Lições Bíblicas CPAD

Jovens

 

 

2º Trimestre de 2015

 

Título: Jesus e o seu tempo — Conhecendo o contexto da sociedade judaica nos tempos de Jesus

Comentarista: Valmir Milomem

 

 

Lição 11: Os discípulos de Jesus e a questão ambiental

Data: 14 de Junho de 2015

 

TEXTO DO DIA

 

Porque sabemos que toda a criação geme e está juntamente com dores de parto até agora(Rm 8.22).

 

SÍNTESE

 

A responsabilidade ambiental dos servos de Jesus decorre do princípio bíblico da mordomia cristã.

 

AGENDA DE LEITURA

 

SEGUNDA — 1Co 10.26

Toda a terra pertence ao Senhor

 

 

TERÇA — Gn 1.28,29

O cuidador da terra

 

 

QUARTA — 1Co 4.2

A fidelidade do mordomo

 

 

QUINTA — Gn 8.17

Preservando os animais

 

 

SEXTA — Lv 25.1-7

Descanso para a terra

 

 

SÁBADO — Dt 22.6,7

Proibindo a crueldade

 

OBJETIVOS

 

Após esta aula, o aluno deverá estar apto a:

  • SABER o significado da mordomia do homem em relação à Criação;
  • CONSCIENTIZAR da responsabilidade ambiental do cristão;
  • COMPREENDER a necessidade da proteção ao meio ambiente.

 

INTERAÇÃO

 

Nas últimas décadas a questão ambiental passou a ser tema de destaque na mídia e nas discussões políticas. Em virtude das catástrofes ecológicas, poluição e degradação do meio ambiente, o tema vem ocupando proeminência no cenário nacional e internacional, levando o homem a discutir sobre ecologia e responsabilidade ambiental. Dentro desse contexto, algumas pessoas se mostram indiferentes em relação ao assunto, enquanto outros fazem da preservação da natureza uma verdadeira filosofia de vida, com nuanças de religiosidade. A Bíblia tem muito a dizer sobre o tema. Embora possa não discorrer de forma pormenorizada sobre a temática ambiental, ela contém princípios que devem nortear o modo como os servos de Jesus lidam com o meio ambiente.

 

ORIENTAÇÃO PEDAGÓGICA

 

Prezado professor, no tópico 2, ao falar sobre a responsabilidade ambiental, destaque a diferença entre a visão cristã e a visão secular/humanista sobre a proteção ao meio ambiente. Utilize como referência o texto de autoria do pastor Silas Daniel do subsídio bibliográfico 2, e depois peça para os alunos preencherem a tabela abaixo:

 

 

TEXTO BÍBLICO

 

Gênesis 1.26-28.

 

26 — E disse Deus: Façamos o homem à nossa imagem, conforme a nossa semelhança; e domine sobre os peixes do mar, e sobre as aves dos céus, e sobre o gado, e sobre toda a terra, e sobre todo réptil que se move sobre a terra.

27 — E criou Deus o homem à sua imagem; à imagem de Deus o criou; macho e fêmea os criou.

28 — E Deus os abençoou e Deus lhes disse: Frutificai, e multiplicai-vos, e enchei a terra, e sujeitai-a; e dominai sobre os peixes do mar, e sobre as aves dos céus, e sobre todo o animal que se move sobre a terra.

 

COMENTÁRIO DA LIÇÃO

 

INTRODUÇÃO

 

O Planeta Terra tem sofrido com a atuação devastadora do homem. A poluição e a degradação estão a afetar drasticamente o habitat em que vivemos e colocado em risco a própria vida humana. Nesta lição, veremos que a responsabilidade ambiental à luz das Escrituras Sagradas está contida no encargo que Deus entregou ao homem após o advento da Criação.

