profundamente espiritual. Sabia discernir e julgar com retidão. Sob orientação divina estabeleceu um fórum público ao ar livre, facilitando o acesso de qualquer pessoa que desejasse receber seus conselhos (Jz 4.5; cf. 2 Sm 20.18). De juíza local, estabelecida nas montanhas de Efraim (Jz 4.5), Deus a elevou à categoria de juíza geral de Israel. Isso faz o Todo-Poderoso com todos aqueles que se colocam à disposição de sua soberana vontade. Ajamos assim! Nada de forjar posições de honra! E, depois, dizer que tudo veio do Senhor.

O Senhor continua buscando homens e mulheres fiéis, que estejam com a visão correta, no lugar e no tempo de Deus.

5. A vitória de Israel. Diante do perigo, Débora agiu com urgência e decisão. Ordenou que Baraque viesse imediatamente à sua presença (Jz 4.6), a fim de comunicar-lhe os planos de Deus. Assim cantou: "Cessaram as aldeias em Israel, cessaram, até que eu, Débora, me levantei, por mãe em Israel me levantei" (Jz 5.7). O verbo "levantar" denota desprendimento, coragem, fé e determinação. Com liderança e autoridade, essa autêntica heroína israelita ordenou que o exército hebreu enfrentasse seus inimigos com ousadia e veemência (Jz 4.6-8). Providencialmente, Débora estava no lugar certo, no momento certo e com a estratégia certa.

 

SINOPSE DO TÓPICO (II)

 

Débora, abelha-mãe de Israel, era profetisa e juíza em Israel. Era uma mulher corajosa, intrépida e ousada na fé. Um exemplo de fé e coragem para todos os que amam a Palavra de Deus.

 

CONCLUSÃO

 

Débora é um exemplo de fé e coragem para todos os que amam a Palavra de Deus (1 Tm 1.6-12; Hb 11.32). Quando estivermos indecisos acerca do caminho a trillhar, é melhor seguirmos o exemplo de Débora. Tomarmos o caminho da confiança incondicional em Deus. Sua fé inabalável tornou-a determinada e atuante. Essas virtudes estão ao alcance de todos os que desejam viver sob a soberana vontade de Deus.

 

VOCABULÁRIO

 

Denotar: Ter o conceito de; significar que.
Ousadia: Qualidade de ousado; coragem, destemor.
Pomposo: Suntuoso; magnífico; luxuoso.
Veemência: Grande energia; vigor; vivacidade.

 

BIBLIOGRAFIA SUGERIDA

 

PFEIFFER, C. F. Dicionário bíblico Wycliffe. RJ: CPAD, 2006.

 

EXERCÍCIOS

 

1. Descreva a situação de Israel após a morte de Eúde.

R. (Livre). Os filhos de Israel fizeram o que era mal aos olhos do Senhor.

 

2. Comente a respeito do progresso da Palestina no tempo de Débora.

R. (Livre). A Palestina era uma região muito próspera. Havia grandes e pomposas cidades, resultado do crescimento de uma civilização milenar.

 

3. Qual o significado do nome Débora e qual a relação desse significado com o ofício da personagem?

R. O nome Débora, no hebraico, significa "abelha". O título "mãe de Israel" pode ser uma alusão às funções e à importância da "abelha-rainha" em seu meio.

 

4. Quais os ministérios desenvolvidos por Débora no tempo dos juízes?

R. Profetisa e juíza.

 

5. O que o Senhor continua buscando nos dias de hoje?

R. Homens e mulheres fiéis, que estejam com a visão correta, no lugar e no tempo de Deus.

 

AUXÍLIO BIBLIOGRÁFICO

 

Subsídio Teológico

 

“Coragem

No NT existem três raízes diferentes de palavras que transmitem a idéia de coragem. O verbo tolmaō contém um elemento de ousadia, de um ato que se coloca acima do medo (Mc 12.34; 15.43; At 7.32; Rm 5.7; 2 Co 11.21; Fp 1.14). A segunda, tharréō, denota confiança e esperança em Deus (2 Co 5.6,8; Hb 13.6), confiança nos homens (2 Co 7.16) e coragem nas relações humanas (2 Co 10.1,2). A terceira palavra, parrēsia, entretanto, caracteriza, de forma surpreendente, os cristãos primitivos. Ela tem a conotação de falar livre e corajosamente, e traz consigo a antiga tradição ateniense de um discurso democrático e desembaraçado. Os discípulos seguiram o exemplo de seu Mestre, que falava aberta (Jo 7.26) e claramente (Mc 8.32; Jo 11.14). Em numerosas ocasiões, os apóstolos mostraram grande coragem ao falar perante seus oponentes (At 4.13,29; 9.27; 13.46; 14.3; 28.31). Essa coragem é atribuída à presença do Espírito Santo, que enchia a vida de cada um deles (At 4.31). Paulo dá testemunho de sua própria coragem ao pregar e ensinar o Evangelho a seus convertidos (1 Ts 2.2; 2 Co 3.12; Fm 8). Entretanto, ele às vezes sentia a necessidade de orar para poder continuar falando corajosamente a respeito do Senhor (Ef 6.19s)”.

(PFEIFFER, C. F. Dicionário bíblico Wycliffe. RJ: CPAD, 2006, p. 454.)

 

APLICAÇÃO PESSOAL

 

A Palavra de Deus habita em corações corajosos! A coragem e a fé se complementam. Quem não crê não é capaz de atos de coragem. A incredulidade impede o crente de agir corajosamente. Mas o que crê age com coragem! A fé em Deus e nas promessas da Palavra do Senhor estimulam a coragem que suscita atos heróicos. Fé e destemor acompanham a trajetória não apenas dos heróis bíblicos, mas também do incontável número de heroínas e heróis anônimos por todo o mundo. Fé e coragem estimularam os trezentos homens de Gideão. Fé e coragem têm sustentado, diante da morte, o testemunho de muitos missionários cristãos. Fé envolve confiança ilimitada no poder de Deus, mas a coragem, a nossa decisão em dar o primeiro passo.

 

Procura apresentar-te a Deus aprovado, como obreiro que não tem de que se envergonhar, que maneja bem a palavra da verdade. (2Tm 2.15)