 

I. A BÍBLIA E A QUESTÃO ECOLÓGICA

 

1. O Criador da natureza. A Bíblia é muita clara ao registrar que a natureza faz parte da criação de Deus. No capítulo 1 de Gênesis temos o completo relato do princípio do universo e da vida. Todos os elementos da natureza, como o sol e lua, as árvores da floresta, a chuva e a neve, os rios e os córregos, as colinas e as montanhas, os animais e aves, foram criados pelo Senhor. E tudo era bom. Essa é a razão pela qual a natureza é tão bela, e os céus proclamam a glória de Deus, e o firmamento anuncia as obras das suas mãos (Sl 19.1). À luz das Escrituras e da doutrina da criação, portanto, entendemos que o universo não é fruto da evolução e do acaso, mas de um desígnio perfeito. Concluímos, também, que o Criador não se confunde com a sua criação, diferentemente do que afirmam as religiões panteístas — que entendem que Deus é tudo e tudo é Deus.

2. O homem e a mordomia. Após ter criado todas as coisas, Deus formou o homem e deu-lhe autoridade para dominar sobre tudo que criara (Gn 1.26). Dessa passagem bíblica, extraímos o conceito de mordomia. Isto é, a terra pertence ao Senhor (Sl 24.1), mas o homem é o mordomo, aquele que administra os bens de Deus aqui, o que implica responsabilidade, fidelidade (1Co 4.2) e zelo pela criação, pois o administrador deve prestar contas daquilo que não lhe pertence (Mt 25.14-22). A responsabilidade humana pelo cuidado com a natureza fica mais evidente quando Deus põe Adão no jardim do Éden para o lavrar (servir) e o guardar (cuidar) (Gn 2.15). o Jardim foi plantado (heb. nãta) por Deus (Gn. 2.8), para que o homem pudesse cuidar e cultivá-lo. Aqui está o mandato cultural. Deus forma, mas o homem possui a responsabilidade de ser o mordomo do jardim. Nenhuma outra criatura recebeu esse encargo.

3. Cuidando da Criação. Ainda no Antigo Testamento, vemos o esmero de Deus com os animais e com a terra. O plano do Altíssimo para a nova civilização após o Dilúvio envolvia a preservação da espécie animal (Gn 8.17). O Senhor estabeleceu para a nação de Israel a guarda do sétimo ano para descanso da terra (Lv 25.1-7), com o objetivo de evitar a deterioração do solo pelo uso abusivo e egoísta. Proibiu, também, o tratamento cruel contra animais e aves (Dt 22.6.7; 25.4). Logo, usar com sabedoria e prudência os recursos naturais disponíveis é uma recomendação bíblica aos servos de Jesus.

 

 

Pense!

 

Cuidar da terra e da natureza não é uma opção. É um mandato outorgado pelo Criador.

 

 

Ponto Importante

 

A terra pertence ao Senhor (Sl 24.1), mas o homem é o mordomo, aquele que administra os bens de Deus aqui na terra.

 

 

II. O CRISTÃO E A RESPONSABILIDADE AMBIENTAL

 

1. Agenda ambiental equilibrada. Se as Escrituras enfatizam a importância do cuidado com a criação divina, por que poucos crentes estão conscientes dessa responsabilidade ambiental? Raramente ouvimos, no meio evangélico, ensino a respeito do meio ambiente (dentro de uma perspectiva cristã), prevalecendo a ideia de que toda postura pró-preservação está vinculada ao panteísmo, às religiões orientais e ao sectarismo. Embora esse equívoco ocorra, com a existência de grupos que defendem, de modo radical, o meio ambiente e os animais, os cristãos não podem se omitir no dever de cuidado da natureza pelos motivos corretos, abalizados na doutrina da mordomia cristã. Silas Daniel, na obra A Sedução das Novas Teologias, escreve a esse respeito: “Cristãos devem ter em sua agenda o discurso pró-preservação da natureza. Nada mais lógico. Repito: é bíblico. Porém, não devem fazer desse discurso algo parecido com uma religião nem ser hipnotizados por qualquer discurso apelativo dos ambientalistas de plantão. Em tudo, deve prevalecer o equilíbrio e a coerência”.

2. A volta de Jesus. Outra justificativa equivocada que muitos crentes utilizam para a falta de responsabilidade ambiental é o discurso escatológico. “Jesus está voltando, por que eu deveria me preocupar com o meio ambiente?”, indagam tais pessoas. Entretanto, a iminência da vinda de Cristo não deve servir de desculpa para uma vida cristã descompromissada e apática com as questões sociais, culturais e, até mesmo, ecológicas. Ainda que as tragédias naturais sirvam como sinal dos últimos tempos (Lc 21.11), os servos de Jesus não podem fazer parte do grupo daqueles que provocam tais sinais, interferindo no equilíbrio da natureza estabelecido pelo Senhor desde a criação. Uma vez que a desordem da natureza foi ocasionada pela Queda, pela qual toda a criação geme e está juntamente com dores de parto até agora (Rm 8.22), é papel do crente agraciado pela redenção em Cristo Jesus, lutar contra os efeitos do pecado no mundo e vencer o mal com o bem (Rm 12.21).

 

 

Pense!

 

“Cristãos devem ter em sua agenda o discurso pró-preservação da natureza. Porém, não devem fazer desse discurso algo parecido com uma religião, nem ser hipnotizados por qualquer discurso apelativo dos ambientalistas de plantão”(Silas Daniel).

 

 

Ponto Importante

 

Uma das justificativas equivocadas que muitos crentes utilizam para a falta de responsabilidade ambiental é o discurso escatológico.

 

 

III. PROTEGENDO O AMBIENTE

 

1. O que é meio ambiente. O meio ambiente, habitualmente chamado apenas de ambiente, “é o conjunto de condições, leis, influências e infra-estrutura de ordem física, química e biológica, que permite, abriga e rege a vida em todas as suas formas”. Com efeito, a proteção do ambiente é, também, uma forma de proteção da própria vida humana, pois envolve todos os recursos naturais do globo, inclusive o ar, a água, a terra, a flora e a fauna.

2. Direito de todos. No Brasil, o meio ambiente ecologicamente equilibrado é um direito previsto na Constituição Federal, que assim estabelece em seu art. 225: “Todos têm direito ao meio ambiente ecologicamente equilibrado, bem de uso comum do povo e essencial à sadia qualidade de vida, impondo-se ao Poder Público e à coletividade o dever de defendê-lo e preservá-lo para as presentes e futuras gerações”. Como cidadão responsável e consciente, o cristão também possui o dever legal de defender e preservar os recursos naturais, tanto para a presente quanto para as futuras gerações. Que tipo de terra deixaremos para os nossos filhos?

3. Sustentabilidade e ética ambiental. A proteção ecológica envolve um conjunto de medidas que podem ser adotadas pelos servos de Jesus. É preciso encontrar o ponto de equilíbrio entre o desenvolvimento e a preservação dos recursos naturais, o chamado desenvolvimento sustentável.

 

 

Pense!

 

A proteção do ambiente é, também, uma forma de proteção da própria vida humana.

 

 

Ponto Importante

 

Desenvolvimento sustentável significa encontrar o ponto de equilíbrio entre o desenvolvimento e a preservação dos recursos naturais.

 

 

CONCLUSÃO

 

Como discípulos e servos de Jesus, possuímos boas razões para zelar pela natureza. Porque a terra é do Senhor e toda a sua plenitude (1Co 10.26), e nós somos mordomos, cuidadores da sua criação. Desse modo, a responsabilidade ambiental do cristão não está amparada em conceitos panteístas e na onda “verde” do tempo atual, e, sim nas Escrituras Sagradas. Devemos, por isso, usar os recursos naturais de forma consciente e sábia, preservando-a para uma boa qualidade de vida tanto para a presente quanto para as futuras gerações, enquanto o Senhor não voltar.

 

ESTANTE DO PROFESSOR

 

DORTCH. Richard W. Orgulho Fatal.
MAXWELL, John C. Os 5 Níveis da Liderança.

 

HORA DA REVISÃO

 

1. De qual passagem bíblica extraímos o conceito de mordomia?

Gênesis 1.26.

 

2. O que envolvia o plano do Altíssimo para a civilização após o Dilúvio?

O plano do Altíssimo para a nova civilização após o Dilúvio envolvia a preservação da espécie animal (Gn 8.17).

 

3. Qual justificativa equivocada os crentes utilizam para a falta de responsabilidade ambiental?

Uma das justificativas é o discurso escatológico. “Jesus está voltando”, dizem estes, “porque me preocupar com o meio ambiente?”.

 

4. O que é meio ambiente?

É o conjunto de condições, leis, influências e infraestrutura de ordem física, química e biológica, que permite, abriga e rege a vida em todas as suas formas.

 

5. O que você tem feito para preservar o meio ambiente?

Resposta pessoal.

 

SUBSÍDIO

 

POR QUE OS CRISTÃOS NÃO SE IMPORTAM MUITO COM A ECOLOGIA

 

“Durante anos, os adeptos da Nova Era têm colocado a culpa da crise ecológica no cristianismo. Mas a Bíblia realmente nos transmite um elevado conceito sobre a criação. Quando Deus colocou Adão no jardim do Éden, mandou que cultivasse e conservasse a terra. As palavras da língua hebraica para essas tarefas significam ‘servir’ e ‘cuidar’. O livro de Gênesis ensina que os seres humanos têm ‘domínio’ sobre a natureza, porém, isso não significa uma ordem arbitrária, em sim um cuidado especial. Essa é a palavra de Deus, e somos responsáveis perante Ele pela forma como cuidamos da terra. É bem verdade que os ocidentais muitas vezes abusam da natureza, Mas isso não tem origem no cristianismo, e sim no humanismo. À medida que a cultura ocidental rejeitou a Bíblia, deixou de considerar os seres humanos como servos de Deus para vê-los como o pináculo da evolução, como a vitória da luta de Darwin pela existência, a vitória daquele que não deve nada a ninguém.

[...]

Mas o antídoto ao humanismo ocidental não é um panteísmo oriental, aquilo que tem sido chamado de ‘religião baseada na natureza’. O panteísmo, isto é, a crença de que tudo participa da divindade, de que tudo é Deus, nega que os seres humanos sejam especiais; o panteísmo nos coloca no mesmo nível da grama e das árvores.

Mas os seres humanos têm, realmente, poderes únicos que nenhum outro organismo possui. A única religião que pode ‘resolver’ nossos problemas ecológicos é aquela que reconhece a nossa singularidade e oferece diretrizes que orientam nossas capacidades. O cristianismo faz exatamente isso: ensina que Deus criou os seres humanos a sua imagem, para serem os responsáveis pela criação” (COLSON, Charles. Respostas às Dúvidas de seus Adolescentes. 1ª Edição. RJ: CPAD, 2004, p.142).

 

 

A ESSÊNCIA DA NATUREZA

 

“A natureza é boa, mas não divina. Muitas culturas pagãs praticam o animismo, o qual ensina que o mundo é a morada do divino ou uma emanação da própria essência de Deus. Consequentemente, esses povos creem que a natureza está cheia de deuses do sol, deusas dos rios e divindades astrais. Essa crença antiga está sendo ressuscitada em nossos dias. Por exemplo, no filme Pocahontas, dos estúdios Disney, a jovem donzela índia repreende o homem branco por pensar que a terra ‘é apenas uma coisa morta’, advertindo-o de que ‘cada rocha, árvore e criatura tem uma vida, tem um espírito, tem um nome’. Trata-se de expressão surpreendentemente clara de animismo.

Porém Gênesis 1 coloca-se em rigoroso contraste com tudo isso. O livro dos começos ensina que a natureza não é divina; ela serve aos propósitos de Deus. Os historiadores descrevem o efeito dessa doutrina como a ‘desdeificação’ da natureza, e ela foi um ponto de partida fundamental para a ciência. Quando a natureza exigia adoração religiosa, estudar demasiadamente seus segredos era considerado irreverência. Mas por ‘desdeificar’ a natureza, o Cristianismo a transformou de objeto de medo e adoração em algo passível de estudo científico” (COLSON, Charles; PEARCEY, Nancy. E agora, como viveremos? 1ª Edição. RJ: CPAD, 2000, p.497).